sexta-feira, março 31, 2006
Aimee Mann | The Forgotten Arm

Primeiro que tudo, uma advertência: eu sou suspeita para falar e escrever sobre Aimee Mann, simplesmente porque a tenho como a mais perfeita tradutora da beleza existente na tristeza humana. Tenho-a como, em suma, a minha singer/songwriter de eleição. Ainda assim tentarei fazer uma crítica isenta do seu último álbum.

«The Forgotten Arm» já saiu em Maio de 2005 mas creio não ser tarde para escrever sobre ele. Aimee Mann já fazia música há muitos anos quando Paul Thomas Anderson pegou nas suas canções e a partir delas criou aquele que é, a meu ver, o melhor filme da década de 90 e certamente um dos melhores de sempre: Magnólia. O filme valeu-lhe uma nomeação para os Óscares pelo brilhante tema "Save Me" e catapultou para um conhecimento mais alargado a obra de Mann.

Após o lançamento em 2002 de «Lost in Space», onde foi beber inspiração em casos de dependências várias e de o ano passado editar o dvd «Live at St Ann's Warehouse», Mann editou em 2005 «The Forgotten Arm». Após alguma dúvida quanto ao título do álbum, debatida pelos fãs em fóruns na net, «King of the Jailhouse» foi preterido em favor de «The forgotten arm». O disco é toda uma sucessão de canções que ao invés de serem independentes - como habitualmente sucede - contam uma só história, interligando-se entre si. Um boxeur que cai em desgraça e se refugia no alcoolismo é o mote para um trabalho formalmente diferente no universo de Aimee Mann mas que recupera a sua tendência para escrever e cantar histórias de quedas e abismos. O disco diz-nos que "never before has she told a tale so lonely and sad or created characters so compelled and compelling as those in The Forgotten Arm". Pode soar a exagero e não devemos fiar-nos por inteiro na frase promocional.

Aimee Mann recupera no seu disco muita da sonoridade dos seus primeiros trabalhos, «Whatever» (1993) e «I'm with stupid» (1995), ainda com laivos da herança 80's da sua banda anterior, Til'Tuesday. A meu ver o seu trabalho melhor conseguido é indubitavelmente «Bachelor nº2» (que abarca algumas canções da BSO de Magnólia), bem secundado por «Lost in Space», encontrando-se o teor das letras bastante próximo e exiamente polido em tiradas ora realistas ora metafóricas ímpares na voz arrastada, quase agonizante, de Mann. Em «The forgotten arm» tudo o que é dito é o que é suposto dizer-se. As palavras encerram em si a quase totalidade da narrativa (se é que podemos falar em narrativa em música) e apesar da história pessoal contada em «The forgotten arm» ser a história de falhanços e pequenos ressurgimentos de meia humanidade (para não dizer toda), nem sempre a dimensão universalista emerge em todo o esplendor, como nos dois albuns anteriores (estou a excluir o cd ao vivo que acompanha o dvd).
Faixas a reter: "Dear John" (1), "King of the Jailhouse" (2), "I Can't Get My Head Around It" (5), "Video"(7) e a tristíssima mas mais bela de todas, "That's How I Knew This Story Would Break My Heart"(9). Mas o cd deve ser ouvido na íntegra para compreender a intenção de Mann contar uma só história dividida em várias.

Em suma, uma obra peculiar na discografia de Aimee Mann mas ainda incapaz de superar os seus melhores momentos musicais.

Classificação:
posted by H. @ 7:15 da tarde  
1 Comments:
  • At 8:38 da tarde, Blogger P.R said…

    Não conheço muito a sua obra, apenas o excelente "Save Me". Contudo, falas com tanta paixão que acho que me convenceste a explorar a discografia de Aimee Mann ;)

     
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