sexta-feira, abril 14, 2006
Casanova


Depois de nos brindar com um desempenho único e inesquecível em “O Segredo de Brokeback Mountain”, julgo que será bastante complicado deixar-me tocar com a mesma intensidade por Heath Ledger. Ainda que o seu mais recente filme apele aos corações e ao cavalheirismo de outras épocas, o actor marca a diferença mas não com a mesma determinação.

Casanova é um galã mulherengo de Veneza, famoso por deleitar todas as mulheres da cidade e por satisfazer os seus desejos mais impuros e infames. No entanto, para quem acredita no verdadeiro amor e defende que haverá sempre alguém que nos arrebate verdadeiramente e nos faça amar com profundidade e fidelidade, Casanova é um bom filme.

Casanova pode ser considerado um filme algo superficial, na minha opinião, uma boa escolha para desanuviar dos filmes ditos ‘intelectuais’ ou ‘moralistas’, que não procura ter grandes ambições cinematográficas. Os diálogos tentam somente deixar em nós uma doçura, um requinte que é visível nos gestos, nos olhares, nos cenários. De facto, o cenário que acompanha o filme do primeiro ao último minuto transmite uma espécie de aura positiva. Incute não só um romantismo refinado, mas também a teatralização típica de Veneza: os passeios de gôndola, as ruas íngremes, as máscaras que escondem as faces.

Assim, a sensualidade do protagonista é derramada ao longo do filme, não necessariamente através do seu lado físico, mas das suas peripécias e desafios, dos seus esquemas, da sua lábia de sedutor. Os corpos femininos, junto ao seu, exalam sentimentos ardentes e um desejo desmedido por entre os numerosos tecidos das saias. Ali, todos os detalhes são cuidados, realçando um guarda-roupa e uma caracterização de grande qualidade e pormenor.

Por fim, não posso atribuir ao elenco uma avaliação implacável. Heath Ledger ergue de forma muito bem conseguida a barreira necessária com as outras personagens da sua carreira, Sienna Miller tem um desempenho bastante aceitável, e também Jeremy Irons que, enquanto Bispo Pucci, vê a sua rigidez religiosa um pouco ridicularizada, mas sem nunca perder a sua marca de grande actor.



Classificação:
posted by Ana Silva @ 10:13 da tarde  
1 Comments:
  • At 11:01 da manhã, Blogger H. said…

    Refira-se ainda a sempre encantadora Lena Olin e um surpreendente Oliver Platt, ligeiramente diferente do habitual.

    Casanova é um filme leve, ideal para um tarde sem nada que fazer com vista a passar um bocado agradável e despreocupado.
    Pena que o realizador já tenha roçado a obra-prima (com As Regras da Casa) e a qualidade das seus obras decaia de filme para filme... Mas se esquecermos isso, talvez Casanova não desaponte, apenas entretenha!

     
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