domingo, dezembro 31, 2006
Companhia Nacional de Bailado | O Lago dos Cisnes | Teatro Camões

O mundo torna-se mágico quando assistimos a um bailado. Os olhos prendem-se aos movimentos graciosos, os ouvidos são seduzidos pela música, o coração palpita de emoção. Assistir a um bailado é uma experiência enriquecedora mas assistir a um bailado acompanhado por música tocada ao vivo por uma orquestra é algo de sensorialmente deleitante e que é para mim praticamente intraduzível.

Decorreu até hoje no Teatro Camões a representação de O Lago dos Cisnes, bailado escrito por Piotr Ilyich Tchaikosvky no século XIX. A coreografia seguida pela Companhia Nacional de Bailado para esta apresentação foi a de Marius Petipa (também do século XIX mas não a inicial), adaptada por Mehmet Balkan.

A história de Odette, a princesa desafortunada que por ter conseguido o amor do príncipe Siegfried é condenada pelo maléfico tutor deste a transformar-se num cisne é um conto belo e trágico, que comporta em si uma dose intrínseca de encanto. A música de Tchaikovsky, positivamente arrebatadora, é responsável por elevar os sentimentos dessa história a uma dimensão superior, mas só a presença inebriante dos bailarinos faz de O Lago dos Cisnes um espectáculo completo e único.
Servidos por cenários extraordinários e com um guarda-roupa esplendoroso (sobretudo nos nas primeiras cenas dos dois actos), ambos da autoria de António Lagarto, O Lago dos Cisnes apresentado até hoje no Teatro Camões contou com o acompanhamento ao vivo da Orquestra Sinfónica das Beiras.
Haverá mais espectáculos no início de Janeiro próximo, mas com música gravada. Fica aqui a recomendação.
posted by H. @ 1:50 da manhã   0 comments
sábado, dezembro 30, 2006
Vídeo da Semana | Dennis Leary | I'm an Asshole


Porque Dennis Leary é um comediante fantástico, sempre para lá das barreiras do politicamente correcto. Porque me faz rir feito doido. Porque estamos a chegar ao final do ano e quero que a minha última participação de 2006 neste espaço divirta o maior número de leitores possível. Ah, e porque o meu irmão mais novo me pediu...
posted by Juom @ 1:06 da tarde   0 comments
sexta-feira, dezembro 29, 2006
Babel


Quatro histórias, enraizadas em quatro países com culturas completamente diferentes. A dor é a mesma, e cada um de nós comunica-a como pode. Babel é uma história sobre muitas histórias, que compreendem o amor (entre um homem e uma mulher, entre pais e filhos), a (in)comunicabilidade, a perda, o acaso... a vida e, consequentemente, a morte. Podemos também dizer, se quisermos ser mais específicos (e simplistas), que Babel é sobre uma arma, e as consequências que ela traz para um grupo de pessoas completamente diferentes. Mas essa arma serve apenas como pretexto para falar sobre algo bastante maior e que, no limite, conduz a uma reflexão profunda sobre o lugar do Homem no mundo que habita, e da relação com os seus semelhantes: em termos sociais, políticos e, acima de tudo, humanos.

Trata-se aqui, claramente, do mais ambicioso trabalho de Alejandro Gonzáles Iñárritu naquela que tem vindo a ser considerada como a sua “trilogia da dor”, criada em colaboração com o argumentista Guillermo Arriaga. Temos uma história, podemos dizer, à escala global, levando ao extremo os temas que já haviam anteriormente abordado nesses filmes extraordinários que foram Amores Perros e 21 Grams. Aliás, o título não deixa qualquer margem para dúvidas, e essa Torre de Babel onde as línguas se confundem mais não é do que o nosso mundo num progresso globalizante, que nos parece separar cada vez mais. A metáfora maior num filme cheio delas, mas que nem por isso evita uma aproximação brutal à realidade. Com efeito, a câmara de Iñárritu continua bem próxima dos seus actores, e dos lugares que os rodeiam, desde a aridez do deserto marroquino à selva urbana de Tóquio, conferindo esse toque tão visceral ao seu cinema. A dor, essa, também é a mesma, e torna-se impossível não sentir as personagens como se fossem uma parte de nós e, como não poderia deixar de ser, continua-se a sofrer bastante no cinema do mexicano, que parece claramente, da primeira ideia à montagem final, feito a sangue suor e lágrimas, com o coração nas mãos.

