sábado, setembro 30, 2006
Lady in the Water


A cada novo filme, M. Night Shyamalan dá mais um passo rumo à afirmação total do seu cinema, sem olhar muito para as suas consequências. Pela primeira vez desde O Sexto Sentido, o seu nome não bastou para levar as pessoas ao cinema, nomeadamente depois da frieza com que A Vila foi recebido nos Estados Unidos para o qual muitos espectadores olharam com uma certa desconfiança e que muitos críticos arrasaram por completo. Lady in the Water acabou, assim, por se revelar como uma consequência lógica dessa evolução, que resultou no seu primeiro grande fracasso de bilheteiras pós-Sexto Sentido. Claro que tudo isto também se pode dizer de outra forma: os fãs do realizador, aqueles que se deliciaram com A Vila e com o amadurecimento do estilo, irão provavelmente também deixar-se seduzir por esta sua nova pérola, sempre (mais do que nunca?) mergulhada nesses tons fantásticos, uma ode ao poder do sonho, da arte de contar histórias e... de as ouvir.

Cleveland Heep (Paul Giamatti) é o contínuo num condomínio habitado por gente comum: uma miscelânea de origens, credos, estilos de vida e de personalidades, cuja existência é interrompida pela chegada de uma misteriosa rapariga chamada Story (Bryce Dallas Howard), encontrada na piscina durante uma noite. Esta é uma das obrigações, quando se tenta comentar um filme de M. Night Shyamalan: parar com as sinopses precisamente quando parece que estão a começar a ficar interessantes. Não porque não se possa contar mais, nem porque os seus filmes mereçam um tratamento especial, mas sim porque uma das maiores delícias do seu cinema reside precisamente no saborear da lenta e detalhada evolução da narrativa, sempre tratada com essa sensibilidade tão peculiar. Os ritmos, as personagens, o humor, os diálogos... tudo tem um gosto único, uma marca definitiva de autor capaz de nos transportar para um mundo ímpar, onde reside antes de tudo mais, uma fé interminável no Homem – o seu prólogo é, certamente, dos mais belos momentos do filme, e deixa imediatamente claro o caminho que pretende seguir.

Além disso, há na evolução da sua obra recente uma tendência para acentuar essa mesma ideia de universalidade nos temas que tem vindo a tratar. Ou seja, convém reparar que dos protagonistas de O Sexto Sentido e Unbreakable, passamos para a família de Sinais e as comunidades de A Vila e agora Lady in the Water. Nestes últimos filmes predomina a ideia de um grupo, dentro do qual habitam uma grande variedade de personagens cuja orientação moral cobre os dois extremos do espectro até encontrar um confronto claro entre o bem e o mal. E é precisamente no confronto com essa ameaça de uma força misteriosa e exterior que se encontra essa união. Tudo isto para tocar no outro ponto crucial de Lady in the Water, que como já vinha bem explícito nas frases promocionais, se apresenta como uma história de embalar. À partida, isso pressupõe um recuo até àquilo que temos de mais puro em nós: a infância, e a capacidade de acreditar, e apenas o espectador que estiver disposto a largar tudo e fazer essa viagem até ao mundo de Shyamalan (a pessoa que, esta vez, se senta ao lado da nossa cama e nos conta uma história, e que no filme dá corpo a uma personagem cujas palavras podem mudar o mundo) irá sentir-se realmente próximo do filme, das suas personagens e... da sua mensagem – porque não há conto infantil sem moral.

