terça-feira, agosto 29, 2006
Muse | Black Holes and Revelations


Comparados por demasiadas vezes aos Radiohead, pelo timbre vocal de Matthew Bellamy em parte, os Muse têm vindo a manter a sua imagem alternativa, não se tornando demasiado comerciais ou demasiado independentes. Contam-nos histórias de desilusões e de mudanças, bem como conflitos interiores que assim são expostos através das fascinantes melodias da banda britânica. E tem vindo a ser sempre assim, ao que Brian Molko dos Placebo chamou a repetida gravação do mesmo álbum apenas com nomes diferentes. Desengane-se esta primeira impressão e olhe-se mais a fundo para a substância residente em todos e em cada álbum da banda.

Testando as reacções dos seus fans, do público em geral e da crítica, como primeiro single de apresentação do novo álbum os Muse escolheram "Supermassive Black Hole". Uma improvável mas altamente viciante dose de adrenalina, onde durante toda a duração se ouvem as guitarradas bem acentuadas de Bellamy, e a sua voz numa esforçada tentativa de recuperação da vibração disco dos anos 70. E a verdade é que, mesmo não sendo de esperar a sua reprodução nas pistas de dança, esta seria a música ideal para tal.

Começam electrónicos com "Take a Bow", um início ameno que faz prever o que de resto se avizinha. Logo de seguida há "Starlight", onde a espantosa letra é combinada com naturalidade e eficiência com o instrumental soft e com alguns toques ainda electrónicos. Após "Supermassive Black Hole", surge "Map of the Problematique", fruto da distorção dos intrumentos de cordas e das suas vibrações numa desenfreada tentativa de se sobreporem aos restantes sons. Mas o melhor vem mesmo na extraordinária trilogia final. "City of Delusion" (uma das melhores faixas do álbum, se não mesmo a melhor), "Hoodoo" (um sussurro que se transforma num instrumental arrepiante) e "Knights of Cydonia" (o encerramento perfeito) completam assim um dos álbuns mais esperados do ano.

Black Holes and Revelations é, por isto e mais mil e um motivos, até ao momento, o melhor álbum de 2006. Não só representa o regresso dos Muse três anos depois da obra prima Absolution, como a evolução da banda desde Showbiz. E se as sonoridades em algo mudaram, a matéria prima continua lá, e a cada novo acorde da guitarra de Bellamy parece personificar-se num novo e essencial elemento que nos leva a crer que esta não irá esgotar tão depressa. Ou seja, estes são os Muse iguais a si mesmos. E dizer isto já não é dizer pouco.

P.S: Não será surpresa para ninguém que o concerto da banda em Portugal inserido na tour deste novo álbum será a 26 de Outubro no Campo Pequeno. Espera-se certamente o melhor espectáculo do ano.

Classificação:
posted by miguel @ 3:07 da manhã  
8 Comments:
  • At 10:26 da manhã, Blogger H. said…

    Gostei do álbum mas prefiro sem dúvida o Absolution! Embora ñ lhe negue a qualidade não creio que seja o melhor do ano, até pq é um album com alguns desquilibrios - ou seja, alguma faixas dispensáveis entre outras francamente boas... (dava-lhe apenas 4 estrelas)
    Ao concerto ñ poderei ir, infelizmente, mas tb ñ creio que supere Bloc Party ou Strokes :P
    Mas estas coisas tb têm mto a ver com os gostos de cada um, claro

     
  • At 2:12 da tarde, Blogger gonn1000 said…

    Acho que o disco é, na melhor das hipóteses, mediano, e nada acrescenta ao que a banda já fez, o que nunca é muito meritório (o primeiro single era só para enganar). A primeira metade dos disco consegue ser boa, a segunda ainda não me convenceu.

     
  • At 3:22 da tarde, Blogger Francisco Mendes said…

    O meu album preferido continua a ser o "Origin of Symmetry" com uma elevada margem. Os restantes pecam (no meu entender, claro) por serem demasiado direccionados para a tentativa de aceitação americana e para fugirem ao epíteto de copy/paste de Radiohead.

    E para o concerto ser o melhor espectáculo do ano, ainda lhes faltam algumas... ferramentas. :)

    Abraço!

     
  • At 7:46 da tarde, Blogger miguel said…

    são opiniões.

     
  • At 8:42 da tarde, Blogger not_alone said…

    Eu acho o álbum pouco coeso. Vê-se que estão a ir noutra direcção, mas ainda não descobriram bem qual. Tem músicas fenomenais, como o 1º single, mas depois parece-me um erro tremendo escolher "Starlight" para 2º single. O que eu penso a ouvir essa música é: Isto são os Keane num dia de inspiração. E atenção, eu adoro os muse, mas confesso que este álbum precisava de mais uns ensaios para ter um objectivo mais definido. Tanto Absolution como Origin of Symmetry, quanto a mim, são superiores. Mas não tiro o mérito a algumas grandes músicas deste cd.

     
  • At 8:45 da tarde, Blogger A Terapeuta said…

    Francisco Mendes, mas que trocadilho! :D
    E como tens razão...

     
  • At 2:02 da manhã, Anonymous HighFive said…

    Boas.

    Seguindo as palavras do final do artigo, na minha opinião foi de facto o concerto do ano.

    5 estrelas a nivel visual, 5 estrelas a nível sonoro (aguardo mais concertos para confirmar a minha teoria de campo pequeno pra melhor casa de concertos nacional), 4 e meia para a playlist e performance.

    Resumindo, aguarda-se um rápido retorno...

     
  • At 1:45 da tarde, Anonymous Catarina said…

    Pessoalmente adoro este álbum (e os outros também) e penso que eles não fogem ao que realmente são. Eles apenas tentam explorar novas experiências. "knights of Cydonia" é um exemplo disso.
    É a melhor banda do momento sem sombra de dúvida!

     
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