Se em Amores Perros e em 21 Grams tínhamos acidentes de automóveis como os impulsionadores principais da narrativa, aqui temos o disparo de uma arma. Ora, os mais atentos irão certamente recordar-se de um outro filme, estreado neste mesmo ano de 2006, cujo argumento vinha assinado pelo mesmo Arriaga e envolvia também um disparo acidental: The Three Burials of Melquiades Estrada. Trago esse filme à memória porque, ainda que não sendo considerado parte desta série de filmes – foi realizado por Tommy Lee Jones – serve-lhes, no meu entender, como um muito interessante complemento temático. Os estilos são algo diferentes, mas sente-se em ambos aquela urgência desesperada em lidar com a morte, com o sexo, com o amor e, convém não esquecer, com a noção de casa, num sentido mais amplo que o termo possa eventualmente englobar: o mundo pertence-nos, mas a verdade é que cada um de nós é também um produto do local onde nasceu, onde deixamos sempre algo nosso e para onde queremos regressar.

Nesse sentido, a construção do filme é particularmente densa e cuidada: repare-se não só nos diferentes estilos de vida entre os países, mas em coisas bem mais subtis que compreendem, por exemplo, as transições entre as histórias, separadas entre gritos e silêncios, só para ficar por aqui... Mas há outras subtilezas, que envolvem a iluminação, ou o tratamento musical, apanágio dos habituais colaboradores Rodrigo Prieto e Gustavo Santaolalla e que, no fundo, ajudam o filme a reflectir sobre as pequenas coisas definem identidades. Claro que nesse particular, é obrigatório falar também no trabalho dos actores que, sem protagonismos, se tornam também em pessoas do mundo, e que independentemente da situação maior que as envolve, têm também de conviver com os seus demónios interiores – veja-se a contenção de Brad Pitt como oposição a algumas personagens que compõem a sua carreira, ou a extroversão de Rinko Kikuchi, que ainda assim é incapaz de mascarar aos nossos olhos o seu desespero interior. E, como qualquer um de nós sabe, o mais complicado não será aceitar os mesmos demónios, mas sim conseguir comunicá-los aos outros, de forma a que estes os aceitem por nós. Ou, dito de outro modo: se uma família é incapaz de se conseguir fazer entender, como poderá o mundo consegui-lo? Mais importante do que classificar Babel como um “drama” ou um “filme político”, importa acima de tudo sentir estas personagens e, caso o espectador tenha sorte, rever-se no grande ecrã. Um filme do mundo e, já agora, um dos filmes do ano.

posted by Juom @ 4:25 da tarde   8 comments
Só o sangue cheira a sangue
Pó cheira a raio de sol,
mel bravo à liberdade,
boca da moça à violeta,
e o ouro não cheira a nada.
A reseda cheira à água,
amor à maçã rescende,
mas agora já sabemos –
só o sangue cheira a sangue…

Em vão o pretor romano
se lavava as palmas grossas
sob os gritos da plebe.
E a rainha da Escócia
debalde raspava as gotas
vermelhas da mão esguia
na penumbra sufocante
da real moradia.

Anna Akhmátova, 1943 (tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra)

Poema integrante da antologia Só o sangue cheira a sangue, editada pela Assírio e Alvim. Uma boa introdução a esta magnífica poeta russa, que sentiu na vida e testemunhou na escrita os horrores do totalitarismo.
posted by H. @ 12:39 da manhã   0 comments
terça-feira, dezembro 26, 2006
Grandes Momentos | Moulin Rouge

- You’d think that people would’ve had enough of silly love songs
- I look around me and I see it isn’t so…