E para nos contar esta íntima história de embalar, Shyamalan fez explodir na tela não só o seu talento especial na encenação e na composição, mas também o dos seus colaboradores – desde a soberba fotografia do australiano Christopher Doyle à arrepiante música de James Newton Howard (respectivamente estreante e quase totalista na obra de Shyamalan), a toda a criação cenográfica e mesmo digital (efeitos especiais que nunca chamam atenção sobre si mesmos, numa mistura totalmente orgânica com tudo o resto), de onde surge essa elegância ao mesmo tempo discreta e virtuosa. E quando se pode contar com actores com a categoria daqueles que fazem parte do elenco de Lady in the Water, as coisas tornam-se ainda mais fáceis. Paul Giamatti, que está como peixe na água nestes papéis mais contidos, mas sempre no limite, é fantástico a todos os níveis, e Bryce Dallas Howard possui aquela aura de mistério e de inocência imprescindíveis à composição da personagem. Pode não ser uma obra perfeita a todos os níveis (há, a espaços muito curtos, alguma dificuldade em manter coesão entre todas as suas ideias, embora nada de preocupante), mas quando alguém nos consegue envolver desta forma, explorando tão profundamente os nossos medos mais íntimos e fazendo-nos acreditar (nem que seja apenas enquanto dura o seu filme), então só podemos estar gratos. Está a um pequeno passo da perfeição, e Shyamalan cada vez mais destacado no lugar que merece, como um dos mais interessantes cineastas americanos da actualidade.

posted by Juom @ 1:03 da tarde   16 comments
sexta-feira, setembro 29, 2006
Os Meus (Outros) Dez...
Antes de mais, gostaria de agradecer o convite que me foi endereçado pelo Pedro e ao qual eu respondi com entusiasmo - o de fazer parte da equipa de contribuidores do Take a Break, um espaço que tem vindo a crescer consideravelmente desde o seu início e se tornou para mim uma referência na blogosfera. Espero que a minha contribuição venha ajudar também um pouco a esse crescimento e cá estou eu, pronto a trabalhar.

Tem sido um hábito (uma praxe, como diz o Pedro) que cada um dos novos colaboradores deixe, no seu post de estreia, um pequeno top 10 dos filmes favoritos da sua vida. Ora, tendo já tentado realizar essa tarefa hercúlea no meu blog a solo que quase me levou à loucura (tantos filmes ficaram por mencionar), proponho aqui uma pequena batota, que não só servirá para me facilitar um pouco nova tarefa como também para o leitor me ficar a conhecer um pouco melhor. Assim, à minha lista anterior, acrescento mais estas grandes pérolas (tal com antes, sem ordem de preferência):

Blowup, de Michelangelo Antonioni
Peeping Tom, de Michael Powell
Smultronstället (Morangos Silvestres), de Ingmar Bergman
Natural Born Killers, de Oliver Stone
8 1/2, de Federico Fellini
Blow Out, de Brian De Palma
Rear Window, de Alfred Hitchcock
Jurassic Park, de Steven Spielberg
Dead Ringers, de David Cronenberg
Limelight, de Charles Chaplin



posted by Juom @ 12:04 da tarde   5 comments
The Gift | Casino Estoril | 28-09-2006

Forever means ever…

Ver The Gift ao vivo é uma experiência sempre magistral. A banda portuguesa de Alcobaça, que ontem fazia doze anos que pela primeira vez pisara um palco, terminou a noite passada no Casino Estoril a sua AM-FM Tour.
Como é apanágio da banda, o espectáculo foi uma alternância quase perfeita entre a parte sonora e a parte visual, seja essa na forma de “wallpaper” ou da indumentária de Sónia Tavares – que deve ser das interpretes com mais estilo no nosso país.
Dando preferência a temas do último álbum, o duplo «AM-FM», como “Pure”, “Driving You Slow”, “11:33” ou “1977”, este foi já um concerto para apresentar algumas faixas do novo trabalho, que se chamará «Fácil de Entender» e que será lançado no próximo mês. Seja a homónima do novo disco, música belíssima que muitos conhecem por ser uma faixa escondida do anterior, aqui rearranjada (e repetida uma segunda vez no encore), seja outras novas canções.
Houve ainda tempo para uma versão um pouco diferente de “Ok, Do You Want Something Simple?” e de ver Nuno Gonçalves a cantar. A vocalista mostrou-se bastante comunicativa, embora se verificasse alguma dificuldade em ouvir claramente o que ela estava a dizer.
Um Casino Estoril cheio de pessoas para ver e aplaudir aquela que é provavelmente a melhor banda portuguesa actual, provou que muitos são aqueles que valorizam o que melhor se faz na música em Portugal.
Em Outubro cá aguardamos para receber esse «Fácil de Entender» que talvez, como tudo neles, não seja tão fácil assim, mas cuja qualidade promissora ontem ficou confirmada.
posted by H. @ 11:29 da manhã   0 comments
quinta-feira, setembro 28, 2006
Nouvelle Vague de volta ao nosso país


