quarta-feira, agosto 30, 2006
The Killers | Hot Fuss

Há discos assim, que nos soam quase perfeitos, dos quais não nos conseguimos fartar digam lá o que disserem. Aconteceu com «Silent Alarm» dos Bloc Party, aconteceu em menor escala com este «Hot Fuss» dos Killers, cujo segundo álbum será editado em Outubro.
Ouvir «Hot Fuss» é deixar o indie rock mais viciante entrar pelo nosso corpo. Isto porque os Killers não se deixam aprisionar nas referências 80s que inevitavelmente encontramos na sua música, compondo um som muito próprio.

Estamos perante um álbum onde praticamente todas as canções têm potencial para clássicos de um grupo geracional. Ouvir “Mr Brightside” ou “Somebody Told Me” daqui a uns anos irá certamente soar adoravelmente nostálgico àqueles que o dançaram e cantaram de cor nesses verdes anos de 2000 e tais.
“Smile Like You Mean It”, “Andy You’re a Star” e “On Top” resultam sobretudo devido aos refrões facilmente memorizáveis, tirando um bom partido da conjugação dos instrumentos com a voz de Brandon Flowers.
Mas o lado vocal do coração talvez penda mais para “All These Things That I’ve Done” e para “Glamourous indie rock & roll”, um verdadeiro hino: …It’s all I need, It’s indie rock ‘n’ roll for me!

Um recente artigo da Blitz dizia que “Sam’s Town”, o novo álbum da banda, apresentará algumas diferenças em relação à sua estreia, lançando a dúvida de que os Killers estivessem a passar de banda à la Interpol e Bloc Party para uma sonoridade mais Coldplay e U2. O single “When you were young”, que já se pode escutar por aí, não é conclusivo. Melhor é esperar para ver com as expectativas pouco elevadas. E entretanto ir ouvindo «Hot Fuss» para recordar…

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posted by H. @ 9:09 da tarde   1 comments
terça-feira, agosto 29, 2006
Muse | Black Holes and Revelations


Comparados por demasiadas vezes aos Radiohead, pelo timbre vocal de Matthew Bellamy em parte, os Muse têm vindo a manter a sua imagem alternativa, não se tornando demasiado comerciais ou demasiado independentes. Contam-nos histórias de desilusões e de mudanças, bem como conflitos interiores que assim são expostos através das fascinantes melodias da banda britânica. E tem vindo a ser sempre assim, ao que Brian Molko dos Placebo chamou a repetida gravação do mesmo álbum apenas com nomes diferentes. Desengane-se esta primeira impressão e olhe-se mais a fundo para a substância residente em todos e em cada álbum da banda.

Testando as reacções dos seus fans, do público em geral e da crítica, como primeiro single de apresentação do novo álbum os Muse escolheram "Supermassive Black Hole". Uma improvável mas altamente viciante dose de adrenalina, onde durante toda a duração se ouvem as guitarradas bem acentuadas de Bellamy, e a sua voz numa esforçada tentativa de recuperação da vibração disco dos anos 70. E a verdade é que, mesmo não sendo de esperar a sua reprodução nas pistas de dança, esta seria a música ideal para tal.

Começam electrónicos com "Take a Bow", um início ameno que faz prever o que de resto se avizinha. Logo de seguida há "Starlight", onde a espantosa letra é combinada com naturalidade e eficiência com o instrumental soft e com alguns toques ainda electrónicos. Após "Supermassive Black Hole", surge "Map of the Problematique", fruto da distorção dos intrumentos de cordas e das suas vibrações numa desenfreada tentativa de se sobreporem aos restantes sons. Mas o melhor vem mesmo na extraordinária trilogia final. "City of Delusion" (uma das melhores faixas do álbum, se não mesmo a melhor), "Hoodoo" (um sussurro que se transforma num instrumental arrepiante) e "Knights of Cydonia" (o encerramento perfeito) completam assim um dos álbuns mais esperados do ano.

