sexta-feira, junho 30, 2006
Top | 1º Semestre 2006
Uma vez que chegámos ao fim do primeiro semestre de 2006, o Take a Break, numa pequena votação, fez um pequeno top dos melhores filmes por cá estreado. Curiosamente, acabou por ganhar um filme que não é o preferido de nenhum dos membros, apenas é o mais consensual.

Assim, deixo-vos com o nosso top 5:

1 | The Proposition



2 | History of Violence e Match Point



3 | Munich e Brokeback Mountain



4 | Primer e New World



5 | Breakfast on Pluto



Estes são, para nós, os melhores filmes até ao momento. E para vocês, qual foi o melhor filme estreado em Portugal neste primeiro semestre?
posted by P.R @ 8:00 da tarde   17 comments
quinta-feira, junho 29, 2006
Seu Jorge | The Life Aquatic Studio Sessions


Não vi o Life Aquatic of Steve Zissou de Wes Anderson, não conhecia Seu Jorge, mas este álbum é espantoso.

Depois de ouvir este CD, a minha curiosidade para ver o filme aumentou uma vez que emerge em mim a necessidade de constatar como é que Anderson criou uma simbiose entre as cenas e estas músicas. Sendo, quase na sua totalidade, covers de músicas conhecidas, Seu Jorge canta em português letras de David Bowie e, sendo apenas acompanhado pela sua guitarra, consegue surpreender. Surpreende pelas letras, pela composição das músicas e pela sua voz rouca, quente e próxima de quem a ouve. Na verdade, o cantor consegue aproximar-se dos ouvintes (talvez por ser um álbum acústico) criando um ambiente acolhedor e especial onde é impossível ficar indiferente. Músicas como Rebel Rebel, Life on Mars?, Team Zissou e Starman emanam uma tranquilidade e uma simplicidade que elevam este CD a um patamar elevado. Em Rock N' Roll Suicide, o cantor excede-se mais uma vez, cantando com uma alma e uma garra singulares e tornando esta faixa uma das melhores do álbum.

Quando confrontado com a magia deste CD, David Bowie apenas disse: "Se Seu Jorge não tivesse gravado as minhas canções nestas versões em português, eu nunca me teria apercebido do novo grau de beleza que ele lhes imprimiu.” De facto, se as letras de Bowie são especiais, Seu Jorge reveste-as de uma beleza imensurável que têm na sua guitarra o acompanhamento ideal.

No fim, e ouvido este CD vezes contas, fica impregnado no ar as reminiscências de uma aventura especial com Seu Jorge. Uma aventura que tem como protagonistas principais o cantor, o ouvinte, uma guitarra e muito, muito talento.

Classificação:
posted by P.R @ 1:11 da tarde   7 comments
quarta-feira, junho 28, 2006
Top vendas nacionais
Esta semana tive de pôr o top 10 dos discos mais vendidos em Portugal, para mostrar a tristeza de país que nós temos... Não se safa nada...


01. Floribella, Flor
02. Original, D'ZRT
03. Eu Aqui, FF
04. Under The Iron Sea, Keane
05. Oral Fixation Vol. 2, Shakira
06. Un Monde Parfait, Ilona
07. Ao Vivo no Coliseu, Tony Carreira
08. Paulo Gonzo, Paulo Gonzo
09. In The Flesh - Special Edition, Roger Waters
10. Bande A Part - Limited Edition, Nouvelle Vague
posted by not_alone @ 12:53 da tarde   9 comments
terça-feira, junho 27, 2006
Mesa ao vivo

Os Mesa, uma das minhas bandas nacionais favoritas vão dar um concerto ao vivo em Vila Franca de Xira (a "minha" cidade), na próxima Sexta-Feira, dia 30 de Junho, pelas 22:30. O concerto insere-se nas festas da cidade (Colete Encarnado) e tem entrada livre.
Aos que moram perto não posso deixar de recomendar. Nunca vi Mesa ao vivo, mas conheço bem os seus trabalhos discográficos (“Mesa” e “Vitamina”), que muito admiro. Pop de qualidade, letras fantásticas (e em português) e muito estilo são os ingredientes base deste grupo.
Bem sei que Vila Franca de Xira não é propriamente Lisboa, mas se os nossos leitores forem do concelho, vale a pena dar um saltinho até lá para ver esta fantástica banda.