Após uma passagem pelo Festival Sudoeste os franceses Nouvelle Vague, grupo de covers de clássicos pop-rock em ritmos bossa-nova, volta até Portugal para dois concertos. O primeiro terá lugar no Hard Club, em Gaia, dia 13 de Outubro (Sexta-Feira). O segundo decorrerá no Paradise Garage, em Lisboa, no dia seguinte (Sábado).
Ambos os espectáculos começaram às 21h e os bilhetes (a 25 euros) já se encontram à venda.
posted by H. @ 5:42 da tarde   4 comments
quarta-feira, setembro 27, 2006
Band of Horses | Everything All The Time

Se falarmos em “Funeral”, evocamos automaticamente Arcade Fire, certo? Bem, não só, mas também… “Funeral” é igualmente o nome do primeiro single do álbum de estreia desta Band of Horses, que não é constituída por puro-sangues lusitanos mas sim por um grupo de rapazes americanos, de Seattle, essa terrinha tão musical.
O seu primeiro trabalho discográfico conjunto, «Everything All The Time» é catalogado nesse bule heterogéneo da música indie, e contém faixas mais rock e faixas mais melancólicas e depressivas.

«Everything All The Time» não é uma revelação arrebatadora, mas é um disco com algum interesse, sobretudo nas faixas mais intimistas como “I Go To The Barne Because I Like The Band Of Horses” e “St. Augustine”.
Entre um som adolescente amargurado e uma celebração de temáticas mais negras, a música dos Band of Horses dificilmente gerará ódios mas acho pouco provável que alcance a dimensão de “fenómeno”.
Em suma, trata-se de um disco agradável, sobretudo para os apreciadores do género. Aconselhável sobretudo para os primeiros dias de Outono, com a sua leve tristeza.

Site
MySpace

posted by H. @ 11:37 da manhã   0 comments
sábado, setembro 23, 2006
Vídeo da Semana | Fat Boy Slim | Weapon of choice


Fat Boy Slim, Christopher Walken e Spike Jonze. À partida não há nada que os relacione, mas é exactamente da sua ligação que nasce um dos melhores vídeos de sempre. Spike Jonze, realizador de Being John Malkovich e conhecido pela suas parcerias com Bjork, pensa e executa um vídeo fantástico que tem apenas como protagonista um homem que, ouvindo a música de Fat Boy Slim ao fundo do corredor, começa a dançar. Para tal, e como acontece na maioria dos vídeos do género, o procedimento normal seria recrutar um novo e desconhecido bailarino para protagonizar o vídeo. Mas nada disso. Spike Jonze preferiu jogar com o factor-supresa e escolheu nada mais nada menos que os anos e o reconhecimento de Christopher Walken. E de facto, Walken surpreende quer pelos seus passos electrizantes, quer pela sua jovialidade e espectacularidade deixando boquiabertos aqueles que o viam apenas como um velho actor. Assim sendo Weapon of a Choice é um pequeno pedaço de arte, mas menos não seria de esperar quando se juntam mentes como as dos envolvidos. Assim, os que já o conhecem têm agora a oportunidade de o recordar, os que ainda não tiveram esse prazer, preparem-se para serem surpreendidos.
posted by P.R @ 2:50 da tarde   6 comments
segunda-feira, setembro 18, 2006
Primeiras aventuras na Cinemateca