Black Holes and Revelations é, por isto e mais mil e um motivos, até ao momento, o melhor álbum de 2006. Não só representa o regresso dos Muse três anos depois da obra prima Absolution, como a evolução da banda desde Showbiz. E se as sonoridades em algo mudaram, a matéria prima continua lá, e a cada novo acorde da guitarra de Bellamy parece personificar-se num novo e essencial elemento que nos leva a crer que esta não irá esgotar tão depressa. Ou seja, estes são os Muse iguais a si mesmos. E dizer isto já não é dizer pouco.

P.S: Não será surpresa para ninguém que o concerto da banda em Portugal inserido na tour deste novo álbum será a 26 de Outubro no Campo Pequeno. Espera-se certamente o melhor espectáculo do ano.

Classificação:
posted by miguel @ 3:07 da manhã   8 comments
domingo, agosto 27, 2006
Donna Maria | Casino Lisboa | 26-08-2006
Misturando música tradicional portuguesa com electrónica, o trio Donna Maria tem recebido diversos elogios da crítica e de outros músicos portugueses desde que lançou o seu (até agora) único álbum «Tudo é para Sempre». O sucesso junto do público parece ser também um trunfo da banda lisboeta composta por Marisa Pinto, Miguel Ângelo Majer e Ricardo Santos.

Após uma digressão por vários pontos do país, os Donna Maria atracaram ontem no Casino Lisboa, para um concerto onde, excepcionalmente, o Auditório dos Oceanos esteve aberto para o Arena Lounge, o que visualmente foi, no mínimo, curioso.
Com algum atraso, o trio apresentou-se em palco acompanhado de outros dois músicos e iniciaram o concerto com “Foi Deus”, versão de Amália Rodrigues com um toque electrónico que lembra a sonoridade de um dos trabalhos dos Madredeus. Em cerca de uma hora percorreu alguns dos seus temas mais célebres como “Dois lados do mesmo adeus”, “Pão para a multidão”, “Azulejos voadores” ou o celebérrimo single “Quase perfeito”. Com uma energia imparável em palco, Marisa Pinto cantava, dançava e exortava a multidão a acompanhá-la, o que aconteceu com algumas reservas. O que se poderia ter tornado um momento mais fraco da actuação, a cover de “Estou além” do grande António Variações que pouco se eleva acima de mera música ambiente, tornou-se um espectáculo surpreendente com Marisa Pinto a dar ares de rapper.

Seguros e simpáticos, os Donna Maria provaram saber comunicar com o público, mas parece-me que só um segundo trabalho discográfico poderá definir mais claramente o seu lugar na música nacional. Sem a ironia ácida genial d’A Naifa, com quem por vezes são feitas associações, aos Donna Maria ninguém tira, contudo, o mérito de terem revitalizado a música portuguesa com alguma originalidade, mostrando como se pode fazer música apelativa na língua de Camões e em como o fado e a canção portuguesa não se esgotam nos clássicos.

posted by H. @ 12:58 da tarde   7 comments
sábado, agosto 26, 2006
Guilty Pleasure do momento...


Robbie Williams é, no mínimo, um poço de surpresas. Já tem novo álbum na calha e o primeiro single é este improvável Rudebox. As colaborações para a produção deste tema são ainda mais surpreendentes: Pet Shop Boys e William Orbit. Viva os anos 80...



Não deixem também de ver o vídeo para o single. Neste link!
posted by not_alone @ 4:54 da tarde   3 comments
sexta-feira, agosto 25, 2006
Vídeo da semana | Anthony and the Johnsons | My sister

...

posted by P.R @ 7:56 da tarde   1 comments
quarta-feira, agosto 23, 2006
Clã | Fórum Algarve | 15-08-06
Delicados Clã. Furiosos Clã.



Durante as minhas recentes férias no Algarve aproveitei e fui ver ao Fórum Algarve os Clã. Sem grandes expectativas, especialmente pelo espaço (um centro comercial), fui surpreendido por uma banda madura e capaz de se entregar a um público que não podia estar mais desinteressado.

