quarta-feira, fevereiro 21, 2007
Hollywoodland

Hollywood, 1959. George Reeves (Ben Affleck), actor americano celebrizado pela sua interpretação na série televisiva Superman, morre com um tiro na cabeça, tendo aparentemente decidido acabar com a própria vida. Pelo menos é essa a causa oficial da sua morte, de acordo com a polícia de Los Angeles, mas tal ideia é recusada pela mão do actor, que contacta uma agência de detectives, convencida que foi outra pessoa a premir o gatilho. Entra em cena Louis Simo (Adrien Brody), detective privado e com propensão para dar nas vistas, constantemente à procura das luzes dos flashes e do seu nome nas primeiras páginas dos mais importantes jornais. A sua investigação leva-o a reunir uma considerável lista de supostos suspeitos, mas também a inquietar alguns dos homens mais poderosos da indústria do cinema, determinados a manter Louis em silêncio.

Tal como aconteceu no ano passado com The Black Dahlia, Hollywoodland é um policial de época, baseado caso verídico e violento ocorrido no seio da fábrica de sonhos americana, que ao mesmo tempo em que joga com as convenções do cinema policial, se debruça também sobre o lado negro e desencantado do mundo do cinema. Allen Coulter não revela propriamente, no seu filme de estreia, um talento comparável ao de Brian DePalma, que com o seu filme transportou o género para um universo muito particular e muito pessoal mas, ainda que se mantenha mais convencional, não deixa de nos oferecer uma obra particularmente interessante, cuja história vagueia no tempo entre a vida de Reeves e a investigação do seu homicídio. Os fãs do género incapazes de resistir a uma trama misteriosa, com fatos, carros e cenários da época, sairão da sala satisfeitos com o produto final que, embora longe de deslumbrar, cumpre duas horas de entretenimento sóbrio.

Entre outros méritos, o filme ainda devolve a Ben Affleck algum do brilho perdido nos últimos anos em filmes menores, numa personagem que lhe parece assentar que nem uma luva, permitindo-lhe explorar quer a sua veia cómica mais habitual, quer o seu lado mais negro e dramático (e frequentemente comovente), ele que está tão bem acompanhado por gente como Adrien Brody, Bob Hoskins e Diane Lane. Ainda que por vezes perca algum do seu fôlego, e nos deixe com a sensação de que poderia ter ido mais longe na exploração dos podres de Hollywood, Hollywoodland consegue também abordar, ainda que de forma subtil, o princípio do declínio da época de ouro dos grandes estúdios e a forte concorrência exercida pela televisão ao cinema que, de certa maneira, a figura de Reeves representa de forma tão trágica. Uma obra que merece ser visitada.

posted by Juom @ 6:40 da tarde  
3 Comments:
  • At 7:25 da tarde, Blogger P.R said…

    Confesso que no meio de tantas e boas estreais, acabou por ficar para trás Bobby e este Hollywoodland. De qualquer forma, se se aguentar nas salas de cinema talvez ainda lhe ponha os olhos em cima... :)

     
  • At 12:09 da tarde, Anonymous Roberto Queiroz said…

    Concordo com p.r. Acho que Bobby e esse Hollywoodland acabaram prejudicados pot tantas boas produções (até Dreamgirls ficou de fora dos prêmios principais!). Quero muito ver ambos os filmes, no entanto tenho um interesse maior por Hollywoodland pois gosto desse clima de tragédia envolvendo a indústria do cinema (como aconteceu em Verdade Nua, de Atom Egoyam).

    (http://claque-te.blogspot.com): Rocky Balboa, de Sylvester Stallone.

     
  • At 12:32 da tarde, Blogger Paulo said…

    De entre os dois, pessoalmente recomendaria "Bobby", mas lá está... eu gosto desse tal "clima de tragédia envolvendo a indústria do cinema", mas também adoro filmes-mosaico ao bom estilo de Altman...

     
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