No âmbito do seu ciclo "Óscares de Melhor Direcção Artística", a Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema irá exibir esta semana o primeiro filme da Guerra das Estrelas, intitulado precisamente de Guerra das Estrelas mas rebaptizado depois como Episódio IV - Uma Nova Esperança (Terça-feira, dia 19) e o primeiro filme da saga Indiana Jones, Os Salteadores da Arca Perdida (Quinta-feira, dia 21). Os dois filmes serão exibidos às 15:30 na sala Dr. Félix Ribeiro.
Esta é uma ocasião a não perder para os fãs das duas sagas, em especial aqueles que, como eu, nunca tiveram oportunidade para ver estes primeiros filmes em cinema.
posted by H. @ 12:09 da manhã   0 comments
domingo, setembro 17, 2006
Penélope Cruz rumo ao Óscar



Nunca gostei de Penélope Cruz. Vi-a apenas como uma actriz com um palminho de cara e com muito pouco talento. Filmes como Sahara ou Bandidas pareciam também não ajudar na construção de uma carreira sólida em Hollywood. A sua natural pouca predisposição para o inglês origina um sotaque ultra-forçado e as vezes pouco compreensível que chega a tornar-se caricato. Enfim, mais uma actriz latina que se impunha pela sua beleza e pouco mais...

Mas, eis que chega Volver. Um regresso ao cinema de Almódovar, um regresso à sua língua que, obviamente, dá à personagem uma outra naturalidade, e a sua estreia como protagonista. E se a beleza permanece, desta vez é o talento que sobressai num desempenho fabuloso. Dona de uma capacidade dramática e de uma garra que, concerteza, irão surpreender os mais cépticos como eu, Penélope tem um desempenho imperial, colocando-se na galeria dos melhores desempenhos femininos do ano. De uma força bruta e de uma sensibilidade tocante Penelópe emocionará todos aqueles que lhe derem uma oportunidade para tal. Qual Midas, a nova musa espanhola têm até o dom de transformar um playback forçado numa das melhores cenas do ano, tal a grandeza da sua interpretação.

Felizmente, estes não são elogios pontuais. Depois de ter ganho, juntamente com todo o elenco feminino de Volver, o prémio de melhor actriz em Cannes foi anunciado agora que se apresentará em Outubro para receber o prémio de melhor actriz no 10º Festival de Cinema de Hollywood. Depois de uma Catalina Sandino Moreno e de uma Keira Knightley eis que a Academia se prepara para nomear mais uma nova actriz, mas desta vez com um desempenho em tudo superior as anteriormente citadas.

Assim, e fazendo um prognóstico arriscado quer me parecer que só restam três vagas para o óscar de melhor actriz, pois Hellen Mirren e Penelópe Cruz já ocuparam devidamente as suas posições.
posted by P.R @ 2:16 da tarde   2 comments
sábado, setembro 16, 2006
Vídeo da Semana | Placebo | Pure Morning

A friend in need’s a friend indeed, a friend who’ll tease is better…

Descobri Placebo relativamente tarde mas entraram logo para o grupo das minhas bandas de eleição. “Pure Morning” do seu segundo e aclamadíssimo álbum «Whitout You I’m Nothing» é antes de mais uma excelente canção. Mas além disso, o vídeo-clip de Nick Gordon dá-lhe um interesse acrescido. Com Brian Molko, o vocalista dos Placebo, em primeiro plano, o vídeo é como uma pequena cobertura mediática de um suicídio. E se o tema já por si é controverso, a androginia característica de Brian Molko, aliada à figura duvidosa e frágil que ele compõe neste vídeo tornam esta “Pure Morning” numa verdadeira pérola provocadora do universo dos vídeo-clips.

Este vídeo funciona também como uma homenagem (talvez tardia) ao nosso Miguel, que se despediu do Take a Break recentemente. Sabendo como ele gosta de Placebo, não poderia deixar de agradecer com eles a sua passagem por aqui – e que voltes sempre que queiras!

posted by H. @ 11:20 da manhã   3 comments
quinta-feira, setembro 14, 2006
Equador adaptado.... pela TVI



Dias depois de se saber que a obra-prima Ensaio sobre a Cegueira do génio Saramago será adaptado ao cinema, chega hoje a notícia que o livro português mais lido dos últimos anos será também adaptado mas, à televisão. Apresentado como um grande aposta da TVI e a maior de sempre na história da televisão, as filmagens acontecerão em Portugal e em S. Tomé e Princípe e será dividido em 27 episódios, apesar de ainda não se saberem quais os actores que integrarão este projecto.

