sábado, janeiro 31, 2009
Jeff Buckley | Grace


Nunca pensei atrever-me a escrever sobre este álbum em específico. Esta pequena peça redonda capaz de mover, não montanhas, mas as mais sinceras e profundas partes de um ser humano. Não quero estar à altura da sua dimensão com as minhas palavras, mas quero, isso certamente, prestar-lhe a minha humilde homenagem. E perder os medos que vêm com a certeza de saber que tudo o que possa dizer nunca vai ser suficiente.

Jeff Buckley morreu com 31 anos, afogado no Rio Wolf. Como que a prever a sua morte, deixou uma série de legados musicais que nunca cessam de me espantar. De todos eles, Grace surge de forma ímpar. Foi um disco difícil de descobrir, não se faz só com uma audição de fugida. Mas, à medida que vamos descortinando as suas camadas, algo em nós faz mais sentido. Se ganhei alguma coisa, nunca pode ser resumida. Porque tudo o que aprendi da sua música torna-se real nas lições. As que aprendi e as que ainda estou por descobrir. Na minha perspectiva, é um registo sobre a perda. Do amor, da condição humana, dos medos. Aqui, tudo se perde à medida que tudo se transforma. A sua voz, talvez o maior dos muitos trunfos de Buckley, avassaladoramente vivida - e sofrida - guia-nos por uma viagem em que, utilizando uma metáfora para melhor retratar a minha ideia, tudo vai sendo lançado de um carro em andamento. Ora mais melódico, ora mais doce, com rasgos de raiva que nunca nos deixam esquecer para onde estamos a ir. E de que havemos de lá chegar.

O primeiro pico, chega em Last Goodbye. Um testemunho devastador sobre o fim de uma relação. À terceira música estamos rendidos, cansados e derrotados. Mas tudo vale a pena quando acendemos um cigarro e no mistério do seu fumo damos um trago em Lilac Wine. Uma das várias covers que Jeff Buckley rouba e torna suas. Pessoalmente, esta é provavelmente a melhor reconstrução de uma canção por um artista. O ambiente jazz, calmo e sedutor da canção embala-nos, para relembrar que tudo está bem cá no fundo da nossa dor. 

Enquanto a viagem continua, So Real dá-nos a nossa natureza de volta, o instinto animal e a ira. O pecado. E logo de seguida a absolvição, em Halellujah. Uma das faixas mais conhecidas da maior parte do público, seja pela voz de Buckley, Rufus Wainwright ou o original, de Leonar Cohen. Não afirmo que esta seja melhor do que aquela porque aqui, como em mais nenhuma outra, a canção toma o palco principal e quem a canta é um mero espectador do seu poder. Quase divino. 

E no sortudo número 7, somos desarmados. É certo que o amor é o sentimento por excelência, mas nada me podia preparar para que alguém o pudesse pôr por palavras desta forma. "It's never over, my kingdom for a kiss upon her shoulder", assim canta um coração despedaçado. É o clímax em jeito gospel, mesmo que o fim ainda não tenha chegado. Arrisco-me a dizer que Lover, You Should've Come Over é a melhor canção alguma vez criada. Por todo o seu peso, pela construção soul (e alma é a palavra certa), é um portento que nos arranca pedaços a cada vez que toca. E quem canta assim, merece uma estátua. 

A estrada acalma debaixo dos nossos pés, por breves instantes, até nos apercebermos de que podemos não chegar ao fim que tinhamos planeado. A dúvida não é se podemos continuar mas se ainda o queremos, depois de tanta coisa perdida. "What is love? Where is happiness? What is life? Where is peace? When will I find the strenght to bring me release?"

E no final, não há nada mais a perder. E estamos livres. Porque - citando Chuck Palahniuk - It's only after we've lost everything that we're free to do anything.


