sexta-feira, outubro 03, 2008
Grande Momento | The Shining

Kubrick era assim, sempre que se aventurava num género novo, fazia questão de criar obras irrepreensíveis. Esta incursão pelo cinema de terror é mais uma prova da capacidade do realizador. Aqui vemos o garoto de The Shining a explorar no seu triciclo o hotel onde vive sozinho com os pais. Já vi este filme (e esta cena) várias vezes. Ainda hoje fico impaciente com o que pode aparecer no corredor. Para quem as conhece, há também a oportunidade de ver o par de gémeas mais assustador da história.

Durante boa parte do filme aquela sensação latente de que algo de terrível está para acontecer. Um jogo de ilusão e de emoções, que poucas vezes se tem visto ao melhor nível (salvo, apesar de tudo, umas quantas honrosas excepções) em anos mais recentes do cinema de terror. Já alguém o terá dito antes de mim, mas ele merece: Stanley Kubrick sabia o que fazia.

posted by P. @ 1:13 da tarde  
4 Comments:
  • At 5:37 da tarde, Blogger Paulo said…

    É um daqueles casos de encenação perfeita, onde tudo parece milimétricamente no lugar. Kubrick terá sido, sem dúvida, o realizador de cinema que trabalhou mais perto da perfeição.

     
  • At 7:34 da tarde, Blogger Ursdens said…

    Acho que o Kubrick não sabia dirigir actores... "Para mim", mais perto da perfeição, esteve o Bergman... :)

     
  • At 12:28 da manhã, Blogger Paulo said…

    Creio que são duas abordagens ao cinema ao mesmo tempo distintas e semelhantes. Ambos eram capazes, em minha opinião, de representar todo um mundo riquíssimo em pormenores num único plano. Dois mestres por direito próprio.

    Não concordo que Kubrick não soubesse dirigir actores. Acho é que normalmente queria registos semelhantes deles em quase todos os seus filmes. Tinha um estilo muito próprio, por vezes (muitas vezes) pouco naturalista, mas creio que sempre em concordância com os seus filmes. Mas os actores de Bergman também não eram naturalistas, pelo menos para mim não me pareciam. Aqueles longos monólogos com o olhar cravado no infinito são mais representações de estados de espírito do que realismo propriamente dito. Mas, no entanto, também perfeitamente adaptados ao seu estilo - e bolas, ainda bem que te lembraste de Bergman, eu que ultimamente tenho andado a rever aqui em casa excertos de alguns dos seus filmes para deleite próprio e me tenho deliciado com isso.

    Aliás, com este comentário, até me deixaste uma ideia que aqui deixarei em breve ;-)

     
  • At 4:06 da tarde, Blogger Ursdens said…

    Ao ler o teu comentário quase que me apetece dizer um peremptório concordo! :)

    Mas é a tal coisa, gostos pessoais...

    Quando penso na perfeição, penso em Bergman por uma razão muito simples: Nunca vi ninguém a trabalhar tanto na mise en scène como ele..., o plano até podia durar dez minutos que nunca desequilibrava... O Bergman era uma espécie de compositor pictórico, sei lá..., era um génio, acho que é mais fácil a síntese para o descrever.

    Quanto à questão dos actores, concordo contigo em relação ao Kubrick e acho que a tua opinião em relação aos actores do Bergman se deve à língua... É que, em sueco, tudo parece diferente...

    Em relação aos monólogos, acho que aí já não vemos cinema, mas quase teatro... Aquele monólogo do Saraband, por exemplo, em que a Liv Ullmann olha para a câmara no ínicio do filme, para mim não é cinema, é mais uma forma de dizer "distanciem-se"...

    Enfim, é sempre bom trocar estas opiniões! Dá-lhe aí na tua ideia! :)

     
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