Apesar da inicial passividade dos presentes, depressa se percebeu que Manuela Azevedo não ía deixar a apatia dominar a noite. Um verdadeiro bicho do palco, a cantora expressava como ninguém as ousadas letras a que os clã já nos habituaram. Mais do que apenas a voz, Manuela Azevedo é a alma do grupo. É através dela que as músicas ganham vida. Seja na vertente de menina doce ou de mulher da vida.



Os clã vivem de opostos, baladas alegres, o rock de revolta, a mulher que é homem, o homem que é Garoa.... Que mais se pode pedir de uma banda do que os paradoxos das emoções, aliados a um humor irónico e uma batida contagiante... A importância que os Clã dão às suas letras está presente durante todo o concerto, seja nas intervenções que a vocalista faz para realçar o nome dos letristas ou no ênfase que dá ás palavras que canta. E realmente são das mais inteligentes letras feitas em Portugal.

A pop não tem de ser fútil, não tem de ser pirosa, como provam a cada álbum os clã, pode ser divertida e profunda, simultaneamente. Antes que o verão acabe ouçam os clã. Verão que vale a pena. ;)
posted by not_alone @ 10:06 da tarde   2 comments
sábado, agosto 19, 2006
Vídeo da Semana | Muse | Knights of Cydonia


Não faço ideia até onde vai a genuidade deste video. Mas isso também não interessa muito, até porque nos deparamos com um dos videoclips mais extravagantes de que me lembro. Um western espacial? Ficção científica disfarçada com cowboys? O que se quiser chamar! Para ver e rever!
posted by miguel @ 12:29 da manhã   8 comments
quinta-feira, agosto 17, 2006
Paredes de Coura | 3º Dia | 16-08-2006

Num dia em que os cabeças de cartaz do Festival Paredes de Coura eram dois dos mais célebres grupos da cena do rock alternativo actual, houve ainda tempo para reviver marcos do passado e testar a garra de projectos recentes.
Após o dia de recepção e o interessante primeiro dia de festival de facto (liderado por Broken Social Scene e Morrissey), ontem temia-se um dia cinzento e chuvoso. A chuva forte que se fez sentir ao início e a meio da tarde, agoirava um dia desconfortável e pouco convidativo a música ao vivo. Contudo, mal os Vicious Five entraram em palco, pouco depois das 18 horas, o tempo pareceu aguentar-se e não incomodar muito os vários espectadores que já se encontravam no recinto.

O quinteto, única presença portuguesa no palco principal de dia 16, mostrou o seu rock imparável, expirando a energia que lhes é reconhecida. Junto ao palco uma pequena multidão já saltava e batia palmas de forma considerável, até se metendo aqui e ali com o vocalista. Na relva, ainda com muito espaço vazio, a maioria preferia ainda estar sentada observando os Vicious Five com curiosidade e interesse mas demonstrando preferir esperar pelo que se seguia.

Depois, os Eagles of Death Metal, banda californiana liderada por Jesse Hughes e Josh Homme dos Queens of the Stone Age (que não esteve ontem em palco), trouxeram o seu rock mais típico e provocador, dando um bom concerto, capaz de chamar a atenção de uma plateia cada vez mais preenchida. As constantes menções às ladies da assistência, entre o engraçado e o irritante, demonstram bem a aura sexual que os Eagles of Death Metal se esforçam por cultivar. Contentes pela recepção calorosa dos portugueses, Jesse Hughes atribuiu ao amor do público pelo rock a causa do fim do mau tempo (o Sol despontou timidamente durante a sua actuação).

Já passavam das 20 horas e muita gente se dirigiu aos locais de restauração para jantar. Mas simultaneamente o número de espectadores ia crescendo à medida que se ia fazendo noite. Foi neste cenário que chegaram ao palco os Gang of Four. Os quatro britânicos tocam desde finais dos anos 70, tendo já uma vasta discografia que influenciou vários nomes posteriores. Os Gang of Four representaram ontem uma verdadeira escola de rock. Talvez aqueles que os acompanham desde o início da carreira estivessem em minoria em Paredes mas apesar de não terem conquistado os espectadores todos de início, conseguiram dar a volta ao concerto quando o vocalista partiu com um bastão um microondas em palco, fazendo de cada pancada um ritmo que os restantes membros da banda acompanharam com os seus instrumentos, numa surpreendente e fantástica actuação. A plateia mostrou-se bem mais entusiasta depois, ficando até a saber a pouco um concerto onde apesar de já se sentir o peso da idade, se evidenciou uma atenção admirável de não afastar os pioneiros do novo público.