Perdoem-me as metáforas, os lugares comuns, a lamechice pegada que se torna este texto à primeira vista. Mas os sentimentos são mesmo isso, aquilo pelo qual todos passamos, da mesma forma, com maior ou menor intensidade. A vida, no fundo, é um cliché. 
posted by not_alone @ 9:35 da tarde   1 comments
sexta-feira, janeiro 30, 2009
Slumdog

E é...uma desilusão. Um filme que até promete no início, com muita energia e rasgo, e com um forte sabor da vida e amargura, e porque não dizer, imensa brutalidade, dos bairros emprobrecidos de Mumbai, e onde a vertigem da câmara de Boyle é melhor explorada...mas passado essas tonalidades iniciais, o dispositivo narrativo esgota-se facilmente, os clichés começam a entrar, as personagens tornam-se bonecos estereotipados...e tudo caminha, com alguma emoção à mistura, para um final que não aquece nem arrefece ninguém. Parece que o exotismo das localidades, de um certo soturno submundo, e da própria cultura indiana serve de boa premissa, mas era preciso ir mais além, e fazer com isso e vivendo disso, bom cinema. A "Slumdog" mania é um fenómeno que manifestamente me vai passar ao lado...
posted by The Stranger @ 1:50 da tarde   5 comments
terça-feira, janeiro 27, 2009
Obra-prima?




Ia fazer um comentário ao post do Carlos em relação ao Benjamin Button, mas aconselharam-me a alargar a discussão de uma questão que me parece pertinente.

Apesar de concordar com o Carlos em quase todos os seus argumentos, começo a achar que ultimamente a expressão obra-prima anda a ser lançada para o ar de forma gratuita um pouco por todo o lado. Não só na blogosfera, mas nos jornais, nas revistas, nas próprias conversas de café. A obra-prima, na minha opinião, não nasce, constrói-se, matura com o tempo. Resiste e persiste quando vozes se levantavam em contrário. Obra-prima: penso em Kubrick, penso nos clássicos, penso em peças que, por mais anos que passem, insistem em ter um efeito devastador em nós. Só de referirmos o seu nome.

Infelizmente, ainda não penso em Benjamin Button. Ainda não enraizou em mim tempo suficiente para tal. Fight Club, que o Carlos também referiu levou esse tempo a maturar. Acabei de ve-lo com uma sensação semelhante à da que senti em Benjamin Button, a de que tinha assistido a algo especial, a algo que ía ter uma importância que eu ainda não conseguia compreender. E que ainda não compreendo na totalidade. O seu a seu tempo. A obra-prima instantânea soa-me a algo traiçoeiro, condenado à partida. E não me parece que seja esse o caso.
posted by not_alone @ 4:29 da tarde   9 comments
O Estranho Caso de Benjamin Button

É estranho pensar no caminho de David Fincher, em como o tratamento estético das suas imagens e a sua concisão dramatúrgica foram evoluindo profundamente nos últimos anos. Continuo a amar Fight Club, mas é esta maturação presente, consciente equilíbrio entre clássico e moderno, que julgo tornar Fincher num dos maiores mestres contemporâneos. É demasiado belo, demasiado comovente, e no entanto não existem artifícios para tal; pelo contrário, sente-se um distanciamento cada vez maior que favorece o realismo das ideias, os tempos perfeitos, os enquadramentos certos. Aliás, foi precisamente David Fincher que afirmou só existirem duas formas de filmar um plano, sendo uma delas errada. Que épico é este capaz de nos reunir com o poder redentor do Cinema? É um filme sobre o tempo, já o sabemos, mas também sobre a entrega justa a esse tempo. Filme primitivo nos ensinamentos humanos, radical na construção das suas imagens e da sua história. Ao relembrar-nos o essencial - e são esses filmes que interessam - The Curious Case of Benjamin Button assume-se como uma obra-prima instantânea. E dificilmente haverá par como Pitt e Blanchett este ano, de uma entrega absoluta que transforma o filme de Fincher num fabuloso tratado do cinema-corpo.
.
posted by Carlos Pereira @ 2:30 da tarde   4 comments
segunda-feira, janeiro 26, 2009
Grande Momento | Dogville

Tell her you'll stop if she can hold back her tears.

Vi ontem o segundo filme da trilogia de Lars Von Trier: Manderlay. Conclusão imediata: nem Manderlay é Dogville nem Bryce Dallas Howard é Nicole Kidman. No entanto, soube bem recordar o porquê de ter Dogville como um dos meus filmes de sempre. Deixo-vos com uma montagem das minhas duas cenas preferidas do filme que foram das experiências mais fortes e marcantes que tive numa sala de cinema. É cruel, bruto mas extraordinário.

ps - peço desculpa pelo final do vídeo, mas não encontrei outro melhor.

posted by P.R @ 10:58 da manhã   4 comments
sexta-feira, janeiro 23, 2009
The Killers em Portugal


Depois de Hot Fuss, Sam's Town e Day & Age, os The Killers já começam a mostrar que vieram para ficar. O rock bem disposto que os caracteriza tem ajudado à colecção de fãs que já têm por todo o mundo. Agora, Portugal vai ter finalmente oportunidade de os ver ao vivo.