A agenda de concertos completa dos Mesa pode ser consultada [aqui].
posted by H. @ 9:47 da tarde   5 comments
Concertos Beer Deck
Decorrerão durante todas as Quartas-Feiras dos meses de Julho e Agosto concertos de entrada livre no Beer Deck, que se situa no 3º piso do centro Vasco da Gama, na Expo. Todos os concertos se realizam às 22h.
O programa é o seguinte:

05 de Julho - Toranja
12 de Julho - Dead Combo
19 de Julho - Quarteto de Maria Hugon
26 de Julho - Communion Quintet

02 de Agosto - Loopless
09 de Agosto - Tito Paris
16 de Agosto - Akiko Pavolka
23 de Agosto - Trio de Filipe Melo
30 de Agosto - Rocky Marsiano
posted by H. @ 9:34 da tarde   0 comments
Obra-prima


Este filme não me sai da cabeça. É fabuloso!

posted by P.R @ 12:03 da tarde   5 comments
domingo, junho 25, 2006
The Descent


Em primeiro lugar tenho que dizer que o género de terror não se encontra dentro daqueles que eu mais aprecie e goste de ver. Não que seja um registo menor, eu é que me assusto facilmente e não gosto muito da sensação. Escrito este prólogo já devem estar a imaginar o suplício para mim que foi acabar de ver este filme.

The Descent, de Neil Marshall, é a história de seis raparigas que, na tentativa de se distraírem um pouco após o drama pessoal de uma delas, decidem fazer uma expedição a umas grutas. Depois de ficarem presas na encruzilhada de caminhos labirínticos, as seis amigas têm que iniciar uma pequena viagem para encontrarem o caminho da saída. E é nessa viagem que a "aventura" começa.

Apesar dos primeiros minutos de filme serem emocionantes, a verdade é que o filme entra depois num ritmo pausado até um determinado ponto. No entanto, é exactamente este excerto que considero o mais importante e o desencadeador da magnificência do filme. Durante esses minutos o realizador apresenta-nos de forma distinta cada uma das seis personagens que, sem cair em estereótipos fáceis, nos permitirão distingui-las perfeitamente. As seis amigas destacam-se pela sua singularidade, pelas suas motivações e medos e não pela sua aparência física. Como resultado, temos um filme de terror com uma complexidade humana singular e com uma construção narrativa absolutamente fascinante.

Depois deste momento, o responsável pelo filme revela-nos o porquê de ser considerado um filme de terror. Esperem momentos angustiantes, saltos das cadeiras e esperem gritar a pulmões abertos (aconteceu comigo, confesso). O filme tem cenas que assustarão até aqueles que se gabam de não reagirem minimamente aos filmes do género, e este facto deve-se a Neil Marshall que assina um argumento poderoso mas que, acima de tudo, têm uma realização espantosa. De facto, através de planos e enquadramentos sufocantes, o espectador sente-se parte daquele grupo de amigas, sente-se o medo, a claustrofobia, a falta de ar, a dor...

Ajudado pelos desempenhos de grande qualidade de todas as actrizes, Marshall apresenta-nos uma obra perturbadora, fascinante e assustadora. Sendo um objecto frio na forma como nos revela a acção, não esperem momentos de humor, ou cenas com alguma descontracção. O filme é duro, é pesado e estão presentes em todas as situações um desconforto e um constrangimento que nos agarram e nos levam nesta aventura perigosa mas fascinante.

Classificação:
posted by P.R @ 3:00 da tarde   11 comments
sábado, junho 24, 2006
Compacto 24 na 2:

Como já começa a ser habitual, a 2: reserva mais um fim de semana da sua programação à já mítica série 24. Começando já hoje e prolongando-se pelo Domingo, os fãs da série poderão assistir à quarta temporada que, como já devem saber, tem a particularidade de cada episódio ser em tempo real e de todos os acontecimentos decorrerem num só dia. Desta vez, a Unidade Contra o Terrrismo tem como chefe a inflexível Erin Driscoll que anseia despedir, logo no seu primeiro dia de trabalho, Jack Bauer.