É um medley em forma de dueto, ou uma discussão em forma de diálogo cantado. Com deixas tiradas a músicas da história da pop, Satine (Nicole Kidman), a céptica cortesã, e Christian (Ewan McGregor), o arrebatado poeta, trocam versos no magnífico elefante do Moulin Rouge.
Este momento é quase kitsch, mas não deixa de ser um memorável exemplo da mestria de Baz Luhrmann e do seu musical contemporâneo, o inigualável Moulin Rouge. Poderia ter escolhido o Tango de Roxanne ou “Come What May”. Todos me arrebatam de forma total.
Sendo amante de musicais clássicos, Moulin Rouge, não sendo um, é provavelmente dos meus favoritos de sempre. Pelo seu romantismo (uma espécie de La Traviata do cancan), pela sua cor exuberante, pela sua homenagem à música… por que é um grande filme. Feito de grandes momentos, como este…


posted by H. @ 5:52 da tarde   1 comments
segunda-feira, dezembro 25, 2006
Morreu o pai da Soul

posted by not_alone @ 1:33 da tarde   1 comments
sábado, dezembro 23, 2006
Vídeo da Semana | Bill Nighy | Christmas Is All Around (Love Actually OST)



Porque é Natal, e este é um dos meus clássicos desta época. Porque é divertido, e este deve ser um tempo de alegria. Porque é romântico, e esta deve ser uma altura de amor. Ou simplesmente por que me apeteceu.
Feliz Natal a todos!

posted by H. @ 2:12 da tarde   3 comments
quinta-feira, dezembro 21, 2006
Infernal Affairs Vs The Departed


Infernal Affairs, por not_alone

Infernal Affairs é, quanto a mim, o melhor policial alguma vez vez feito. Toda a trama de mistério e suspense até ao final do filme deixa-nos com o coração nas mãos. Mais do que isso, é um grande filme de acção que tem como base um brilhante argumento. Ora, todos sabemos que vindo de Hollywood são poucos os filmes que conseguem juntar eficazmente as duas coisas. Michael Mann é uma das excepções que confirma a regra.

Bem como grande parte dos filmes asiáticos, há uma preocupação extra com o visual e com os cenários. O topo do edifício aonde os heróis de The Departed se confrontam, é uma pálida cópia da imponência do arranha-céus em Infernal Affairs. Neste campo podemos dizer que Wai Keung Lau e Siu Fai Mak, apostaram num visual mais estilizado (que me agrada mais) do que o visual árido e seco de The Departed.

As personagens, normalmente tipificadas em filmes deste género, são obscuras e complexas em Infernal Affairs. Há todo um percurso de vida, que assistimos passo-a-passo, presenciando a evolução dramática que, inevitavelmente, vai condicionar as acções e atitudes das personagens.

Martin Scorcese pouco mais fez do que traduzir o texto e escolher novos actores no seu remake. Façamos um exercício de suposição. Alguém decidia fazer da Mona Lisa uma mulher asiática. O desenho saía lindíssimo porque o pintor era extremamente talentoso, mas, será isso razão suficiente para afirmar que esta nova pintura é melhor do que a original giocconda? Claramente, não. Há todo um mistério por trás daquele quadro que o torna especial, que o eleva acima dos outros. Mesmo que seja copiado e melhorado será sempre genial.

Infernal Affairs mostrou, mais uma vez, aos americanos que se pode inovar, que se pode fazer um bom filme de acção com um argumento genial. Scorcese quis mostrar que o homem que realizou Goodfellas ainda surpreende. Pois a mim surpreendeu pouco. Sem menosprezar o trabalho do realizador, o trabalho árduo estava feito. A transição para a realidade americana foi muito bem conseguida e, não me interpretem mal, The Departed é um bom filme. Mas só o é porque Infernal Affairs já existia.

:::::::::::::::::::::::::SPOILERS::::::::::::::::::

O final de The Departed foi o que mais me indignou. Um capricho de Martin Scorcese, para mudar algo na história do original. Acabou por mudar o que dava a Infernal Affairs o seu toque de génio. A personagem de Matt Damon morre, enquanto em Infernal Affairs sobrevive (e sobrevive é o termo correcto), com os remorsos e a culpa. Viverá uma vida negra e atormentada. Em The Departed passamos demasiado tempo a olhar para um elenco que vai ser todo chacinado às 3 pancadas no final.