Antes de subir ao palco a banda de Karen O já se faziam notar alguns problemas técnicos que causaram algum atraso no início do concerto. Mas mal os Yeah Yeah Yeahs subiram ao paço envoltos em plástico para “Cheated Hearts” – ao som do qual se começaram a desenvencilhar da cobertura – o público mostrou-se plenamente em sintonia com eles. É certo que havia claramente um público Yeah Yeah Yeahs, que sabia as músicas de cor e vibrava com a fabulosa presença em palco da imparável Karen O, mas o som não estava perfeito e talvez por isso esta segunda incursão dos nova-iorquinos em Coura não se tenha saldado numa satisfação plena. Houve momentos bons com “Date With a Night”, “Y Control” ou “Gold Lion”, entre outras, e um momento muito bom com a mais calma “Maps”, mas a comunicação com o público foi relativamente escassa e nem houve lugar para encore. Apesar da exuberância do guarda-roupa e da energia demonstrada, os Yeah Yeah Yeahs foram claramente suplantados pelos senhores que se seguiram, e que se dizia moverem talvez menos público ao festival que os YYY.

Pela primeira vez ao vivo em Portugal, os ingleses Bloc Party justificaram à primeira canção porque é que estão entre as melhores bandas de rock alternativo do mundo. Com apenas um álbum editado (o segundo vem a caminho tendo sido apresentadas algumas faixas em Coura), a banda de Kele Okereke iniciou o concerto com uma canção desconhecida mas conquistou o público aos primeiros acordes. Provavelmente o concerto com mais gente a assistir – falava-se em 20 000 pessoas – nem uma breve chuva durante o concerto fez desanimar o público, que saltava, dançava, batia palmas e cantava com o grupo. Competentes e empenhados, os Bloc Party deram, de longe, o melhor concerto do dia. As canções ‘clássicas’, como “Banquet”, “Helicopter”, “Like Eating Glass” ou “She’s Hearing Voices” foram apoteóticas, as canções inéditas foram bem recebidas e os momentos mais calmos comummente partilhados de forma tocante como “This Modern Love” ou “Two More Years”, já no encore. É elucidativo que os Bloc Party tenham sido a única banda do dia a voltar ao palco para mais e a única que o público pediu expressamente para regressar. Simpático e comunicativo, Kele Okereke disse mesmo várias vezes “see you next year”, impressionado com a recepção fabulosa que a banda teve neste primeiro concerto. Quanto a nós, cá os esperamos ansiosamente.

Suceder no palco aos Bloc Party era uma tarefa ingrata. Várias pessoas abandonaram o recinto após o concerto do nome forte do cartaz e os nova-iorquinos We Are Scientists, relativamente pouco conhecidos por cá, fizeram questão de suprir essa falha horária na sua actuação com tiradas nada simpáticas relativamente aos ingleses precedentes ou até aos Yeah Yeah Yeahs. Mas apesar do ‘feitiozinho’, o trio deu mostrar de uma garra notável em palco, dando um espectáculo francamente bom, parecendo agradar quer a quem os conhecia quer a quem não os conhecia. A segunda música que cantaram foi a sua mais célebre, “Noboby Move, Nobody Get Hurt”, cujo refrão foi entoado por várias vozes na plateia, mas sem perder o nível mostraram todos os temas do seu excelente álbum «With Love And Squalor» como “It’s a Hit”, “Can’t Loose”, “This Scene is Dead”, “The Great Escape” ou sua love song “Textbook” (com direito a piadinha para os YYY). Irreverentes mas suficientemente carismáticos e confiantes, os We Are Scientists provaram estar no bom caminho. O tempo dirá se se tornarão um fenómeno género Franz Ferdinand ou se se perderão entre a miríade de bandas medianas do dito indie rock.

