sexta-feira, janeiro 26, 2007
Micah P. Hinson | Santiago Alquimista | 24-01-2007


O texano Micah P. Hinson, a quem já chamaram “o trovador maldito do indie norte-americano”, foi uma descoberta que fiz recentemente, apesar do senhor de 25 anos (sim, “senhor”, basta ouvir a sua voz para o chamar “senhor”, embora a presença seja bastante jovial) já ter editado um EP (The Baby and The Satellite, de 2005) e dois álbuns (o magnífico e aclamadíssimo Micah P. Hinson and the Gospel of Progress, de 2005 e o não menos apaixonante Micah P. Hinson and the Opera Circuit, de 2006). Há uns dias, pudemos vê-lo pela primeira vez a tocar na capital.

Na passada quarta-feira, no Santiago Alquimista em Lisboa, a primeira parte da noite ficou a cargo de Will Johnson, que apenas acompanhado da sua guitarra cantou e tocou as suas canções com uma presença reservada, oscilando entre o intimista e o um pouco distante.
Depois veio então Micah, mais à vontade, fumando cigarros e cigarros que ía colocando na guitarra enquanto tocava e conversando constantemente ora com o público ora com Nick Phelps, o músico que o acompanhou tocando alguns instrumentos (ainda não há verba para trazer toda a banda à Europa, explicou ele).
Começou por cantar um tema para Sylvia, a actual namorada, a mesma a quem ele dedicou o concerto numa postura de amante atencioso, algo um pouco irónico se tivermos em conta que os seu primeiro e mais genial álbum nasceu da ressaca de um “heartbreak” de uma modelo que o deixou e o levou às drogas e outros dissabores que culminaram atrás das grades.

No concerto percorreu várias canções dos seus discos como “Close Your Eyes”, “Beneath the Rose”, “Seems Almost Impossible”, “Drift Off to Sleep”, “Diggin’ a Grave”, “You’re Only Lonely, ”sempre unidas por dois dedos de conversa com a plateia, com Micah contando histórias da sua vida e da sua experiência enquanto artista, deixas divertidas com a sua breve incursão numa casa de striptease ou o número de pessoas que assistiram ao seu concerto em S. Francisco (“ten?!”). Mencionou uma documentarista italiana que está a filmar “a sua vida” (“it’s interesting because I don’t know what’s so interesting about my life…”) e a quem dedicou “Don’t Leave Me Now”, belíssima canção, exemplo brilhante da sua música pessoalíssima.
Ainda voltou para um encore, já que nós (nós público) tínhamos pago para o ouvir, onde cantou “On My Way" ("Patience”) – essa música que alguém me disse ser a catarse perfeita – que terminou numa explosão musical (eu diria mesmo sensorial), com Micah à sua guitarra e Phelps na bateria (em momentos anteriores, fora Johnson que voltou para breves incursões na bateria), num dos momentos mais poderosos de um concerto todo ele fortíssimo na sua qualidade mas também na sua naturalidade (o espaço do Alquimista com o palco baixo permite uma certa proximidade com os artistas).
O final veio com “Old Guitar”, uma cover para o pai, com quem a relação é difícil, “because he’s na asshole and I’m na asshole too”, mas que foi introduzida com uma divertida explicação do nome do pai. Humor e densidade – nele e na sua música.

Fica a memória de um concerto muito belo e sentido em pleno. No dia seguinte foi a vez do Theatro Circo em Braga receber a voz grave do senhor Micah. Esperemos que tenha corrido tão bem como em Lisboa.
posted by H. @ 2:52 da tarde  
1 Comments:
  • At 10:49 da manhã, Anonymous Guybrush said…

    "I never met a stripper that deserved a fiver" foi para mim a frase da noite. :/

     
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