The Departed, por Paulo Costa

Antes de mais, convém esclarecer a minha posição em relação a Infernal Affairs: trata-se de um bom filme, com uma premissa interessante, dois actores que muito admiro, uma realização com estilo, e não me provoca qualquer tipo de confusão o culto que se instalou à sua volta. Dito isto, convém esclarecer a minha posição em relação a The Departed: é realizado por um dos meus maiores ídolos cinematográficos, tem um elenco verdadeiramente fenomenal, uma realização que alia o estilo e a visceralidade habituais no cinema de Scorsese e é, em minha opinião, o remake perfeito – parte de uma mesma premissa, mas aborda-a de forma diferente e, digo eu, torna-a bastante melhor.

Enquanto Infernal Affairs me parece apenas uma obra interessante, The Departed é absolutamente fantástico, ao nível dos melhores trabalhos do realizador. A ideia com que fiquei depois de ver o filme, foi que William Monahan pegou na história pelos colarinhos, endureceu-a com umas valentes bofetadas e aprofundou-a da melhor maneira, dando-lhe uns toques pessoais, e transpondo a acção para Boston, não meramente através de uma simples mudança de cenário como também do próprio registo, tornando-a profundamente americana, quando o filme original era profundamente oriental. Temos aqui um filme que, ao mesmo tempo, é capaz de nos entreter como nenhum outro este ano, enquanto leva ao limite o tema da identidade – espelhado também nas figuras paternais das personagens. Como não podia deixar de ser, Marty adapta a força da história e das personagens ao seu inconfundível estilo, e oferece-nos o elenco perfeito, capaz de entrar a fundo na alma das personagens e de lá tirar composições magníficas: DiCaprio, Damon, Wahlberg, Nicholson, Sheen, Baldwin, Winstone... todos são perfeitos à sua maneira, e Vera Farmiga, como o único elemento feminino de peso nesta história de homens, oferece o equilíbrio essencial ao filme e, fundamentalmente, ao confronto entre os dois protagonistas principais: DiCaprio e Damon.

Quando temos um argumento, uma realização, um elenco e uma equipa técnica assim (de Thelma Schoonmaker a Michael Ballhaus), não temos sequer o direito de esperar melhor que isto.
posted by Juom @ 11:49 da tarde   7 comments
terça-feira, dezembro 19, 2006
Vídeo da Semana | Nick Drake | River Man
A simplicidade de uma música, com a profundidade de cortantes sentimentos. Nick Drake é óptimo para tocar no fundo do nosso dia-a-dia. Acompanha-nos como um fiel animal doméstico. Sentimos a sua falta quando o deixamos para trás. Mesmo que só o tenhamos encontrado por acaso, de relance, numa qualquer esquina da vida.
posted by not_alone @ 8:23 da tarde   2 comments
Grandes Momentos | The Godfather
Depois de ter inaugurado esta rubrica com aquele que terá sido o momento que mais marcou a minha vida naquela fase tão precoce, prossigo com aquele que será, porventura, o que melhor preenche os requisitos de “grande momento”: nada mais, nada menos do que a sequência da morte perto do final de The Godfather, de Francis Ford Coppola.



O problema ao escolher um momento como este, está precisamente no facto de não haver grande coisa para dizer. As imagens dessa sequência valem por mil palavras (elevadas ao infinito), e arrisco-me mesmo a dizer que nenhum outro momento em nenhum outro filme (passado, presente ou futuro) irá superar este que hoje recordo. Não só porque é perfeito em termos cinematográficos – uma série de montagens paralelas que incluem alguns assassinatos e um baptismo – mas também por tudo aquilo que representa em termos da história que se seguiu até àquele ponto. É uma autêntica explosão em termos dramáticos e emocionais. Está consumado! Michael tornou-se finalmente naquilo que não queria ser, vingou o seu pai e o seu irmão. Nasceu um padrinho, nasceu um clássico, e agora calo-me, na esperança de vos fazer a todos ir a correr até ao leitor de DVD e retomar esta cena... Até à próxima!

posted by Juom @ 7:44 da tarde   1 comments
domingo, dezembro 17, 2006
David Fonseca | Aula Magna | 23-11-06
Breve introdução a este post. Na tentativa de continuar a surpreender o nosso público, o Take a Break resolveu fazer um post a 3 mãos. Eu, a H. e o P.R. estivemos presentes, no passado dia 23 de Novembro, na Aula Magna, a assistir ao concerto de David Fonseca. Juntos decidimos criar um texto que reunisse as opiniões da experiência. Convergentes, é certo, mas todas o mais sinceras possível.



