domingo, junho 11, 2006
Super Bock Super Rock | Act 2 | 1º Dia

O dia do Festival Super Bock Super Rock dedicado ao rock alternativo não podia ter começado de melhor maneira. Editors, a banda que no ano passado nos ofereceu o brilhante «The Back Room», foram os primeiros a começar, pelas 18:30. O quarteto britânico demonstra estar um pouco verde no que toca a actuações ao vivo. O público era ainda reduzido mas os Editors conseguiram captar a atenção, nomeadamente nos seus admiradores, grupo no qual me incluo. “Munich” e “Bullets”, os singles até agora editados do álbum tiveram uma melhor resposta, com muitas pessoas a cantarem em conjunto com os músicos, facto de que os Editors se disseram surpreendidos pela positiva. Uma cover de “Road to Nowhere” dos Talking Heads conseguiu juntar toda a assistência em coro e foi um dos momentos altos da performance dos Editors. Foi um primeiro espectáculo da banda em Portugal bastante promissor.


The Weatherman, ou traduzindo por nomes, Alexandre Monteiro, seguiu-se no palco dos portugueses. Pelo que sei, é um nome promissor da pop alternativa nacional, mas como não conhecia a sua música, este concerto teve sobretudo um objectivo divulgador para mim. As sonoridades pareceram-me agradáveis mas creio necessitar de uma audição do disco para formar uma opinião mais concreta.

Os belgas dEUS, já conhecidos das terras lusas há muitos anos, vieram apresentar o seu último trabalho «Pocket Revolution» mas não esqueceram canções de outros álbuns. Conheço apenas medianamente a banda de Tom Barman mas o seu concerto foi o segundo melhor do palco principal dia 7. O seu estilo, o seu som e a sua presença irradiavam uma segurança que ainda falta aos Editors. Houve vários momentos altos, de destacar “Instant Street” e “What We Talk About (When We Talk About Love)” entre muitas mais.


A banda que se seguiu no palco dos portugueses era-me totalmente desconhecida: os Peace Revolution, que confesso não ter ouvido com a devida atenção, lembraram-me a espaços os Blasted Mechanism, mas terei de voltar a ouvir em cd para formar uma opinião melhor definida.

Seguiram-se os The Cult, a mais antiga banda do cartaz. As pessoas que conheceram os seus tempos áureos mostraram-se deveras satisfeitas. The Cult tocam um rock mais clássico, lembrando outros grupos de décadas anteriores. Mas apesar da idade que já se nota, não deixaram de dar um concerto enérgico e poderoso, conseguindo uma grande adesão da plateia quando tocaram êxitos seus como “Rain”, “Revolution” ou o seu primeiro sucesso “She Sells Sanctuary”. O concerto de The Cult teve uma das durações mais longas do dia.

Os portugueses Linda Martini causaram sensação nos últimos tempos mas o seu rock experimental nem sempre conseguiu captar a atenção que merecia. “Este Mar” ou “Lição de Voo Nº 1”, trazem à mente a poesia violenta dos Ornatos Violeta, até a voz do vocalista lembra a espaços Manel Cruz. Mas a sua música, que superlativa o som à voz, passou mais despercebida do que seria de esperar, talvez fruto do facto de a banda a seguir reunir uma assistência um pouco diferente.

Num horário de destaque tocaram os Keane, que estavam um pouco fora do seu ambiente natural. Eu gostei do início da carreira dos Keane, da sua sonoridade sem medo de ser intimista, com canções como as celebérrimas “Everybody’s Changing” e “We Might As Well Be Strangers”. Mas eu gostava exactamente por serem assim, intimistas, bons para tocar em salas pequenas e não num festival de rock. Já não bastava o vocalista dos Keane ter um timbre que lembra imediatamente o interessante Rufus Wainright mas quando começaram a mostrar uma irritante tendência para serem os novos Coldplay o meu gosto foi desaparecendo. O seu concerto foi mesmo chato a espaços, tirando quando tocaram os seus êxitos de inicio (as músicas já citadas e “Somewhere Only We Know” e “This Is The Last Time”). Grupos de adolescentes e raparigas mais velhas entoavam maravilhadas a maioria das letras, mas os próprios Keane nem sempre se souberam servir disso, privilegiando músicas do novo álbum que ninguém conhecia. Numa hora tão de destaque, preferia estar a ver dEUS em horário nobre!

Antes do concerto do dia, aquele que é provavelmente o mais interessante artista português da nova geração brindou-nos com meia hora do que de melhor se faz no panorama alternativo nacional. Paulo Furtado dos Wraygunn, aqui como The Legendary Tiger Man, marcou com a sua carismática presença o palco quinta dos portugueses e fez-me desejar ver um concerto só dele. Imaginem muito (e bom) blues com uns toques de rock, pop, electrónica… E um homem com uma presença em palco que eu só consigo definir como apaixonante (com a miríade de sentido físicos e espirituais que o adjectivo comporta). Este Tiger Man é um verdadeiro one man band, e além de irradiar estilo, adjuvou-se de um ecran onde passavam pequenas curtas onde se recupera uma atmosfera 70’s com um toque erótico-fetichista. Destacaram-se as duas últimas, “Naked Blues” e “Honey, You're Too Much”, e lamenta-se que devido aos atrasos o tenham feito terminar antes do previsto.