Poucos minutos faltavam para as 2 da manhã quando terminou este último concerto no palco principal. A música prosseguiu no palco after hours com os Members of the Public, os Panico e o DJ Kitten (João Vieira, vocalista dos X-Wife – que haviam actuado na noite anterior), mas uma longa viagem de regresso até Lisboa fez-me sacrificar esses três concertos.
No geral, foi um bom dia de actuações, um pouco prejudicado pelo tempo encoberto e de chuviscos, em que os Bloc Party se destacaram do conjunto como os verdadeiros reis do dia.

Todas as fotos dos concertos que acompanham este post são da minha autoria. Fiz também alguns vídeos, que estarão disponíveis no YouTube nos próximos dias.

posted by H. @ 10:38 da tarde   0 comments
terça-feira, agosto 15, 2006
Gnarls Barkley | Crazy




Um título bastante comum actualmente, não é verdade? De qualquer forma, nos tempos que correm nem sempre conseguimos encontrar um som agradável materializado num videoclip assim simples e dinâmico. Deixem cair um borrão no centro da folha, dobrem-na ao meio, e deixem espalhar a tinta.. O resultado é sempre diferente, novo. A música não me sai da cabeça, por isso tinha de a trazer até aqui :)
posted by Ana Silva @ 9:53 da tarde   2 comments
segunda-feira, agosto 14, 2006
The Pipettes | We Are The Pipettes

O Verão está aí e para aqueles que intercalam sol e nostalgia nada melhor que uma musiquinha à 60’s feita em 2006. Se a frase inicial fez despertar alguma coisa em si, nem que seja um esgar de sarcasmo, então tem de ouvir este disco.
«We Are The Pipettes» de um trio britânico chamado (adivinhem lá?) The Pipettes é um sério candidato a disco mais cool desta estação balnear.

A primeira faixa, homónima do disco, é tão simples como viciante. Traz um som jovem, um refrão catchy e engraçado e convida a um pezinho de dança. É uma abertura tão deliciosa que a vontade de ouvir o resto é imediata. E o que se segue é uma balada que podia ter sido cantada no tempo dos vestidinhos às bolas e dos cabelos armados. Mas esperem! Isso é como se apresentam Rose, Riot e Gwenno… Apetece esquemas de dança, palminhas e gelados. É “Pull Shapes”. E se pensaram que já ouvimos tudo mais vale seguir e derretermo-nos com a doçura do coro. É como se voltássemos a uma época de biquinis grandes e óculos cor-de-rosa em forma de coração. Em “Your Kisses Are Wasted On Me” o convite é já irresistível. Há algum dancing por perto? Bem, se não há qualquer sítio é um bom para improvisar. Mas podemos ainda sonhar com um amor de verão numa mais calminha “Because It’s Not Love (But It’s Still A Feeling)” ou apreciar o tom adolescente a que soa “Sex”. Um disco tão fresco e estival termina com o título demasiado óbvio “I Love You” – mas quem quer saber?

Na verdade, não é a originalidade (quase nula) que nos faz gostar das músicas das Pipettes, mas é precisamente o facto de nos fazer lembrar algo, algo que as novas gerações talvez não saibam situar bem nos meandros da memória e que agora renasce revestido do rótulo de indie pop, algo adoravelmente retro.
Para mergulhar num mundo feliz de estação quente com tanto de pueril como de fascínio por “velharias”, «We Are The Pipettes» é tão divertido como contagiante e torna-se o disco ideal para o momento. As Pipettes não vão reescrever a história da música, mas certamente que a sabem reviver. E nós revivemos com elas e não é que até gostamos?