18 de Julho é a data. SuperBock SuperRock Lisboa é o local. Eu quero ir!
posted by not_alone @ 12:58 da tarde   2 comments
quinta-feira, janeiro 22, 2009
Oscars: nomeados

Eis os nomeados:

Melhor Filme
The Curious Case of Benjamin Button
Frost/Nixon
Milk
The Reader
Slumdog Millionaire

Melhor Realizador
David Fincher, The Curious Case of Benjamin Button
Ron Howard, Frost/Nixon
Gus Van Sant, Milk
Stephen Daldry, The Reader
Danny Boyle, Slumdog Millionaire

Melhor Actor
Richard Jenkins, The Visitor
Sean Penn, Milk
Mickey Rourke, The Wrestler
Brad Pitt, The Curious Case of Benjamin Button
Frank Langella, Frost/Nixon

Melhor Actriz
Kate Winslet, The Reader
Melissa Leo, Frozen River
Angelina Jolie, Changeling
Meryl Streep, Doubt
Anne Hathaway, Rachel Getting Married

Melhor Actor Secundário
Heath Ledger, The Dark Knight
Robert Downey Jr., Tropic Thunder
Philip Seymour Hoffman, Doubt
Josh Brolin, Milk
Michael Shannon, Revolutionary Road

Melhor Actriz Secundária
Taraji P. Henson, The Curious Case of Benjamin Button
Viola Davis, Doubt
Amy Adams, Doubt
Marisa Tomei, The Wrestler
Penelope Cruz, Vicky Cristina Barcelona

Melhor Argumento Original
Courtney Hunt, Frozen River
Mike Leigh, Happy-Go-Lucky
Martin McDonagh, In Bruges
Dustin Lance Black, Milk
Andrew Stanton e Pete Docter, Wall-E

Melhor Argumento Adaptado
Eric Roth, The Curious Case of Benjamin Button
John Patrick Shanley, Doubt
Peter Morgan, Frost/Nixon
David Hare, The Reader
Simon Beaufoy, Slumdog Millionaire

Algumas notas:

- Dark Knight fica, inexplicavelmente, de fora. Para o seu lugar surge The Reader. Não me parece justo, porque foi o fenómeno do ano, nem inteligente, uma vez que se querem aumentar as audiências este era o caminho ideal

- Clint Eastwood não é nomeado nem para realizador nem para actor, o que não deixa de ser estranho já que é adorado pela Academia.

- Kate Winslet é nomeada em actriz principal por The Reader quando todos esperavam que fosse nomeada nesta categoria por Revolutionary Road. Pelos vistos a Academia não foi na cantiga da produtora que a candidatou como secundária.

- Doubt consegue que todo (!) o elenco seja nomeado. Incrível!

- Slumdog Millionaire não consegue nomear o seu elenco. Para os que ligam a estas coisas: nunca um filme vencedor do Oscar a Melhor Filme falhou nas nomeações dos seus actores.

- Woody Allen e a filha de Lumet falham nos argumentos.

- E onde está "The Wrestler" de Springsteen??

Os restantos nomeados podem ser vistos aqui.
posted by P.R @ 3:32 da tarde   4 comments
Já lá vai um ano...


.. Passou depressa.
posted by Ana Silva @ 10:45 da manhã   0 comments
quarta-feira, janeiro 21, 2009
Razzies | Nomeados
Já é tradição. Um dia antes dos nomeados aos Oscares, eis que surgem as nomeações dos Razzies a premiar o que pior se fez durante o ano cinematográfico. E, mais uma vez, não poupam ninguém. Desde The Happening, passando por Annette Bening, Pierce Brosnan e acabando em Ben Kingsley, Indiana Jones e Al Pacino ninguém escapa à fúria dos Razzies.

