domingo, janeiro 22, 2006
“O vento só fala do vento”

Alberto Caeiro foi desde sempre um poeta especial para mim. Aquilo que o torna tão singular é a complexidade filosófica que consegue fazer emergir da simplicidade e espontaneidade da sua poesia, apesar de constantemente a rejeitar. Sob uma aparência de desenho animado pragmático e objectivo, Caeiro presenteia-nos com uma leitura acessível, deliciosamente terna e, simultaneamente, repleta de um sentido filosófico complexo, que reside na simples observação objectiva do real, mais precisamente da Natureza. Aparentemente ingénuo, Caeiro é o mais pragmático, realista e assertivo de todos os heterónimos (talvez por isso seja considerado o Mestre). É nesta obrigatoriedade da observação que reside o seu ateísmo: “não acredito em Deus porque nunca o vi”; “que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?”. Contudo, é o autor destas afirmações que defende que “pensar incomoda como andar à chuva”… É o paradoxo de Caeiro: a sua poesia é um eterno pensamento.
posted by Rita D. @ 7:44 da tarde  
1 Comments:
  • At 6:57 da tarde, Blogger not_alone said…

    Eu confesso que prefiro Álvaro de Campos, poemas como "não, não é cansaço", ou "apontamento" ficaram na minha memória desde as aulas de português do 12º ano. "Na véspera" é um grande exemplo também da poesia deste heterónimo, mas a sua força é maior quando na voz de Margarida Pinto.

     
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