Falando um pouco desta obra de Miguel Sousa Tavares, Equador é um livro belíssimo, como uma história muito bem construída e que prende o leitor. Um dos pontos que mais apreciei, para além da evolução das personagens, foi a capacidade fascinante de Sousa Tavares de transmitir de forma eloquente os cheiros, sabores e as paisagens de África, dando ao telespectador um pouco da mística deste continente que tão querido é dos portugueses.

Equador é, assim, um livro apaixonante e, como comentei com várias pessoas, um livro que bem adaptado daria um excelente filme. Agora, convenhamos um dia sabemos que Ensaio sobre Cegueira vai ser adaptado por Fernando Meirelles, noutro sabemos que Equador será adaptado pela TVI... Parece-me que as expectativas pouco têm de similiares.
posted by P.R @ 9:22 da tarde   8 comments
David Fonseca na Aula Magna

Finalmente em Lisboa! No âmbito de uma tour que já o levou a vários pontos do país, David Fonseca vai finalmente actuar na capital no dia 23 de Novembro, quinta-feira. O concerto terá lugar na Aula Magna, às 21:30 e os bilhetes (a 20 e 25 euros) já se encontram à venda. Para os fãs do músico da área lisboeta a notícia não poderia ser melhor!
posted by H. @ 2:24 da tarde   4 comments
terça-feira, setembro 12, 2006
O Historiador | Elizabeth Kostova

Como já lhe disse, no fundo sou um estudioso, como sou um guerreiro, e aqueles livros fizeram-me companhia durante os meus longos anos. Há também muita coisa prática que se aprende nos livros (…)

E se Drácula continuasse vivo após 500 anos? E se Drácula fosse, além de vampiro, um historiador, dono de uma das mais espantosas bibliotecas do mundo?
Estas são as premissas de O Historiador, romance-sensação da americana Elizabeth Kostova, uma daquelas leituras de férias que fazem reviver o espírito história/aventura de Indiana Jones e a fatalidade romântica de Bram Stocker.
Não sendo nenhum clássico contemporâneo, mas afastando-se do vazio de inúmeros títulos que povoam as livrarias – frutos de uma recente febre de romances históricos despoletada pelo célebre Código Da Vinci O Historiador é uma obra apelativa não só para quem se interesse pela figura de Vlad “O Empalador” como para apreciadores de livros de aventuras.

Demonstrando um satisfatório trabalho de pesquisa (a autora terá demorado dez anos a concluir o livro), Kostova transmite uma série de dados curiosos obre a história medieval da Roménia e a história moderna do Leste Europeu e do Império Otomano, juntando-lhes uma pitada de história contemporânea nas partes que se desenrolam em antigas repúblicas socialistas soviéticas. Sendo um dos protagonistas historiador e outra antropóloga, o livro é enriquecido por diversas informações interessantes que são tão importantes como a vertente ficcional da trama – com fugas, segredos e enigmas, todos desvendados seguindo um caminho que Kostova tenta que se aproxime do do trabalho de investigação historiográfica.