Eis os nomeados:

PIOR FILME

DISASTER MOVIE & MEET THE SPARTANS
THE HAPPENING
THE HOTTIE AND THE NOTTIE
IN THE NAME OF THE KING: A DUNGEON SIEGE TALE
THE LOVE GURU

PIOR ACTOR

Larry the Cable Guy - WITLESS PROTECTION
Eddie Murphy - MEET DAVE
Mike Myers - THE LOVE GURU
Al Pacino - 88 MINUTES e RIGHTEOUS KILL
Mark Wahlberg - THE HAPPENING e MAX PAYNE

PIOR ACTRIZ

Jessica Alba - THE EYE e THE LOVE GURU
O elenco THE WOMEN - (Annette Bening, Eva Mendes, Debra Messing, Jada Pinkett-Smith
e Meg Ryan)
Cameron Diaz - WHAT HAPPENS IN VEGAS
Wonky's Ugly Ass - THE HOTTIE AND THE NOTTIE
Kate Hudson - FOOLS’ GOLD e MY BEST FRIEND’S GIRL

PIOR ACTOR SECUNDÁRIO


Uwe Boll - UWE BOLL'S POSTAL
Pierce Brosnan - MAMMA MIA!
Ben Kingsley - THE LOVE GURU, WAR, INC. e THE WACKNESS
Burt Reynolds - DEAL and IN THE NAME OF THE KING: A DUNGEON SIEGE TALE
Verne Troyer - THE LOVE GURU e UWE BOLL'S POSTAL

PIOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
Carmen Electra - DISASTER MOVIE e MEET THE SPARTANS
Paris Hilton - REPO: THE GENETIC OPERA
Kim Kardashian - DISASTER MOVIE
Jenny McCarthy - WITLESS PROTECTION
Leelee Sobieski - 88 MINUTES e IN THE NAME OF THE KING

PIOR CASAL NO ECRÃ
Uwe Boll & qualquer actor, camera ou argumento (lool)
Cameron Diaz & Ashton Kutcher - WHAT HAPPENS IN VEGAS
Paris Hilton e Christine Lakin ouJoel David Moore - HOTTIE & THE NOTTIE
Larry the Cable Guy & Jenny McCarthy - WITLESS PROTECTION
Eddie Murphy EM Eddie Murphy - MEET DAVE

PIOR REMAKE OU SEQUELA

THE DAY THE EARTH BLOWED UP REAL GOOD
DISASTER MOVIE & MEET THE SPARTANS
INDIANA JONES & THE KINGDOM OF THE CRYSTAL SKULL
SPEED RACER
STAR WARS: THE CLONE WARS

PIOR DIRECTOR

Uwe Boll - 1968: TUNNEL RATS, IN THE NAME OF THE KING e POSTAL
Jason Friedberg & Aaron Seltzer - DISASTER MOVIE e MEET THE SPARTANS
Tom Putnam - THE HOTTIE AND THE NOTTIE
Marco Schnabel - THE LOVE GURU
M. Night Shyamalan - THE HAPPENING

PIOR ARGUMENTO

DISASTER MOVIE & MEET THE SPARTANS
THE HAPPENING
THE HOTTIE AND THE NOTTIE
IN THE NAME OF THE KING
THE LOVE GURU

PRÉMIO PIOR CARREIRA
(categoria especial)
Uwe Boll

Os vencedores são anunciados na véspera dos Oscars.
posted by P.R @ 4:38 da tarde   1 comments
Previsões

São divulgados amanhã os nomeados para os próximos Oscars.

Eis as minhas previsões para as principais categorias.


MELHOR FILME

Frost/Nixon
Slumdog Millionaire
The Curious Case of Benjamin Button
The Dark KNight
Milk
Alternativa: Wall-e

MELHOR REALIZADOR

Danny Boyle, Slumdog Millionaire
David Fincher, The Curious Case of Benjamin Button
Christopher Nolan, The Dark Knight
Gus Van Sant, Milk
Ron Howard, Frost/Nixon
Alt: Clint Eastwood, Gran Torino

MELHOR ACTOR PRINCIPAL

Mickey Rourke, The Wrestler
Sean Penn, Milk
Frank Langella, Frost/Nixon
Brad Pitt, Benjamin Button
Clint Eastwood, Gran Torino
Alt: Richard Jenkins, The Visitor

MELHOR ACTRIZ

Kate Winslet, Revolutionary Road
Meryl Streep, Doubt
Angelina Jolie, Changeling
Anne Hathaway, Rachel Getting Married
Melissa Leo, Frozen River
Alt: Sally Hawkins, Happy Go Lucky

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO

Heath Ledger, The Dark Knight
Josh Brolin, Milk
Dev Patel, Slumdog Millionaire
Robert Downey, Jr. Tropic Thunder
Philip Seymour Hoffman, Doubt
Alt:Michael Shannon, Revolutionary Road