Poderão ver a série nos seguintes horários:

- Sábado 22h30/02H30 - primeiro bloco
- Domingo 12h00/22h00 - segundo bloco
22h30/00h30 - terceiro bloco

posted by P.R @ 12:34 da tarde   18 comments
Josh Rouse | Aula Magna | 23-06-2006

But, for now, I want to say in this quiet town…

No âmbito da apresentação das bandas finalistas da TMN Garage Sessions, Josh Rouse deu ontem na Aula Magna um concerto muito agradável, como só podem dar estas vozes calmas, doces, que nos levam para um cenário de quotidiana maravilha.
Os quatro finalistas apresentaram cada um três dos seus temas numa Aula Magna com bastantes lugares livres. Mas quando se aproximavam as 22:15, o anfiteatro encheu-se (embora não completamente) para ouvir Josh Rouse, que, sendo apenas o convidado do evento, deu um concerto de mais de uma hora, voltando para três encores numa plateia que rejubilava com a sua música.


Iniciou com o single de «Subtítulo» (o seu último trabalho), “Quiet Town” e prosseguiu intercalando temas dos discos anteriores com canções deste último. Por vezes acompanhado de um quarteto de cordas, por vezes apenas ele e a sua guitarra, Josh cantou temas já celebres como por exemplo “1972”, “Comeback”, a bela “Streetlights”, a intimista “Under Your Charms”, a muito colectiva “Love Vibration” e terminou com a minha favorita pessoal “Sad Eyes”, do álbum anterior «Nashville».
Ora escutando em silêncio maravilhado, ora acompanhando com palmas e muitas vezes com as letras, o público português provou uma vez mais que gosta de Josh Rouse.

Já tendo estado algumas vezes em Portugal, Josh Rouse, é um cantor americano conhecido por discos como “1972” ou “Nashville”, entre outros. A sua música folk-pop-soft rock, como costuma ser definida, é daquele tipo de música que eu creio ser impossível não gostar. Deixa-nos estranhamente tranquilos, estranhamente bem.
Simpático e comunicativo, Josh Rouse não deixou de mostrar ontem a sua ‘boa onda’ em pequenos pormenores, como o facto de os exemplares de «Subtítulo» à venda à saída do concerto estarem assinados por ele.
E ainda consegui um adeus dele à saída… Que bela maneira de iniciar as férias!

[A imagem do cartaz do evento foi retirada do site www.lxjovem.pt; as fotos do concerto foram tiradas por mim]

posted by H. @ 11:50 da manhã   1 comments
sexta-feira, junho 23, 2006
Vídeo da Semana | The Kelly Family | An alien



Há alguns dias surgiu em conversa a "pancada" que tive por estes nove irmãos. Nunca tive tanta paixão por uma família como por esta. Pela simplicidade, pelo som, pela diversidade... A marca permanece desde a adolescência, ainda que de forma diferente. Por isso, deixo aqui o meu vídeo da semana em jeito de homenagem, em recordação dos tempos que passaram, e pensando nos que hão-de vir :)
posted by Ana Silva @ 7:57 da tarde   12 comments
quarta-feira, junho 21, 2006
Nelly Furtado | Loose

Quando ela dizia But now I’m just too mainstream for you, oh no! em “On the Radio” do primeiro álbum, apetecia responder: ainda não, mas vê lá não te corrompas! Neste «Loose», seu terceiro trabalho, Nelly Furtado demonstra como se tornou definitivamente demasiado mainstreem, pelo menos para mim.

Cantora de sonho e de vocação, esta canadiana de ascendência portuguesa edita em 2000 «Whoa, Nelly!», disco solar e ainda um pouco verde, mas que entrevia uma artista versátil, capaz de misturar estilos e emergir como algo verdadeiramente original. Mas ser menina de MTV tem o seu preço e esse experimentalismo irresistível de canções como “I Will Make You Cry” ou “Party” não evoluíram para um som ainda mais próprio mas para uma progressiva aproximação a um estilo mais comercial. Esta mescla tão própria entre sonoridades distintas que a tornava única de entre tantas vozes femininas perdeu-se. É verdade que a escolha dos seus singles nunca foi muito acertada. “I’m Like a Bird” é provavelmente a pior canção do seu primeiro trabalho e de certa forma desviou as atenções de “On The Radio” e “Turn Off The Light”, “Folklore”, tema homónimo do segundo disco era promissor mas logo se seguiu o inenarrável “Força”.

