domingo, julho 09, 2006
José Barros | Mar Eterno


A música popular portuguesa está em total decadência. Não porque a qualidade não exista, mas por cantores como Tony Carreira, Ágatas e afins, que lhe dão má fama. O circuito comercial não dá espaço ao que é tradicional e trata-o como se fosse demodé, a verdade é que neste momento apenas uma pequena elite tem acesso à boa música portuguesa. Quantos de vocês já ouviram falar de At-Tambur, António Zambujo e até mesmo José Barros e os Navegante? Acredito que muito poucos.

Pela primeira vez a solo (sem os Navegante), José Barros toma o leme de um disco que é, por si só, uma viagem. Um barco que nos embala por uma maré de canções, ao longo da costa portuguesa e à descoberta de África. As influências são diversas e os instrumentos, desde a a guitarra portuguesa ao cavaquinho cabo-verdiano, passando por percussões portuguesas e africanas, provocam rebentações de harmonia.

A voz de José Barros é acompanhada em diversas ocasiões por Nancy Vieira, Mafalda Arnauth e José Manuel David e Rui Vaz (dos Gaiteiros de Lisboa). Nos coros, conta ainda com Joaquim Caixeiro e Vaiss. Entoam canções escritas pelo próprio José Barros, mas também brilhantes letras de Amílcar Cabral, Fernando Pessoa, Natália Correia e Celso Emilio Ferreiro.

"O Mar (Eterno) que para sempre será o elemento que uniu os povos de expressão portuguesa, é uma das bases da concretização deste projecto..." Palavras do próprio José Barros na contracapa do álbum e que dizem tudo. Este é um álbum claramente português, que foi à conquista de novos sons, de novas influências, de novas relações e químicas.

Músicas como "A Ilha do fim do mundo", "Mar Portugês" ou "Frutos Tropicais" têm parte da nossa história nas suas letras, nas suas colaborações, nos seus diversos instrumentos.

Não precisam saber nadar para mergulhar neste nosso Mar.

posted by not_alone @ 12:16 da tarde  
1 Comments:
  • At 1:34 da tarde, Blogger H. said…

    Não conhecia este senhor, mas pelo que dizes vale a pena tratar de conhecer :)

    Não creio contudo que música tipicamente portuguesa esteja em completa decadência. Têm surgido, por exemplo, muitos fadistas que revitalizaram o interesse do grande público pelo fado ou projectos comos os eternos Madredeus ou os recentes A Naifa, cujas raízes são profundamente portuguesas... E outros nomes que permanecem célebres e amados há muitos anos, como o Fausto...

     
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