quarta-feira, outubro 11, 2006
Evanescence | The Open Door


Pelo single de apresentação do terceiro álbum dos Evanescence, “Call Me When Your Sober?” (pode-se pensar em título mais idiota?) julguei que «Origin» e «Fallen» tivessem sido apenas trabalhos interessantes de principiante e que, agora que a fasquia de exigência subiu, eles não se tivessem sabido superar. Talvez esperando pouco de «The Open Door» este se acabe por revelar uma surpresa.

É certo que os Evanescence continuam iguais a si mesmos, com uma sonoridade que em nada se procura distanciar dos trabalhos anteriores. É rock que alguns catalogam de gótico ou novo-gótico (provavelmente mais pela imagem que a banda passa que pelo som em si), com as habituais misturas com música clássica. Aliás, a vocalista e compositora Amy Lee nunca escondeu que um dos seus ídolos máximos era Wolfgang Amadeus Mozart, cujo «Requiem» é aqui usado em parte em “Lacrimosa”.
Esta é aliás, a faixa a reter do álbum, bem secundada por “Lithium”, “Snow White Queen”, “Good Enough”. Mas atente-se na curiosa passagem de "Your Star" em que Lee diz I can't see your star / The mechanical lights of Lisbon frightened it away. Desconhecia esta inspiração lusa na música dos Evanescence!
É quando procura essa aproximação a um som mais clássico e poderoso que a música dos Evanescence se torna mais apelativa, embora nunca as suas letras deixem de soar a uma crise de adolescência perpétua.

Talvez por ter descoberto «Fallen» antes do “fenómeno” ter irrompido por essa juventude de gostos duvidosos, tive em boa conta o trabalho dos Evanescence, que me parecia na altura bastante curioso pela forma como unia uma melancolia dilacerante com um rock mais negro e pesado. Se tal só é interessante numa certa fase da vida, talvez não deixe de ser verdade. Nós crescemos, eles ficam iguais. Mais ainda assim, é curioso constatar como um grupo consegue alcançar um sucesso comercial considerável com música infinitamente mais interessante com o hip-hop oco e r ‘n’ b duvidoso que enche os tops e os canais tipo MTV.
Eles não se elevaram, mas também não se desvirtuaram. Quem gostou dos outros álbuns não rejeitará este, quem não gostou não vai passar a gostar. Quem quer conhecer, aconselho o primeiro e quase desconhecido álbum, «Origin».
posted by H. @ 1:08 da tarde  
5 Comments:
  • At 7:54 da tarde, Blogger not_alone said…

    Não te imaginava a gostar de Evanescence. Eu gostei no início, mas sofreram de demasiada exposição mediática que afecta sempre uma banda que não consegue reciclar o seu estilo. Acaba por soar tudo a mais do mesmo.

     
  • At 9:49 da tarde, Blogger H. said…

    Aqui entre nós, eu até me vesti toda de preto para o concerto de 2003 no Coliseu ;)
    É verdade que dps tb me desliguei por completo deles...Qdo se tornaram fenómeno de pré-adolescentes vazios não me identifiquei com nada daquilo, até pq eles aparentemente falavam de saturação e inadaptação, não uma coisa de massas.
    Qto a este disco, ainda que seja mais do mesmo (que é), não é tão desapontante como uma Nelly Furtado :P

     
  • At 2:24 da manhã, Blogger gonn1000 said…

    Sinceramente, acho-os insuportáveis, uma daquelas bandas que despeja raiva e revolta produzidas em laboratório. Mil vezes qualquer disco da Nelly Furtado, e o último até é um disco de pop mainstream bastante aceitável. Mesmo assim gostei da crítica, bem fundamentada como já é habitual.

     
  • At 10:52 da manhã, Blogger P.R said…

    Concordo com o Gonçalo... Nem Evanescence é bom, nem o novo da Nelly Furtado é mau :P

     
  • At 3:33 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Eu gosto bastante dos Evanescence... mas o novo albúm apesar de gostar da maioria das letras, desiludiu-me um pouco visto que as musicas ficaram totalmente iguais.. não mudou nem um pouco.. já não tenho aquela vontade de ouvir Evanescence como antigamente, talvez também por causa da fama que os miudos com 11 anos criam e que eu e muitos outros odiamos!
    Evanescence tornou-se banda Pop, mesmo sem saber, talvez.. Origin, é o melhor albúm sem dúvida alguma.. as músicas variam de uma para outra.. o que não tem acontecido com os restantes álbuns.

     
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