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA

Kate Winslet, The Reader
Penelope Cruz, Vicky Cristina Barcelona
Viola Davis, Doubt
Amy Adams, Doubt
Marisa Tomei, The Wrestler
Alt:Taraji P. Henson, Benjamin Button

ARGUMENTO ORIGINAL

Andrew Stanton, Wall-E
Dustin Lance Black, Milk
Jenny Lumet – Rachel Getting Married
Joel and Ethan Coen, Burn After Reading
Woody Allen Vicky Cristina Barcelona
Alt: Robert D. Siegel, The Wrestler

ARGUMENTO ADAPTADO

Simon Beaufoy, Slumdog Millionaire
Eric Roth, The Curious Case of Benjamin Button
Peter Morgan, Frost/Nixon
John Patrick Shanley, Doubt
Jonathan Nolan, Christopher Nolan, The Dark Knight
Alt: David Hare, The Reader


Amanhã, por volta das 13:40 locais teremos os nomeados oficiais.
posted by P.R @ 11:09 da manhã   0 comments
segunda-feira, janeiro 19, 2009
"A fuga dos cinemas"

Recentemente, tenho constatado, através das críticas que vão aparecendo na net e em conversas com amigos, que a sala de cinema está a deixar de ser o local privilegiado de visionamento de filmes, para dar lugar aos divx descarregados da net.

Do que me é dado a entender existem 3 razões para tal:
1 – Pouco dinheiro para o elevado preço dos bilhetes
2 – Ansiedade em ver os filmes antes da estreia
3 – Os Filmes não estreiam perto da zona de residência

Se o 3 argumento me parece válido muito por culpa das distribuidoras (não é razoável pedir as pessoas que andem 100 kms para irem ao cinema todos as semanas/meses) os 2 outros pontos parecem-me falsas questões.

Relativamente à componente financeira, é um facto que os bilhetes de cinema estão cada vez mais caros, tal como tudo. Mas também é igualmente verdade que existem serviços, como o Medeia Card que, por 15 euros por mês, permitem que se vá ver até 2 filmes por dia aos cinemas. Ou seja, quem é cinéfilo e gosta de ver vários filmes tem aqui um excelente produto substituto dos downloads. Obviamente que estes serviços privilegiam Lisboa e Porto. É exactamente por isso que considero o 3 argumento pertinente.

Quanto ao 2 ponto percebo a motivação mas questiono: não perderá, determinado filme, impacto ao ser visto no computador quando poderia ser visto na grande tela? Acho que este é a questão central. A qualidade do filme e a qualidade da experiência. Se é verdade que existe na net cópias cada vez mais fidedignas ao original também é indiscutível que a experiência perde muitos por comparação. Terá, por exemplo, mesmo impacto ver o There Will be Blood no cinema ou no computador? Cenas como a explosão do poço de petróleo não perderão impacto? Eu creio que sim. Porque uma imagem nítida não basta, creio. Falta o som, falta o desfrutar dos grandes planos, falta a fotografia, os pormenores… E é por isso que, com o meu cartão Medeia, continuo fã do “cinema no cinema”. Tenha que esperar 1 ou 3 meses.

A “fuga dos cinemas” é, para mim, um fenómeno actual, curioso e preocupante, porque, em última análise, coloca em risco a subsistência da indústria. Mas essa é só a minha opinião. Portanto deixo a questão a debate: costumam fazer download dos filmes em detrimento das idas ao cinema? Ou, como eu, continuam a privilegiar a sala escura?
posted by P.R @ 1:14 da tarde   13 comments
quinta-feira, janeiro 15, 2009
Sugestão musical

E esta einh?!? Afinal o youtube não tem tudo, nem coisa que se pareça... Nem o imeen...

Estou viciado, completamente agarrado ao album do Nico Mulhly, especialmente à peça motherthongue! É brilhante! Música contemporânea sem parecer chata... Ainda assim, vida musicada em texturas, abismos, sonhos...