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posted by H. @ 9:11 da tarde   1 comments
sábado, agosto 12, 2006
Vídeo da Semana | Björk | Bachelorette

The game we’re playing is life / Love is a two way dream

Realizado por Michael Gondry, o mesmo de Eternal Sunshine of the Spotless Mind, o vídeo de “Bachelorette” é dos mais imaginativos e enigmáticos clips musicais que vi até hoje.
Com um quê de magia, vemos uma sucessão de histórias dentro de histórias que no fim se reduzem a pó. A genial Björk, quer seja na voz quer seja na presença do vídeo, canta-nos esta desventurada odisseia amorosa de uma forma tão bizarra como fascinante.
posted by H. @ 12:14 da tarde   3 comments
quinta-feira, agosto 10, 2006
Miami Vice

Primeiro pressuposto: não vi a série Miami Vice e, como tal, é impossível fazer comparações. Segundo pressuposto: nunca vi aquela que dizem que é a grande obra-prima de Mann, Heat, que, pelos vistos, tem algumas similaridades em relação ao género e estilo. Terceiro pressupostom ( que mais não é que uma súmula dos dois anteriores): está análise restringir-se-á única e exclusivamente ao objecto Miami Vice de Mann, independentemente de todos os backgrounds que rodeiam esta obra.

Comecemos então pela história. Miami Vice é a história de Ricardo Tubbs (Jamie Fox) e Sonny Crockett (Colin Farrell) , upla de polícias cheios de estilo que se vêm obrigados a trabalhar como agentes infiltrados numa rede de droga ao fim de vingar os polícias assassinados anteriormente na mesma missão. No meio desta intriga policial Sonny acaba-se por envolver com Isabella (Gong Li) que é nada mais que a mulher do traficante de drogas e armas.

Simplista? Banal? Déjà Vú? É um facto, mas num filme deste género não se pode pedir um enredo demasiado inteligente e envolto em questões existenciais. O argumento satisfaz mas é a realizaão ultra-competente e o trabalho de casting irrepreensível que eleva o filme a um patamar bem mais elevado.

Michael Mann é sem dúvida um grande realizador. Criando momentos e atmosferas absolutamente fantásticas, o Mann impregna o seu filme com um estilo muito próprio balançando movimento de grande espectacularidade com outros mais simples e subtis. Veja-se por exemplo a forma como filma as cenas de acção e tiroteio e as cenas de intimidade dos protagonistas que, com planos inspirados e movimentos subtis, consegue ser bastante crível e embelezar a película com laivos cristalinos na imensa negritude e sujidade característico do mesmo.

Porém, nem tudo é irrepreensível. Apesar dos momentos fascinantes e dramaticamente brutais que Mann nos oferece com a sua visão, a verdade é que parece que o argumento sendo tão simplista não está à altura dos restantes elementos do filme. Se a relação entre Sonny e a Isabella é desenvolvida de forma suficiente, a de Ricardo com Trudy é demasiado superficial, não atingindo assim uma intensidade dramática satisfatória. No entanto, não é só a relação de Ricardo com Tuddy que sofre de pouco desenvolvimento, a própria personagem de Foxx é, diria eu, demasiadamente secundária. Na verdade, estava à espera de um co-protagonismo entre Farrell e Foxx mas na verdade a acção centra-se em Farrell-Gong Li. E é exactamente esta que tem o desempenho mais bem conseguido. Vindo de um grande desempenho em Memoirs of a Geisha, a verdade é que a actriz não só mantém o nível, como o aumenta. Dona de uma beleza invulgar, Gong Li consegue demonstrar com um simples olhar um poço de sentimentos, oferecendo aos espectadores uma performance radiosa, roubando as cenas a todos os actores, incluindo Farrell que, apesar de tudo, se encontra muito bem.

Com uma estrutura narrativa invulgar e bem conseguida, onde somos desde logo lançados na acção, e fazendo a apresentação das personagens pouco a pouco durante a história, Miami Vice é um blockbuster muito bem conseguido, aliando uma fotografia irrepreensível, a uma realização singular, pessoal e uma das melhores do ano, bons desempenhos, e a uma banda-sonora satisfatória. Se é um fiel seguidor da série? Como comecei a dizer, não faço ideia, mas que é um belo filme de acção, lá isso é.