Fascinante. Inspirador. Genial. Todas as palavras e conceitos são incrivelmente redutores quando se descreve um espectáculo como aquele que David Fonseca nos ofereceu na Aula Magna na passada quinta-feira. Segundo ele, era a primeira vez que se apresentava a solo em Lisboa. Alternando o lado concentrado e introspectivo que é seu apanágio, o músico mostrou como também sabe ser um "tipo fixe", comunicador e divertido.



Após uma espera de quinze minutos de muita expectativa eis que surge no ecrã, David e a sua banda, percorrendo os corredores e a chegando, finalmente, à sala aonde todos o aguardávamos. Já soava na guitarra um tema inédito, "If Our Hearts do Ache", antecipando aquilo que viria a ser o concerto: um espectáculo inédito. Detentor de uma capacidade vocal estonteante e, na minha opinião, cada vez mais singular, David Fonseca brindou-nos com uma performance a todos os títulos notável, ora revelando toda a sua a excentricidade e postura mais desinibida em Our Heats Will Beat as One ora emocionando-nos com a contenção, entrega e sentimento de Song to the Siren de Tim Buckley.



As covers foram aliás um dos pontos fortes da noite. O concurso da Antena 3 que elegeu "Take on me" dos A-ah como a música dos 80 a ser cantada por David, não o impediu de revisitar as 9 outras seleccionadas (viva "Last Christmas", ecoe "Purple Rain" num coro de vozes, sinta-se a inigualável "Love will tear us apart"...) e os temas da sua escolha (The Knack, Ryan Adams, até Elvis). A faceta de melómano revelou-se, aliada à de músico criativo. Senhoras e senhores, ele até respondeu quando lhe pediram para cantar "Floribella", mas ignorou os apelos por Mónica Sintra. Manobra subtil, mas eficaz, de manutenção de um certo "nível". Brincar sim, mas a música primeiro.



Apoiado num cenário cuidado e extremamente bem planeado, o espectáculo desfilava à nossa frente como se de uma peça de teatro se tratasse. Cada música tinha a sua história, presente nas letras, na voz de David e em toda a envolvente. O espectáculo de luzes assim como as projecções no ecrã, pensadas exclusivamente para cada música (das quais destaco o inspirado vídeo para “Adeus, não afastes os teus olhos dos meus”) davam outra imponência às canções. Atribuíam-lhes uma presença física.



É intrigante como a música, na sua dimensão mais íntima e pessoal, consegue unir tantas pessoas, cada qual sentindo as palavras do músico como suas. Para quem esteve lá, o dia ficará guardado no repositório das boas memórias. Mas memórias vivas, pois esperamos que daqui em diante espectáculos assim se repitam sem precisarmos de afastar os olhos dos seus. Como diria um outro artista nacional de excepção "enquanto houver estrada pr'andar a gente vai continuar". Nós continuaremos contigo David!



Longe da inocência dos Silence 4, David Fonseca tem já um rumo bem traçado. Por palcos nacionais voa mais alto do que o céu lhe permite. Pessoalmente, David Fonseca é um músico de referência a nível mundial e, perdoem-nos o favoritismo, é sem dúvida um dos artistas de eleição dos membros deste blog.

posted by not_alone @ 8:34 da tarde   1 comments
terça-feira, dezembro 12, 2006
Grandes Momentos | Cidade de Deus


Os grandes momentos são os que marcam, os que ficam, e que nos fazem tirar a lição. Deste eu tirei uma, ou quem sabe, várias lições, que fizeram com que guardasse este momento de cinema comigo.

Brasil, tempo quente, literalmente de chinelo no pé. As crianças movem-se como enxames, que ziguezagueam pelas ‘ruas’ desenhadas nas favelas dos subúrbios. São como pedaços de uma força que só funciona em conjunto, até ao dia em que algum desses pedaços prefere crescer sozinho. Esse crescimento é traduzido na posse de uma arma, que quase imediatamente transforma um corpo de menino numa mente de gente grande, numa voz cruel e fria. Nada mais conta: os corpos desfazem-se em sangue, as pessoas tornam-se coisas. Mais um, menos um,.. o que interessa é 'brincar' e dominar.