De qualquer forma, não encontro nada do album mothertongue para poder compartilhar com vocês e estar a falar de uma coisa que não vos posso dar a conhecer parece-me manhoso... Arranjem o álbum, desesperadamente!!! É a mimetização musical do tal caos que às vezes pode ser um quase total! Embora só o tenha ouvido já em 2009, não deixo de o considerar um dos melhores de 2008 :)

Sendo assim, deixa-se uma terapia de substituição, um vídeo que encontrei no youtube e não conhecia. O vídeo é giro, mas a música não chega aos calcanhares do que vos queria mostrar... Pena... :(

posted by Ursdens @ 10:36 da manhã   2 comments
terça-feira, janeiro 13, 2009
Prison Break cancelada

Prison Break, uma das séries mais mediáticas dos últimos anos, foi cancelada pela FOX. Motivo: a fórmula esgotou-se, não havendo já mais histórias por explorar.

Eu nunca acompanhei a série, mas era público o descontentamento dos fãs pelo rumo que esta estava a seguir. No entanto, os fiéis seguidores de Prison Break podem esperar um final digno da série, uma vez que serão ainda emitidos 4 episódios que fecharão todas as pontas ainda soltas.

Recordando que Prison Break foi votada como uma das séries preferida pelos visitantes do Take a Break: o final da série é um alívio ou um pesadelo?
posted by P.R @ 6:44 da tarde   5 comments
Grande Momento | Apocalypse Now
É um clássico, mas penso que não podia faltar a esta coluna do blog. Porque aqui está uma cena fabulosa de construção cinematográfica que, apesar de retratar horrores inacreditáveis, o consegue fazer com um sentido de espectacularidade assustador. Até porque grande parte de Apocalypse Now é sobre isso mesmo: a chegada com pompa e circunstância da cultura do espectáculo ocidental que destrói e contamina tudo à sua volta. É, por isso mesmo, uma das mais perturbadoras sequências alguma vez filmadas, mas ao mesmo tempo torna-se impossível não sentir aquele arrepio na espinha. Para ver com o volume bem alto.

posted by Juom @ 2:14 da tarde   3 comments
domingo, janeiro 11, 2009
Os Favoritos à Estatueta

Milk de Gus Van Sant


The Curious Case of Benjamin Button de David Fincher


Frost/Nixon de Ron Howard


The Dark Knight de Christopher Nolan


Slumdog Millionaire de Danny Boyle

São estes os grandes favoritos a ser nomeados à estatueta dourada chamada de Oscar. E vocês, o que acham da corrida, e do potencial qualitativo da mesma, deste ano?
posted by The Stranger @ 11:23 da manhã   5 comments
quinta-feira, janeiro 08, 2009
Changeling
Se há coisas que o cinema nos tem ensinado ao longo dos anos (e tem-nos ensinado muito) é que os grandes autores, aqueles verdadeiramente bons, apenas se tornam melhores com a idade e, mesmo quando ocasionalmente estreiam algo menos condizente com o seu estatuto, são capazes de logo depois dar a volta e produzir pérolas absolutamente avassaladoras. Clint Eastwood é um caso particularmente interessante, pois apesar de uma carreira já muito longa atrás das câmaras, apenas em finais dos anos 80, início dos 90, começou a ser visto pela generalidade como o grande cineasta que realmente é. Mas mais do que isso é um autor que, de filme para filme, nomeadamente desde Mystic River (com a excepção de Flags of our Fathers, de que não consigo gostar partiuclarmente), tem vindo a manter a barra bem elevada. Aos 78 anos, Eastwood estreia entre nós dois filmes em três meses, e é com bastante satisfação que constato que o primeiro deles, Changeling, irá posicionar-se entre os seus melhores trabalhos e, diria mesmo, trata-se do seu melhor desde o fabuloso Unforgiven, de 1992. E dizer isso, acreditem, é dizer muito.

Changeling começa por se apresentar como “uma história verídica”, e essa mensagem por vezes utilizada com efeitos meramente sentimentais, é absolutamente fundamental para o sucesso do filme, não fosse algum espectador mais impaciente ter dificuldade em aceitar o lado quase surreal desta trama. Em 1928, Christine Collins perdeu o seu filho, aparentemente raptado em casa quando esta se encontrava no trabalho. Cinco meses mais tarde, a polícia informa-a de que encontrou o jovem mas, assim que dá de caras com o rapaz, não reconhece nele o seu filho. A polícia de Los Angeles, a atravessar uma crise de popularidade aos olhos do público, insiste que este é o rapaz desaparecido, mas Christine tudo fará para provar que o miúdo que tem em casa não é o seu filho desaparecido. E porque a realidade pode por vezes ser mais estranha do que a ficção, muita coisa mais há ainda por descobrir neste insólito caso.