As suas 598 páginas podem torná-lo de leitura maçuda, por vezes até um pouco repetitivo, mas não tiram ao livro o seu interesse, que talvez esteja mais nas entrelinhas que na “acção” explícita.
Leitura descontraída, a vários pontos empolgante, O Historiador é um livro bom para o tempo livre das férias, recomendando-se para quem gosta de ler um livro que facilmente se pode imaginar como filme. Esperemos que se algum dia chegar aos ecrãs, seja feito com mais subtileza e imaginação que O Código Da Vinci.

posted by H. @ 10:43 da tarde   1 comments
Vídeo da Semana | Portishead | Only You


Os senhores do trip-hop, que ainda nos estão a dever um novo àlbum, fabricaram um dos mais perturbadores e fascinantes vídeos de sempre. Uma menina canta (com a raiva de um adulto), num concurso de talentos, uma canção de amor. Brilhante o pormenor do apresentador tirar os óculos no inicio da actuação e só os voltar a colocar no final. A desresponsabilizar-se do que se ía passar. Sublime.
posted by not_alone @ 8:32 da tarde   2 comments
segunda-feira, setembro 11, 2006
United 93 - Visões diferentes do mesmo filme



Porque é que United 93 é uma obra-prima?

H.: United 93 foi um filme que aguardei com interesse moderado na medida em que me pareceu demasiado alarido promocional para pouco resultado. Quando o vi no cinema mudei radicalmente o meu parecer. Paul Greengrass eleva-se a uma dimensão cinematográfica magnífica, filmando com uma crueza arrepiante o que sucedeu em vários locais durante algumas horas do 11 de Setembro. Dos controladores aéreos às hospedeiras do voo 93 da United Airlines o filme é tão despretensioso e realista que é quase um documentário, filmado sem celebridades ou verbas exageradas, mas centrando-se numa intenção de objecto de memória. Assumidamente, é um filme para que o mundo não esqueça, mas ao invés de uma homenagem sentimentalista, é um retrato tão fidedigno que é como se uma câmara lá estivesse e nada tivesse sido encenado. O perturbador é isso. É a “normalidade” de tudo. É isso que torna United 93 um filme que ultrapassa a mera dimensão de filme para ser quase um “documento”. É, sem qualquer dúvida, uma das obras fulcrais de entre as estreias deste ano – a par do recentemente estreado Paradise Now.

Porque é que United 93 é um filme vulgar?

Ana Silva:
Primeiro que tudo, não chamaria United 93 de filme. Na minha opinião, o cariz documental é o que mais caracteriza esta película, que nos mostra pouco mais do que já imaginaríamos nas nossas cabeças. Todo o enredo gerado em torno do que aconteceu no dia 11 de Setembro, há exactamente cinco anos atrás, acaba por ser demasiado linear e minimalista nos pormenores, não incutindo qualquer tipo de dramatização no espectador.

Por outro lado, a grande maioria de United 93 é composta por imagens dos bastidores deste atentado: o que aconteceu nos postos de controlo, nas companhias aéreas, nos agentes que perderam contacto com os aviões. De facto, muito deste ‘documentário’ são telefonemas entre representantes e militares, que procuram encontrar mais informação e chegar a um consenso sobre como intervir na situação e conseguir evitar a catástrofe.

É por tudo isto que não considero, de alguma forma, United 93 uma grande obra, ou algo extraordinário. De facto, não consegui emocionar-me com nenhuma das cenas, com nenhuma das personagens, ou sequer com a situação em si, que já foi tantas vezes alvo de análise nos últimos anos. Na verdade, acho que United 93 mostra simplesmente um sem fim de procedimentos políticos e militares que não se conseguiram integrar como deviam, e que acaba por não acrescentar muito a todos aqueles que acompanharam de perto toda a mediatização posterior ao atentado.

No fundo, sem querer denegrir a película, atribuo-lhe sim um carácter documental de qualidade, bem conseguido, que demonstra um equilíbrio de análise. Com efeito, tal como as imagens dos terroristas não surgem como um ataque directo e profundo ao mundo árabe, United 93 também não é um ‘hino’ à nação americana, deixando explícitas algumas incapacidades do seu regime político e militar.
posted by H. @ 10:02 da tarde   5 comments
quarta-feira, setembro 06, 2006
Superman Returns



O salvador está de volta. Literalmente caído dos céus, o seu fato azul e a capa vermelha esvoaçante voltam a preencher o grande ecrã e a deleitar as inúmeras Lois Lane’s que se espalham pelo globo.

