domingo, dezembro 11, 2005
Bin-Jip


O cinema mundial vive, na minha opinião, uma época de transição importante, principalmente aquele que ainda é o maior exportador de cinema do mundo: Hollywood. De facto, o cinema tipicamente americano precisa urgentemente de rever os seus padrões, as suas formas e os seus conteúdos de forma a não se comprometer face ao cinema europeu e, principalmente, face ao cinema asiático. O cinema dito asiático tem-se revelado cada vez mais imaginativo e marcante e, neste sentido, Bin-Jip é, sem dúvida, um expoente máximo deste brilhantismo.

Mas vamos por partes. Bin-Jip é a história de Tae-Kun, um jovem que vive habitando as casas que, através de um sistema inteligente, sabe que estão temporariamente desabitadas. É exactamente nesta situação que ele conhece uma mulher casada, vítima de violência doméstica. A partir deste momento, desenvolve-se uma das mais bonitas histórias de amor do ano.

Escrito e realizado por Ki-duk Kim, Bin-Jip é um filme parco em palavras mas grandioso em sensibilidade e nas emoções que transmite a quem o vê. Alicerçados em dois belíssimos actores, estes são extremamente marcantes na construção expressiva das suas personagens. De facto, a ausência de diálogo entre as duas personagens principais não é, de forma alguma, um obstáculo à sua relação, bem pelo contrário, é no silêncio de um olhar que eles constroem a sua história de amor.

No entanto, o filme deve muito da sua excelência ao homem que o escreveu e realizou: Ki-duk Kim. Tal acontece pois o seu argumento é de uma excepcionalidade que impressiona. Apesar de crer que a primeira parte do filme é mais fluída e consistente, uma vez que o filme perde algum fulgor quando entramos na trama policial, a verdade é que esta sequência é preponderante para o desenlace e clímax final. E que final! Sem querer estragar o impacte aqueles que ainda não o viram, a verdade é que um dos seus últimos planos é assombroso e, arriscar-me-ia a dizer, o melhor do ano no género.

Desta forma, o desenlace final consegue estar à altura do bom cinema que vimos este ano, conseguindo dar um toque de Midas a uma história até aí também muito boa, onde se assume que a invisibilidade da matéria é incomparavelmente menos importante que a invisibilidade do sentimento de duas pessoas que se amam.

posted by P.R @ 7:15 da tarde  
7 Comments:
  • At 7:58 da tarde, Blogger not_alone said…

    É realmente um filme belíssimo. A anos-luz do que se faz em Hollywood, e por terem noção disso é q a maior parte dos argumentos que agora são lançados são remakes de filmes asiáticos.

     
  • At 10:54 da tarde, Blogger nuno said…

    boa sorte para este novo projecto. gostei bastante do ambiente criado pelo candeeiro. Escolheram como 1º filme aquele que eu elegi como o melhor que vi em 2004, logo só posso esperar coisas boas deste blog no futuro! cumprimentos a todos.

     
  • At 3:23 da tarde, Blogger P.R said…

    obrigado nuno! todos nós esperamos corresponder às expectativas! Contamos com as tuas visitas.

    cumprimentos

     
  • At 6:07 da tarde, Blogger H. said…

    é um dos melhores filmes do ano e uma história de amor das mais poéticas e originais que vi no Cinema.
    parabéns pela análise!

     
  • At 12:32 da manhã, Blogger P.R said…

    Concordo contigo Lost in space, é sem dúvida um dos filmes mais originais do ano. A premissa e a conclusão do filme são excelentes! Obrigado pela visita! :)

     
  • At 11:37 da tarde, Blogger Paulo said…

    O blog tem tudo para vir a ser bem interessante. Assim que actualizar o meu, este link vai estar lá. Abraço e boa sorte aqui com o espaço :-)

     
  • At 10:54 da manhã, Blogger P.R said…

    obrigado paulo :) contamos com as tuas visitas;) Abraço

     
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