Com «Loose», Nelly Furtado aproxima-se mais do hip-hop, nomeadamente ao trabalhar com Timbaland (oiça-se a vulgar “Promiscuous”), colaborador de Missy Elliott (com quem Nelly já grava uma interessante versão de “Get Ur Freak On”), e da música electrónica, não olvidando baladas que deixam muito a desejar. O resultado é o seu disco mais fraco, uma completa anulação da singularidade de Nelly Furtado em prol de música “que vende”, temas dançáveis que não são péssimos mas são claramente mais do mesmo. A colaboração com Juanes, que legara o melancólico “Fotografia” é aqui seguida pelo foleiro “Te Busque” e a língua portuguesa que ela homenageara de forma intermitente nos anteriores trabalhos é aqui secundarizada face ao castelhano.
Resultado: um disco banal, que desaponta sobretudo quem acreditou que Nelly Furtado podia ter cultivado orgulhosamente a sua diferença ao invés de se vergar sobre as imposições estilísticas da música comercial.

A minha sugestão: redescobrir «Whoa, Nelly!», esse auspicioso início, perdermo-nos na multiplicidade de sons e esquecer o sentido (ou falta dele) que tem hoje o nome Nelly Furtado.

posted by H. @ 3:24 da tarde   11 comments
domingo, junho 18, 2006
Cat Power | The Greatest

Para quem não conhece Cat Power (como eu não conhecia) o seu timbre vocal e a sua música podem fazer-nos recordar nomes como Fiona Apple, Lisa Germano ou Kate Walsh. O panorama alternativo está pejado destas singers/songwriters, sendo que muitas vezes se assemelham umas às outras, destacando-se apenas os pequenos génios carismáticos.
Cat Power, nome artístico de Charlyn Marshall, tem algo na sua voz que nos transporta para uma América perdida no tempo, para um desses bares de província onde uma mulher solitária canta ao piano ou de guitarra na mão (oiça-se em caso de dúvida “Living In Bars” ou “Empty Shell”). O seu som oscila entre folk, country, blues ou pop, e esta conjugação de sonoridades torna o seu som atraente e extremamente agradável.

«The Greatest» (que creio ser o oitavo álbum de Cat Power), de onde emerge uma doce melancolia, é uma proposta interessante – embora não arrebatadora – para os amantes deste tipo de música. A sua voz arrasta-se ao piano, contando histórias que se sentem de uma forma que eu definiria, de modo poeticamente despropositado, como um misto de murros dourados e lágrimas de álcool…

A primeira faixa, de título igual ao álbum, é disso um exemplo paradigmático (Once I wanted to be the greatest / No wind or waterfall could stop me / And then came the rush of the flood / The stars at night turned you to dust). A minha favorita é contudo a minimalista “Hate”, onde a voz dela nos leva a um abismo depressivo onde o vácuo de ânimo não dispensa umas réstias de sensualidade.
Apesar de tudo, as canções seguem todas uma linha muito similar, o que fará provavelmente com que quem não goste de uma, não goste do conjunto.

Durante os pouco mais de 40 minutos do disco sentimo-nos a flutuar nesse espaço de vida que oscila entre a tristeza inspiradora de uma tarde de chuva e uma viagem de fuga sem ter fim.
Fica aqui a sugestão…

posted by H. @ 9:47 da manhã   2 comments
sábado, junho 17, 2006
Guilty pleasure do momento...

Christina Aguilera - Ain't no other man



Sim, a menina da pop, a do génio na garrafa, a dirrty, a diva tamanho polly pocket... Aquela que rivaliza com a Britney, que adora mascarar-se de pêga do Moulin Rouge e que dá beijos na boca à Madonna.