Por fim, a fechar a noite com chave de ouro, a banda mais cool do momento, Franz Ferdinand cujo concerto foi um verdadeiro dart of pleasure. Os escoceses são fabulosos em palco! Tal como o previsto, foi o concerto com mais gente a assistir e sem dúvida o melhor desse dia. A sua música presta-se bastante a interpretações ao vivo, basta ouvir qualquer um dos seus dois álbuns para se ficar contagiado com o som. “Do You Want To” ou “Take Me Out” foram feitas para ser comungadas com multidões e o mar de pessoas que encheu o Parque Tejo fez-lhes jus. Para mencionar todas as músicas, não sairia daqui, mas até quando tocaram canções inéditas, os Franz Ferdinand gozaram de uma total empatia com o público que se deixou invadir pela música e delirou. Terminaram com cerca de 20.000 pessoas a cantarem com eles “This fire is out of control, we're gonna burn this city, burn this city!”. Estiveram à altura das expectativas e só posso esperar que cá voltem em breve.

De lamentar, sobretudo duas coisas: a distribuição horária das bandas do palco principal e que os Placebo não tocassem neste dia!

posted by H. @ 12:20 da manhã  
9 Comments:
  • At 10:28 da manhã, Blogger P.R said…

    Foi sem dúvida um excelente dia de festival. No entanto, se Franz Ferdinand simplesmente arrasaram Keane foi sem dúvida o elo mais fraco do dia estando, claramente, deslocados de tudo o resto.

    Quanto às bandas portuguesas esperava melhor. Se Linda Martini foi uma bela surpresa, The Legendary Tiger Man passou-me uma imagem de um narcisismo puro e de um vedetismo irritante. Em termos musicais prefiro a sua banda, Wraygunn.

     
  • At 2:38 da tarde, Blogger H. said…

    Bem... ele é convencido mas tem razões p/ isso :)

     
  • At 2:43 da tarde, Blogger H. said…

    e vossemecês não postam nada? estava à espera de ler o que acharam (bem, tu acabaste de o fazer, mas o not_alone? e os restantes membros do blog?)

     
  • At 3:39 da tarde, Blogger P.R said…

    Pois minha cara, o verdadeiro artista é aquele que alia um grande talento a uma grande dose de humildade, que faz com que tente cada vez mais fazer melhor.. E não é a ser mal-educado e atirar guitarras no fim dos concertos que o vai conseguir :P

    Quanto ao dia se não o disse em cima, digo-o agora: foi muito bom!! :D

     
  • At 8:23 da tarde, Blogger PalavrasDitas said…

    Tambem prefiro os WrayGun ao Legendary mas gostos sao gostos... Tenho critica a esse dia no meu blog se quiserem passem por la. abraços

     
  • At 8:56 da tarde, Blogger H. said…

    há verdadeiros artistas que são extremamente arrogantes, basta viajarmos até ao mundo das artes plásticas... e ninguém tira mérito ao seu génio :P
    mas se quiseres um exemplo na música, melhor ñ há que o inigualável Mozart!

    o Legendary Tiger Man é um excelente artista, seja em que parte do mundo for, ñ é só por ser português (está acima do conceito!)... a sua atitude foi motivada pelo que sei por atrasos na organização e por problemas técnicos... mas tb entendo quem ñ tenha apreciado a reacção irritada dele... ainda assim, recomendo-te os albuns, mto bons!

     
  • At 12:36 da tarde, Blogger not_alone said…

    Tanto eu como o Pedro decidimos deixar o teu post como estava porque concordámos com a maior parte das coisas que dizias. (e, falo por mim, tenho tido muito pouco tempo para os blogs)

    No palco principal sou capaz de ter gostado mais dos dEUS do que de Editors, mas aquela cover que os Editors fizeram foi um momento mágico.

    Mas, sem dúvida, os reis da noite foram os Franz Ferdinand. Quando já parecia estar tudo a dormir, depois do péssimo concerto dos Keane, os Franz Ferdinand pegaram no público e agitaram-nos até à exaustão. Fantásticos mesmo.

    No palco Worten, concordo com o Pedro, o Legendary Tiger Man precisa de uma boa dose de humildade, mas os Linda Martini foram ainda melhores do que esperava.

    The Cult sofreu do mesmo problema que os Alice In Chains no 2º dia. Já está na altura de arrumarem as botas e deixarem saudades...

     
  • At 9:39 da tarde, Blogger H. said…

    not_alone, eu se calhar ñ fui mto explícita num ponto: eu tb gostei mais do concerto de dEUS do que do de Editors, apesar de conhecer melhor a música dos 2ºs. a banda de Tom Barman foi uma agradável surpresa. os 'meninos editores' precisam de mais experiência mas ñ duvido que serão arrebatadores em palco daqui por uns tempos. de qq forma, ñ desapontaram...

     
  • At 5:03 da tarde, Anonymous Tiago said…

    Pois meus caros, tendo em conta a hora a que tocaram, o pouco público e a luz do dia, não tenho quaisquer duvidas em dizer que, a seguir a franz ferdinand, os editors foram a melhor banda do festival (sim, porque tirando este dia, não havia nada de jeito, para mim...). Curiosamente, não gostei de dEUS e estava mutio curioso. Concordo qeu Cult já estavam bem era enterrados. Relativamente ao palco worten, confesso que não ouvi nenhuma banda com atenção mas linda martini areceu-me com alguns toques de boa musica. Vi legendary tiger man em paredes de coura e gostei muito mais...

     
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