Quando somos pequenos, não nos perguntem o que queremos perder, se um pé ou uma mão. Somos demasiado crus para saber a sua utilidade, só pensamos se vai doer ou não. Não nos perguntem porque choramos, é sempre porque qualquer que seja o tiro dói. E tu, não atires só porque queres ou porque sabe bem ter um brinquedo na mão. É daqueles que deixa marcas,.. é um grande momento.

Este é o meu. Porque a crueldade pode mexer connosco, mas a realidade mexe ainda mais.
posted by Ana Silva @ 9:40 da tarde   1 comments
Take a Break: Primeiro Aniversário


Há precisamente um ano atrás nascia o Take a Break. Nascido de uma conversa de café, o blog foi crescendo, amadurecendo e comemora hoje o seu primeiro aniversário. Assim, agradecemos a todos os membros e ex-membros do Take a Break, aos nossos leitores e amigos que nos motivam para mais um ano.

Obrigado!

A equipa Take a Break

posted by P.R @ 12:19 da manhã   8 comments
domingo, dezembro 10, 2006
"Um Mundo Catita"

Manuel João Vieira, o célebre vocalista dos Enapá 2000 e Irmãos Catita (entre uma série de outras “profissões”), será p protagonista de uma série chamada “Um Mundo Catita”, que se encontra em rodagem pela equipa do premiado I’ll See You In My Dreams.
A série, produção independente rodada em vídeo digital de alta definição e película, terá 6 episódios de 30 minutos cada e será “uma ficção sobre a vida e obra de Manuel João Vieira”, “inspirada em séries como “The Office” ou “Curb Your Entusiasm”.
Podem ir dando uma espreitadela pelo site e enquanto duram as filmagens. Para o ano sabermos o que sairá daqui, mas espera-se algo, no mínimo, diferente...

(foto retirada do blogue oficial)
posted by H. @ 6:23 da tarde   1 comments
sábado, dezembro 09, 2006
Vídeo da Semana | George Michael | Freedom

Só porque a desejo compulsivamente...

posted by Ana Silva @ 5:05 da tarde   0 comments
quarta-feira, dezembro 06, 2006
Bloc Party: outro disco e outro concerto

Já o ouvi. E é muito bom.
Podem respirar de alívio. É suficientemente diferente para ser um novo álbum e é suficientemente deles para ser um sucessor ao nível de «Silent Alarm».
O disco sai a 5 de Fevereiro e uma versão já circula pela internet.
(Quando adquirir o álbum escrevo mais qualquer coisa por aqui)

Ah, e já agora, eles actuam cá dia 18 de Maio no Coliseu dos Recreios. Os bilhetes custam 25 euros e já se encontram à venda.
posted by H. @ 9:21 da manhã   6 comments
terça-feira, dezembro 05, 2006
Grandes Momentos | Paths of Glory
Há filmes de guerra, e há filmes do Kubrick. Há ainda, filmes de guerra do Kubrick. Se Full Metal Jacket é um dos melhores filmes da carreira do realizador, Paths of Glory não lhe fica muito atrás. Só mesmo na data em que foi filmado, exactamente 30 anos antes. Mas o olhar clínico e, mais importante, crítico, está presente em ambos. Depois de uma guerra sangrenta, os soldados regressam a uma vida normal, ou uma remota tentativa de alcançarem alguma normalidade. Com uma simples cena, Kubrick engloba variados sentimentos. Alguns deles contraditórios, alguns deles irreais, todos eles humanos. Uma avassaladora cena de homens que são, apenas homens. Não são máquinas de guerra, nem tão pouco ficam insensíveis às brutalidades a que foram sujeitos. Uma guerra é, no final do dia, terrivelmente injusta para quem a luta e sobrevive para contar.

Apesar da cena que se segue não conter nenhum twist final, nem mesmo uma revelação bombástica para a história, não deixa de ser a cena final do filme. Que deve ser vista no seguimento de toda a obra. A quem não viu o filme recomendo vivamente, a quem já viu, recordar é viver. Ou, mais do que isso, recordar é sentir.