A verdade é que Christina Aguilera podia lançar um álbum todos os anos, podia ter alguém que compusesse por ela e que lhe fizesse uns efeitos na remasterização para melhorar a voz. Podia, mas não o faz. Primeiro porque não precisa, e segundo, porque faz parte da sua imagem pública ser controversa. Em termos musicais faz música assumidamente pop. Assumidamente para as pitas e os meninos excitados. Para os velhos rebarbados e para chocar as mamãs conservadoras. Tal como Madonna, não pretende fazer música para ficar na história, mas para se divertir enquanto pode. E, todos sabemos, qualquer uma delas, pode.

Mas, quando todos esperavam da menina mais uma colaboração com Redman, mais um Lady Marmalade, o caminho óbvio do hip-hop e do r'n'b, Christina diz que não e vira-se para o jazz, o soul e o blues dos anos 20, 30 e 40, dando-lhes um toque de modernindade.

Ás vezes sabe bem ouvir música só para nos divertirmos. Ain't no other man é um belo exemplo disso. Ouçam, e não tenham vergonha de gostar.
posted by not_alone @ 5:14 da tarde   6 comments
Ausência
Por muito tempo achei que ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade


Aos colegas e leitores, desculpem a minha ausência. O poema é de facto muito bonito, mas eu estou para ficar :)

posted by Ana Silva @ 4:19 da tarde   4 comments
sexta-feira, junho 16, 2006
Vídeo da Semana | Gato Fedorento | Rap dos Matarruanos



Porque nem só de obras-primas vive a Arte, e porque o humor é dos registos mais díficeis de conseguir, esta semana escolhi um vídeo diferente do que foi destacado até aqui. Não temos um excelente vídeo, muito menos uma letra genial ou uma melodia fascinante, temos assim um grupo de comediantes que trouxe uma lufada de ar fresco ao panorama televisivo português. Assim, a escolha desta semana não é um elogio à Arte nos seus postulados habituais, mas sim uma ode à comédia e aqueles que a fazem bem. Sim, porque rir continua a ser preciso.

Próximo destaque: Ana Silva

posted by P.R @ 10:42 da manhã   23 comments
quarta-feira, junho 14, 2006
Old Jerusalem | Twice The Humbling Sun

Quando eu os descobri, já iam no segundo álbum, o aclamado «Twice The Humbling Sun» que eu aqui, humildemente, vos exorto a ouvir. Sem uma gota de exagero, foi dos melhores cds editados em Portugal que eu tive o privilégio de ouvir nas minhas curtas duas décadas de vida.
Os Old Jerusalem, que já haviam editado «April» em 2003, cantam em inglês, como a grande maioria das melhores novas bandas nacionais. Revisitam territórios folk e country, conjugando sons harmoniosos com uma voz simples e melodiosa, que entoa letras poéticas que se nos entranham na alma e no corpo. O seu singer/songwiter, Francisco Silva, dá mostras de uma competência admirável e rara.

Se a esta altura acham que estou a delirar, trago em minha defesa o argumento de que suplemento «Y» considerou este «Twice The Humbling Sun» como o melhor álbum português de 2005. Façam uma busca pela net e leiam críticas tão ou mais extasiadas que estas minhas pobres palavras.
É-me difícil escrever sobre este álbum, que considero genial na sua simplicidade, perfeito na sua execução. A minha favorita é “Earlier The Lake Today”, mas este é um daqueles cds que todo o conjunto é equilibrado e de grande qualidade.
Mas este meu projecto de análise podia apenas ter uma palavra escrita: oiçam!

P.S. Os Old Jerusalem tocam na Culturgest dia 7 de Julho. Eu infelizmente não posso ir. Mas, mais uma vez, faço o apelo, vão! Não conhecer a sua música deixa-nos a todos mais pobres.

posted by H. @ 7:42 da tarde   1 comments
terça-feira, junho 13, 2006
Thom Yorke | The Eraser


Thom Yorke é, como já todos devem saber, o vocalista dos Radiohead. Uma das mais influentes e inovadoras bandas contemporâneas. O contributo que esta banda deu para a música é indiscutivelmente importante, não só no pop/rock como no universo alternativo, aonde agora se enquadram mais.