Classificação:
posted by P.R @ 10:03 da tarde   5 comments
terça-feira, agosto 08, 2006
Imprescindível

Profissão: Repórter, de Michelangelo Antonioni
(em exibição no cinema Nimas, em Lisboa)
posted by H. @ 12:23 da manhã   0 comments
domingo, agosto 06, 2006
Vídeo da Semana | Baz Luhrmann | Everybody's Free (To wear sunscreen)


Esta é a maior lição de vida que alguma vez vão ter.

Contextualizando, a música, criada pelo realizador Baz Luhrmann foi feita tendo por base um popular discurso de Mary Schmich, publicado no New York Tribune. A coluna, intitulada "Advice, like youth, probably just wasted on the young" correu o mundo e atingiu o seu pico de popularidade através desta música do realizador de Romeo + Juliet.

A versão do vídeo que disponibilizei aqui é de uma empresa brasileira que o adaptou a uma marca, traduzindo o texto para português. Escolhi esta versão para que todos possam entender a mensagem que a música passa, mas, o video original da música (que quanto a mim é bastante superior a este) pode ser visto aqui!
posted by not_alone @ 1:57 da manhã   4 comments
sábado, agosto 05, 2006
Buracos negros em Portugal


Segundo o Diário Digital, os Muse poderão incluir Portugal no calendário da tour de apresentação do seu mais recente álbum "Black Holes and Revelations". Diz a mesma fonte que o mesmo concerto irá ter lugar dia 26 de Outubro no Campo Pequeno, Lisboa. Os preços dos bilhetes ainda não foram divulgados.
posted by miguel @ 1:01 da manhã   7 comments
quinta-feira, agosto 03, 2006
Annie Hall



Inteligente
Trágico
Profundo
Sensível
Complexo
Arrebatador
Genial
Ambíguo
Obra-prima

posted by P.R @ 5:51 da tarde   3 comments
terça-feira, agosto 01, 2006
Andrew Bird | The Mysterious Production of Eggs


Confesso que já não me recordo como é que descobri Andrew Bird. Talvez numa das minhas imensas descobertas ocasionais na internet. A verdade é que o descobri porque tinha de ser. Mais do que um cantor, Andrew Bird é um verdadeiro contador de histórias. Histórias que a nós nos parecem distantes mas que transportam consigo uma importância à qual não conseguimos escapar.

Sovay abre gentilmente o álbum, sem pressas, nem demasiados apetrechos. Uma pequena janela para espreitarmos para dentro do livro de contos de Andrew Bird. A Nervous Tic Motion of the Head to the Left segue-a e já não deixa dúvidas para a magia que nos envolve. Relógios, coelhos, cartolas, Alice. Uma pressa sem fim de ouvirmos mais e mais.

"Monsters? Monsters that talk, monsters that walk the earth"

De repente, percebemos que a intriga se adensa. Os sonhos já não são tão cor de rosa como pareciam do exterior. São histórias, afinal de contas, mais familiares do que pensávamos. O tom cansado com que canta, forçando sorrisos e alegrias, faz-nos acreditar que acredita no que canta. Skin is, My, ode aos sons e a essa alegria que nos faz continuar, quando tudo nos parece querer arrastar para o real. Mas o imaginário é tão mais feliz.

À medida que o disco se aproxima do seu fim estamos aconchegados, num ambiente estranhamente acolhedor. Estamos cansados de ser inocentes. Cantamos. Cantamos para nos lembrarmos de que existe o choro. Nascemos. Nascemos quando sabemos que vamos morrer.

Andrew Bird: It's a giant among cliches




posted by not_alone @ 8:17 da tarde   3 comments
Tool de volta a Portugal

Boas notícias para os fãs de Tool. Após terem estado no Festival Super Bock Super Rock em Maio último, a banda voltará ao nosso país a 5 de Novembro para dar um concerto no Pavilhão Atlântico, em Lisboa.
Os bilhetes custam entre 25 e 35 euros e já estão à venda.
posted by H. @ 2:57 da tarde   6 comments
 

takeabreak.mail@gmail.com
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