:::SPOILER:::

posted by not_alone @ 1:49 da manhã   0 comments
segunda-feira, dezembro 04, 2006
Aimee Mann | One More Drifter in the Snow

Canções de Natal são sempre canções de Natal, adoráveis para uns, banais para outros. Inúmeros artistas já gravaram um disco só de canções de Natal, na maior parte das vezes variações sobre os mesmos temas.
Este ano o disco de Natal é o de Aimee Mann, a voz amargurada dos dependentes e dos falhados, que tanta música extraordinária nos tem dado nos últimos anos. «One More Drifter in the Snow», assim é o título do último trabalhado de Mann, cuja capa deixa adivinhar o seu conteúdo.

Trata-se de um disco de 10 temas natalícios, a maioria dos quais clássicos como “Winter Wonderland”, “Have Yourself a Merry Little Christmas” ou “White Christmas”. No entanto, existem dois temas originais, “Christmastime” (certamente um tema já conhecido pelos apreciadores da artista), da autoria de Michael Penn, marido de Aimee e também ele músico, e “Calling on Mary”, escrito pela própria.

Quando ela canta em dueto a divertida “Your a Mean One, Mr. Grinch” deixamos de imaginar a Aimee de calças e gravata para a vermos como uma cantora de bar de antigamente, de vestido comprido e caretas à mistura. Quando ela canta “God Rest Ye Merry Gentlemen” nunca a ouvimos tão solene.

A melhor companhia para esta estação, «One More Drifter in the Snow» não será tanto para um “White Christmas” como para um “Blue Christmas”. Melancólico, como melancólico pode ser o Natal. Sentido, como sentido deve ser o Natal. Mas sem qualquer dúvida, belíssimo. Como só ela sabe fazer…

posted by H. @ 6:09 da tarde   3 comments
domingo, dezembro 03, 2006
Crítica Externa | The Killers | Sam's Town por Miguel Baptista
Integrada na rúbrica "Take a Break abre as portas" eis que surge o primeiro texto de um dos nossos leitores e amigos : Miguel Baptista. Para sempre um membro do Take a Break, o Miguel abre assim as hostes, esperando nós que este seja a primeiro de muitos textos. Já sabem que se quisserem podem os enviar para takeabreak.mail@gmail.com. Ao Miguel, um obrigado.



Sejam bem-vindos a Sam's Town.

Os americanos mais britânicos da indústria discográfica estão de volta, depois do espantoso Hot Fuss, propondo uma viagem a Sam's Town, que fisicamente se trata de um casino na cidade natal da banda, Las Vegas, mas como espaço para a construção do disco é algo mais. Antes de mais, começamos com uma breve introdução sobre esta tal Sam's Town. "I see London, I see Sam's Town", diz Brandon Flowers. Chegados a este local, são-nos dadas as boas vindas, e está prometido o álbum do ano, promessa que, infelizmente, nunca chega a ser cumprida, apesar de não andar tão longe como isso.

Este novo álbum da banda norte-americana é marcado pela sua notável maturação, que faz crescer e edificar alguns valores ainda tímidos no trabalho anterior. Aqui, a voz tímida de Flowers de "Mr. Brightside" desaparece para dar lugar a um opera-rock, onde a componente vocal enche grande parte da música. Recuperando grande parte da herança do rock progressivo dos anos 80, os The Killers adoptam também eles uma imagem mais adulta, e uma postura assumida de quem pretende conquistar os ouvidos do mundo. Assim é desde logo prometido com o primeiro single do álbum, "When You Were Young" (música que, insisto, me lembra demasiadas vezes António Variações), que se revela uma mistura refrescante de energia contagiante e actual, apesar da sua sonoridade rudimentar, que depressa se entranha no ouvido e dificilmente de lá sai, pelo menos por algum tempo.

Uma surpresa particularmente agradável é a realização do vídeo do segundo single, "Bones", a cargo de Tim Burton, onde esqueletos dançantes enchem o televisor e onde se nota um dedo de mestre, quer no seu humor quer na sua bizarria. É também esta música um dos pontos de maior interesse do álbum, e uma ponte sólida para a recta final deste, que é particularmente inspirada.
Pelo meio ficam "Bling (confession of a King)", "My List", "Read My Mind" ou "This River is Wild", para referir alguns dos momentos mais particularmente inspirados, a acrescentar aos já referidos acima. Mas a mais interessante magia desta nova experiência dos The Killers reside precisamente na sua estranheza aparente. Estamos perante um caso em que primeiro se estranha, mas depois se entranha. Só é pena que estando entranhado, não dure tanto tempo como seria desejado. Contudo, é bom enquanto dura, e extremamente viciante; e na sua doce simplicidade consegue ser uma cativante forma de música, ainda que não chegue às andanças de ser colocado no altar e ser relembrado daqui a meia dúzia de anos, como de resto aconteceu com "Hot Fuss". Fica antes registado como um digno sucessor deste.