Podemos dizer que Changeling se trata de um dos mais sombrios trabalhos do grande Clint, mas ao mesmo tempo dos mais completos que já assinou como realizador. Há drama intenso, e chora-se bastante no filme, mas há também uma vertente de mistério polícial e ainda uma outra de drama de tribunais, e tudo funciona na perfeição, sem nunca se sobrepôr ao que realmente interessa: a vertente humana e a luta interminável de Christine para descobrir o paradeiro do seu filho. É um toque que distingue os grandes cineastas dos realizadores menores, e como Eastwood já nos habituou, cada cena do filme, cada plano, cada opção visual e estética existe porque tem de existir, não havendo um momento dispensável nesta longa e tenebrosa odisseia de 140 minutos. Pelo meio, não só nos toca como um comovente conto de amor de uma mãe por um filho, como ainda reflecte sem pregar sobre outras importantes temáticas morais e sociais – afinal de contas, uma mãe independente a desafiar as autoridades não eram bem vistas naquela época, mas algo disso ainda permanece bem actual.

Para o último parágrafo, tinha de deixar os maiores elogios para essa fabulosa actriz que, quando na disposição certa e com os papéis devidos, nada deve às mais talentosas colegas de trabalho. Falo, claro, de Angelina Jolie, que acerta em cheio cada nota que toca neste verdadeiro turbilhão de emoções. É vê-la ora no máximo de contenção como em rasgos de fúria exaltada, obrigando-nos a sentir bem de perto as emoções por que passa a sua personagem. E Eastwood sabe sempre como e a que distância colocar a câmara para extrair daqueles fabulosos olhos tudo o que precisa. Há outras sólidas interpretações ao longo da película, mas Jolie eleva-se a todos eles e entrega-nos o seu melhor trabalho até à data. Começar 2009 com um filme como Changeling só pode ser um bom prenúncio de coisas boas que se avizinham, mas mesmo que mais nenhum lhe chegue aos calcanhares, já temos uma obra-prima garantida para este ano. Mas Eastwood estará de volta em Março com Gran Torino, e cá estaremos para ver o que ele nos reserva.

posted by Juom @ 6:34 da tarde   8 comments
terça-feira, janeiro 06, 2009
Melbourne's burning?
Há muito que tinha falado aqui nos cut copy, para mim, uma das maiores revelações do ano, com o excelente "In ghost colours".

Se a cena dançante vai continuando a passar por aquilo a que alguns chamam "maximal" e outros "nu rave", entre tantos epítetos viáveis para designar aquilo que, pós-modernamente, já não é epitetável com um qualquer "ismo", resta-nos o conforto de este espírito "nu-rave" quebrar a monotonia de batidas minimais demasiado gastas e enfadonhamente decadentes... E já não é só Paris! Melbourne junta-se claramente às aventuras da cidade das luzes, com um som groovy e bem disposto.

A este propósito, recordo também os Midnight Juggernauts que, lembrando por vezes os Depeche Mode, passam bem a fronteira de um som opressivo, mescla vária do que já não tem estilo, apesar de ainda ser ligeiramente estilizado.

Albúm de estreia e único até à data: Dystopia (2007)

Fiquem com o tema Road To Recovery:

video
posted by Ursdens @ 11:25 da tarde   0 comments
sábado, janeiro 03, 2009
o Herói do ano 2000

Este foi o primeiro filme que vi do senhor woody. Tinha para aí 8 anos e, inclusivé, graveio-o numa cassete de vhs da scotch, marca hoje extinta, penso, tal como as próprias vhs's... Não tenho a cassete, não a encontro..., pena...
Não percebi nada do filme na altura... Mas achei giro... Havia umas bananas gigantes e tal e um indivíduo do qual apenas sobrava um nariz. Tudo doido a tentar preservar atribuladamente o raio do nariz, como que dele se pudesse reconstruir um homem...
Percebi muito bem o filme uns anos mais tarde...
De qualquer forma, estas desconstruções/reconstruções parecem-me, desde há muito tempo, escusadas...
Quem não viu ou não percebeu que veja! Vale a pena, pelo menos uma vez na vida, talvez não mais... Neuroses de agiota..
E bom ano que se inicia! :)
posted by Ursdens @ 9:44 da manhã   4 comments
 

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