The Eraser está algures no limbo entre um universo e o outro. Não é The Bends, mas também não é Kid A. É definitivamente Thom Yorke, mas isso não deixa de ser sinónimo de Radiohead. O ambiente android de OK Computer está lá, mas este registo é um regresso às canções no seu sentido mais convencional, que há muito os Radiohead deixaram para trás. A canção que dá título ao álbum tem, claramente, aura de single. Uma música com uma melodia simples, cativante e que não foge muito do que a banda do cantor nos tem habituado. Como aliás o resto do álbum. Ficamos sempre à espera do momento em que Thom Yorke vai virar totalmente o volante e guiar-nos por outros caminhos. Mais seus, mais álem. A verdade é que os seus caminhos são estes. Os dos Radiohead.

O génio que vive em si parece querer embalar, em vez de agitar, e nunca nos sentimos arrebatados por The Eraser. Deixamo-nos levar pelo seu encanto, pela delicadeza da voz de Thom Yorke, mas nunca partimos para vôos mais altos. Permanecem as comparações com a banda a que dá voz e questiona-se a necessidade de um álbum a solo.

Ainda assim, nada que saia da mente de Thom Yorke consegue ser mau. Este álbum continua a ser uma óptima alternativa à grande maioria de álbuns à venda. Fica a sensação de que podia ser uma obra mais arrojada, de que é uma oportunidade perdida para desbravar novos trilhos, mas é o suficiente para aguçar o apetite enquanto não chega o novo dos Radiohead.



posted by not_alone @ 8:10 da tarde   8 comments
Aniversário
Hoje é um dia muito importante. Há exactamente 118 anos nascia no Largo de S. Carlos em Lisboa um homem a quem foi dado o nome de Fernando Pessoa.

Pessoa é, na minha opinião, senão o melhor, um dos grandes poetas da História de Portugal. Dono de uma obra de uma qualidade imensurável, Pessoa sempre habitou o meu imaginário, quer pela sua figura desconhecida quer pela sua esquizofrenia que originou os seus famosos heterónimos. Dono de uma inteligência e sensibilidade superiores à sua condição humana, Pessoa superou-se a si mesmo dando a literatura portuguesa um dos seus mais geniais autores.

Assim sendo, e numa insignificante homenagem tendo em conta a grandeza deste "Poeta Fingidor, transcrevo em baixo um dos seus poemas que mais aprecio, e que penso que faz todo o sentido para a da data em questão. O poema chama-se Aniversário.



No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

Álvaro de Campos

posted by P.R @ 1:38 da tarde   6 comments
domingo, junho 11, 2006
Super Bock Super Rock | Act 2 | 1º Dia

O dia do Festival Super Bock Super Rock dedicado ao rock alternativo não podia ter começado de melhor maneira. Editors, a banda que no ano passado nos ofereceu o brilhante «The Back Room», foram os primeiros a começar, pelas 18:30. O quarteto britânico demonstra estar um pouco verde no que toca a actuações ao vivo. O público era ainda reduzido mas os Editors conseguiram captar a atenção, nomeadamente nos seus admiradores, grupo no qual me incluo. “Munich” e “Bullets”, os singles até agora editados do álbum tiveram uma melhor resposta, com muitas pessoas a cantarem em conjunto com os músicos, facto de que os Editors se disseram surpreendidos pela positiva. Uma cover de “Road to Nowhere” dos Talking Heads conseguiu juntar toda a assistência em coro e foi um dos momentos altos da performance dos Editors. Foi um primeiro espectáculo da banda em Portugal bastante promissor.


The Weatherman, ou traduzindo por nomes, Alexandre Monteiro, seguiu-se no palco dos portugueses. Pelo que sei, é um nome promissor da pop alternativa nacional, mas como não conhecia a sua música, este concerto teve sobretudo um objectivo divulgador para mim. As sonoridades pareceram-me agradáveis mas creio necessitar de uma audição do disco para formar uma opinião mais concreta.

Os belgas dEUS, já conhecidos das terras lusas há muitos anos, vieram apresentar o seu último trabalho «Pocket Revolution» mas não esqueceram canções de outros álbuns. Conheço apenas medianamente a banda de Tom Barman mas o seu concerto foi o segundo melhor do palco principal dia 7. O seu estilo, o seu som e a sua presença irradiavam uma segurança que ainda falta aos Editors. Houve vários momentos altos, de destacar “Instant Street” e “What We Talk About (When We Talk About Love)” entre muitas mais.