Classificação:


Miguel Baptista

posted by P.R @ 1:30 da tarde   4 comments
sábado, dezembro 02, 2006
Plágio
Por: Júlio Kret - Júlio Kret
Sat Dec 2 20:36:09 2006
A morte da Princesa Diana foi um acontecimento que, sem dúvida, chocou não só os britânicos como a população mundial em geral. A intitulada “Princesa do Povo” era uma figura que cativava pela simpatia, simplicidade e pela sua boa-vontade para com os mais desfavorecidos. A sua postura mais próxima do povo contrastava, porém, com a rigidez, distância e até frieza da monarquia britânica que, num comportamento quase letárgico, se alheava das mudanças dos seus súbditos. É exactamente a morte trágica de Diana e à reacção da monarquia, em especial da rainha, e do recém-eleito Tony Blair que Frears explora neste “The Queen” construindo um dos melhores filmes de 2006.

The Queen é, como o próprio título torna óbvio, um filme sobre a Rainha Isabel II (num desempenho perfeito de Helen Mirren). Mas o filme não é biográfico, uma vez que aborda apenas alguns dias, difíceis por sinal, da vida da rainha e da monarquia. Sendo a monarquia, nos dias de hoje uma extensão da própria Rainha, tal o seu poder, foi bastante interessante seguir as suas dúvidas e anseios relativamente à postura a adoptar face ao falecimento de Diana. É um filme sobre a auto-descoberta da rainha, da monarquia e da sua própria identidade. Sem cair em estereótipos que seria extremamente fácil, é possível olhar e ver uma pessoa com dúvidas, confrontada com o evoluir do pensamento e com a excessiva solidez e robustez de uma instituição, a monarquia. Esta já não compreende os seus súbditos, tem dificuldade em aceitar que tal como o mundo, também as pessoas mudam e se apegam a uma figura fértil em escândalos, que virou as costas à monarquia mas que conquistou algo que a própria Rainha começa perder: o seu amor e admiração.

The Queen é assim um grande filme. Misturando ficção com imagens reais das homenagens do povo britânico à Princesa Diana, o filme tem grandes momentos dramáticos, polvilhados com a subtileza do humor britânico e com o enaltecer da humanidade que todas personagens devem ter, mesmo que seja a Rainha de Inglaterra.

16/20



in 7arte

Caro Júlio Kret, por muito que a equipa do Take a Break se sinta lisonjeada por nos visitar, não podemos deixar passar impunemente tão evidente plágio à crítica que o P.R. fez do filme The Queen. É que de facto nem sequer houve a tentativa de disfarçar. Achou mesmo que bastava cortar uns parágrafos e ninguém perceberia? É no mínimo indelicado vir a um blog copiar um texto e ir colá-lo num outro fórum assinando-o como se fosse seu. Faça o raciocínio contrário. Se alguém utilizasse um texto seu sem qualquer permissão e você fosse lê-lo num outro sítio ficara contente? De certo que não. Bem sei que isto é apenas um texto retirado de um blog de internet e colado noutro sítio, mas mesmo não tendo uma importância capital, factos como estes são reveladores do carácter de quem os faz...

posted by not_alone @ 9:05 da tarde   3 comments
Vídeo da Semana | Josh Rouse | Quiet Town

Um música simples mas melodiosa. Um vídeo simples mas harmonioso. Há algo nestas palavras e nestas imagens que me parecem estranhamente familiares... Seguindo a vertente mais intimista começada pela Helena e prolongada pelo Paulo, "Quiet Town" é também a cristalização de um bocadinho de mim, não só do que sou, mas principalmente do que fui...

posted by P.R @ 2:36 da manhã   2 comments
 

takeabreak.mail@gmail.com
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