Nunca fui uma seguidora atenta do Super-homem, nem me deixei seduzir pelo personagem ou pelos filmes que trouxeram a BD até ao cinema. No entanto, este filme traz uma carga simbólica forte, associada à ausência prolongada do Super-homem no cinema e nas nossas vidas.

Pode dizer-se que Brandon Routh é, efectivamente, um herói. Extremamente parecido com Christopher Reeve (demasiado, talvez) consegue ter a postura resistente e imbatível e, ao mesmo tempo, terna e elegante. O jovem actor consegue estabelecer a barreira entre o tímido Clark Kent, sempre meio atrapalhado, e o herói salvador, forte, corajoso e determinado. Aí, o olhar não treme nem se desvia, as palavras soam com uma limpidez extrema, e o toque parece ser aveludado para que o herói mais facilmente se mova por entre as nuvens mais altas.

Lois Lane está igual a si mesma. Ainda que a actriz Kate Bosworth pareça transparecer um ar algo frágil e uma figura de menina, Lois é sem dúvida uma mulher determinada. A mulher cheia de convicção que se recusa a viver presa a um efémero “Super-homem”, e que surge neste filme com a sua vida reconstruída. Agora, um filho e um novo homem fazem parte da sua vida.

que mais cativa neste filme é conseguir perceber as mudanças que este personagem mítico sofreu. Na sua forma de estar, de agir e de lutar por um mundo melhor. Principalmente, todos ansiamos pelo reencontro de Lois com o seu grande amor e por ver a faísca ambivalente que cresce entre as duas personagens. Consegue ver-se que existe uma ligação intensa, ainda que não necessariamente física ou próxima. O ar desajeitado do jornalista Clark Kent deixa-o somente balbuciar palavras soltas quando vê Lois e sente-se a tensão na voz de Lois quando o tema é o seu amor-ódio Super-homem. E no fundo, é tudo isso que dá sentido ao filme, é perceber de que forma Lois acaba por engolir o orgulho e entregar-se, e por outro lado, de que forma é que é Lois Lane acaba por ser a salvadora do herói.

Superman Returns agradou-me mais do que esperava. Não diria ser um filme imperdível, mas julgo que talvez nos dê uma outra perspectiva do globo e das pessoas. Acima de tudo, pode quem sabe, ensinar como nos podemos salvar uns aos outros. Às vezes, basta querermos.



Classificação:
posted by Ana Silva @ 6:13 da tarde   3 comments
Dvd com o Expresso

Para além da mudança ao nível do seu formato, o semanário Expresso decidiu presentear os seus leitores com dvd's de filmes que, nos últimos anos, fizeram bastante sucesso. De facto, a selecção é criteriosa e contempla algumas das melhoras obras da última década, e não só. Como disse em cima, trata-se de facto de uma oferta, pois basta comprar o jornal para termos direito ao filme, ao contrário, por exemplo, com a série Y do Público, onde tínhamos que comprar o jornal e ainda o dvd.

Deixo-vos a lista de filmes e os respectivos dias em que estaram acessíveis:

- 9 de Setembro - Lost in Translation
- 16 de Setembro - Traffic
- 23 de Setembro - As Horas
- 30 de Setembro - O Piano
- 7 de Outubro - Chocolate
- 14 de Outubro - Os Condenados de Shawshank
- 21 de Outubro - Chicago
- 28 de Outubro - Rapariga com Brinco de Pérola

foto retirada de: www.expresso.clix.pt

posted by P.R @ 1:19 da tarde   3 comments
sexta-feira, setembro 01, 2006
Vídeo da Semana | Hoobastank | The reason



Acho que não há muito a dizer sobre esta música, ela fala por si própria. A mim toca-me cada vez que a oiço. Não consigo evitar a emoção e por vezes as lágrimas.. As memórias são muitas, as imagens, as pessoas. Tudo o que está ligado a "The Reason" é tão forte como a mensagem que esta canção nos deixa.
posted by Ana Silva @ 8:44 da tarde   0 comments
 

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