A banda que se seguiu no palco dos portugueses era-me totalmente desconhecida: os Peace Revolution, que confesso não ter ouvido com a devida atenção, lembraram-me a espaços os Blasted Mechanism, mas terei de voltar a ouvir em cd para formar uma opinião melhor definida.

Seguiram-se os The Cult, a mais antiga banda do cartaz. As pessoas que conheceram os seus tempos áureos mostraram-se deveras satisfeitas. The Cult tocam um rock mais clássico, lembrando outros grupos de décadas anteriores. Mas apesar da idade que já se nota, não deixaram de dar um concerto enérgico e poderoso, conseguindo uma grande adesão da plateia quando tocaram êxitos seus como “Rain”, “Revolution” ou o seu primeiro sucesso “She Sells Sanctuary”. O concerto de The Cult teve uma das durações mais longas do dia.

Os portugueses Linda Martini causaram sensação nos últimos tempos mas o seu rock experimental nem sempre conseguiu captar a atenção que merecia. “Este Mar” ou “Lição de Voo Nº 1”, trazem à mente a poesia violenta dos Ornatos Violeta, até a voz do vocalista lembra a espaços Manel Cruz. Mas a sua música, que superlativa o som à voz, passou mais despercebida do que seria de esperar, talvez fruto do facto de a banda a seguir reunir uma assistência um pouco diferente.

Num horário de destaque tocaram os Keane, que estavam um pouco fora do seu ambiente natural. Eu gostei do início da carreira dos Keane, da sua sonoridade sem medo de ser intimista, com canções como as celebérrimas “Everybody’s Changing” e “We Might As Well Be Strangers”. Mas eu gostava exactamente por serem assim, intimistas, bons para tocar em salas pequenas e não num festival de rock. Já não bastava o vocalista dos Keane ter um timbre que lembra imediatamente o interessante Rufus Wainright mas quando começaram a mostrar uma irritante tendência para serem os novos Coldplay o meu gosto foi desaparecendo. O seu concerto foi mesmo chato a espaços, tirando quando tocaram os seus êxitos de inicio (as músicas já citadas e “Somewhere Only We Know” e “This Is The Last Time”). Grupos de adolescentes e raparigas mais velhas entoavam maravilhadas a maioria das letras, mas os próprios Keane nem sempre se souberam servir disso, privilegiando músicas do novo álbum que ninguém conhecia. Numa hora tão de destaque, preferia estar a ver dEUS em horário nobre!

Antes do concerto do dia, aquele que é provavelmente o mais interessante artista português da nova geração brindou-nos com meia hora do que de melhor se faz no panorama alternativo nacional. Paulo Furtado dos Wraygunn, aqui como The Legendary Tiger Man, marcou com a sua carismática presença o palco quinta dos portugueses e fez-me desejar ver um concerto só dele. Imaginem muito (e bom) blues com uns toques de rock, pop, electrónica… E um homem com uma presença em palco que eu só consigo definir como apaixonante (com a miríade de sentido físicos e espirituais que o adjectivo comporta). Este Tiger Man é um verdadeiro one man band, e além de irradiar estilo, adjuvou-se de um ecran onde passavam pequenas curtas onde se recupera uma atmosfera 70’s com um toque erótico-fetichista. Destacaram-se as duas últimas, “Naked Blues” e “Honey, You're Too Much”, e lamenta-se que devido aos atrasos o tenham feito terminar antes do previsto.


Por fim, a fechar a noite com chave de ouro, a banda mais cool do momento, Franz Ferdinand cujo concerto foi um verdadeiro dart of pleasure. Os escoceses são fabulosos em palco! Tal como o previsto, foi o concerto com mais gente a assistir e sem dúvida o melhor desse dia. A sua música presta-se bastante a interpretações ao vivo, basta ouvir qualquer um dos seus dois álbuns para se ficar contagiado com o som. “Do You Want To” ou “Take Me Out” foram feitas para ser comungadas com multidões e o mar de pessoas que encheu o Parque Tejo fez-lhes jus. Para mencionar todas as músicas, não sairia daqui, mas até quando tocaram canções inéditas, os Franz Ferdinand gozaram de uma total empatia com o público que se deixou invadir pela música e delirou. Terminaram com cerca de 20.000 pessoas a cantarem com eles “This fire is out of control, we're gonna burn this city, burn this city!”. Estiveram à altura das expectativas e só posso esperar que cá voltem em breve.

De lamentar, sobretudo duas coisas: a distribuição horária das bandas do palco principal e que os Placebo não tocassem neste dia!

posted by H. @ 12:20 da manhã   9 comments
sábado, junho 10, 2006
Concertos no Casino Estoril
Como já vem sendo hábito nos últimos anos, o Casino Estoril organiza uma série de concertos de alguns dos mais célebres nomes da música nacional.
Os eventos decorrerão de Junho a Outubro, sempre às Quintas-Feiras, às 23:30h. A entrada é livre e reservada a maiores de 18 anos.

Eu recomendo, qual fã assumidíssima, o do David Fonseca já no dia 29 deste mês, o desse grande senhor que é Jorge Palma dia 31 de Agosto e também o dos Gift, dia 28 de Setembro, que digam lá o que disserem, é uma das melhores bandas alternativas nacionais.
Há dois anos fui ver o David Fonseca é foi um concerto muito especial, onde o David tocou músicas do (na altura único) álbum a solo, revisitou 'clássicos' dos Silence 4 e até fez umas variações interessantes de músicas tão célebres como "Come As You Are" e "The Sound Of Music".
A não perder!

posted by H. @ 9:01 da tarde   11 comments
Vídeo da Semana | Massive Attack | Teardrop

Feathers on my breath...

Envolvido numa estranha e doentia aparência, este videoclip de uma das fascinantes composições dos Massive Attack, que curiosamente serve de tema principal à série House, serve-se de um processo meramente descritivo do ambiente em volta do pequeno feto apresentado para utilizar o elemento-chave sonoro. E o resultado não poderia ser melhor.

posted by miguel @ 12:54 da manhã   6 comments
terça-feira, junho 06, 2006
PJ Harvey | Stories from the City, Stories from the Sea


Um dos nomes mais influentes do panorama rock alternativo da última década, PJ Harvey, apresenta-nos em Stories from the City, Stories from the Sea um dos mais inspirados álbuns dos últimos anos. Tendo-se deslocado até Nova Iorque e lá ter ficado hospedada para escrever e compor este seu álbum, como que a querer descobrir um novo lugar físico e assim receber inspiração divina, o resultado é um trabalho irrepreensível e exemplar do inesgotável carisma da intérprete.

Tal como a descoberta de um novo espaço no mundo que PJ Harvey experimentou, também no seu álbum é uma constante a exploração de novas e interessantíssimas sonoridades, criadas pelo sempre cativante som da sua guitarra e a sua inesgotável voz. Enquanto vai apalpando terreno novo, Harvey vai simultaneamente apresentando novas experiências não só de vida como também musicais, recorrendo a várias influências. E a verdade é que, a espaços, a cantora consegue reinventar-se. E por vezes acordes provenientes da tal inspiração quase divina fazem-na criar melodias tão ou mais inovadoras como há dez anos atrás.

Começa com "Big Exit" a sua incessante viagem, e a verdade é que não poderia ser uma melhor introdução para o álbum. Passando mais tarde por "Good Fortune", "A Place Called Home" e "You Said Something", com paragem em "Beautiful Feeling", PJ termina com "We Float", mais um exemplo da sua genialidade enquanto artista musical, mas acima de tudo enquanto modelo do rock alternativo moderno.

A PJ que proclama "in Chinatown" ou "in Manhattan" é a mesma que suga da cidade mais industrializada do mundo notas miraculosamente simbióticas, e consegue ainda fazer passar a mensagem da importância de tal viagem para a sua identidade - a cantora parece ter-se conseguido reencontrar novamente consigo própria. Lá se dizia que por vezes temos de percorrer o mundo para nos reencontrarmos connosco mesmos. E quando se expressa tal coisa em melodias tão cheias de vida, é no mínimo de louvar.

Classificação:
posted by miguel @ 4:08 da tarde   5 comments
 

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