terça-feira, fevereiro 28, 2006
Radio Blog

Porque queremos dar ao nosso blog uma razão para passarem cá mais tempo, decidi adicionar uma rádio blog, com uma selecção de música principalmente alternativa, mas com um pouco de outros géneros também, uma boa escolha para quando quiser fazer uma pausa. Que é como quem diz, Take a Break. :P

Para além de música a nossa rádio tem ainda notícias relacionadas com música, entrevistas a artistas e muito mais que agora não me lembro.
posted by not_alone @ 1:15 da tarde   4 comments
domingo, fevereiro 26, 2006
Transamerica


Como é que sabemos se o corpo que temos é ou não o corpo certo para nós? Em que altura da nossa vida nos conseguimos rever num determinado corpo, numa forma, num rosto? E até que ponto é que somos suficientemente fortes ou corajosos para admitirmos que não somos este corpo, que nos sentimos presos nele, enclausurados numa massa que não é nossa nem faz parte de nós?

Transamerica faz-nos pensar nisso tudo, no corpo como ponto de partida para a vida em sociedade, nas diferentes maneiras de ser, através da brilhante Felicity Huffman que desempenha Bree de uma forma simplesmente fantástica. Neste filme, Bree faz-nos pensar no dilema, no sofrimento e na angústia que coexistem num transsexual e, mais do que isso, faz-nos perceber a ansiedade e a importância da derradeira operação, como o grande sonho de qualquer pessoa que pretende unicamente encontrar-se, a si mesma e ao mundo.

No entanto, não me parece que Transamerica seja um filme sentimentalista ou até mesmo dramático. Na verdade, o filme deixa transparecer uma certa leveza com que a transsexualidade deve ser encarada, através de um registo mais cómico que é, de novo, brilhantemente conseguido por Bree, sempre um pouco desajeitada em situações menos próprias. Contudo, o tema é tratado ao longo do filme com seriedade e dignidade, principalmente através do apelo constante aos sentimentos dos dois personagens principais, Bree e Toby (Kevin Zegers), que transparecem a busca de ambos pelo seu caminho e pelos seus sonhos.

Assim, é impossível ver este filme sem por vezes cair na tentação de o reduzir à fabulosa interpretação de Felicity Huffman. É impossível deixarmos de pensar no seu desempenho tão perfeccionista, conseguindo absorver toda a nossa atenção e fazer-nos render ao seu carisma. Pela sua voz, pelo andar, pelo ar desajeitado, pela resistência e pela força de vontade, cinco estrelas para Bree Osbourne.


Classificação:
posted by Ana Silva @ 1:26 da manhã   2 comments
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
A Clockwork Orange – A play with music

(…) É, além disso, uma versão que, ao contrário da adaptação cinematográfica de Kubrick, abarca a totalidade do livro, apresentando no fim um herói delinquente que está agora em processo de crescimento, que se apaixona, que inicia uma vida decente e burguesa com mulher e filhos, e que nos consola com a doutrina de que a agressão é um aspecto da adolescência que a maturidade rejeita. (...) Anthony Burgess (autor da obra)

No passado mês de Janeiro, subiu ao palco da Culturgest uma hilariante adaptação da novela de Antthony Burgess; A Clockwork Orange – A play with music.

Mais do que um comentário descritivo, urge analisar a essência desta obra. Assim, tão latente na pós-modernidade, a temática do “livre-arbítrio versus predestinação” é o ponto incontornável desta peça, cirurgicamente interpretada.

O protagonista, Alex, opta deliberadamente pelo mal, como meio de libertação espiritual, uma vez que o bem é intrínseco a quem que escolhe deliberadamente o mal, ao invés de quem é forçado a ser bom.

Na peça em questão é visível a aceleração de alguma das cenas, mais mediáticas do filme. Da mesma forma, constata-se um novo olhar central, mais do que uma história sobre um marginal, a questão é a da resistência de Alex aos métodos científicos, possíveis de obrigar a ser bom.

Ora, os homens são como são e é impensável forçá-los, quer por meios científicos, quer por meio de pressões ou condicionamentos sociais, a alterar o seu conteúdo nuclear.

José Eduardo Rocha surge como director musical de uma peça intimamente relacionada com a música que a acompanha. Ou será o texto que acompanha a música? A dúvida permanece. No entanto, um facto é certo, a música surge em diálogo com o texto dramático e ambos os elementos assumem uma elevada importância teatral.

No limite, poder-se-á afirmar que estas metáforas musicais fazem parte da peça como outro qualquer elemento cénico. Assim, a música metacomunica o texto e a peça é inconcebível sem música, uma vez que esta é em si, texto.

O que fica desta leitura/ida ao teatro? Uma olhar inquietante sobre o controlo estatal que exclui uma possível e livre redenção. Esta perturbante e inteligente relação entre o cidadão e o Estado, não permite a fuga, persegue-nos e impõe-se enquanto cenário de reflexão e pensamento.

Obrigado Rita


Classificação:
posted by cristina serralheiro @ 2:40 da tarde   3 comments
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
Walk the Line


Hollywood parece que está, cada vez mais, a especializar-se na adaptação para o grande ecrã das vidas dos seus ídolos. Depois de Ray Charles, Bobby Darin, Elvis (na televisão), entre outros, chega-nos este ano mais uma panóplia de biopics que alçançaram bastante sucesso, como é o caso de Good Night and Good Luck, Capote e Walk the Line. E se estes três eram dados como certos na categoria de Melhor Filme nos óscares, Walk the Line não conseguiu o seu lugar, dando espaço, merecidamente, para o "regresso" de Munich. Muito se pode argumentar porque é que Walk the Line não teve força para constar entre os cincos filmes do ano. Quanto a mim a explicação reside num factor: Ray. De facto, o ano passado Ray conseguiu a última vaga nos cincos nomeados passando à frente de filmes como Eternal Sunshine of the Spotless Mind e Hotel Rwanda e, este ano, a Academia não quis seguir a mesma linha e nomear um filme tão parecido. Alías, este ponto justifica igualmente as fracas possibilidades de Joaquin Phoenix chegar ao Óscar sendo que este já está, à partida, entregue. Mas chega de divagações acerca de prémios cinematográficos e passemos à crítica ao filme.

Walk the Line não é um grande filme mas também não é medíocre. Na verdade, mesmo que o filme fosse péssimo as actuações dos actores principais dariam-lhe um certo brilho. Este é, na minha opinião, o grande trunfo do filme pois, de facto, Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon estão avassaladores e têm uma química que não deixa ninguém indiferente. De facto, James Mangold foi inteligente em centrar o seu filme na relação de Cash e June pois desta forma o filme ganha outro interesse, apesar de depois se arrastar num registo melodramático que, episodicamente, poderia ter sido evitado.

Quanto às críticas feitas relativamente aos biopics serem, em termos narrativos, muito estereotipados, penso que são reflexões sem fundamento. Tudo o que é mostrado em filme, trata-se de situações verídicas e não fazem parte de nenhum argumento talhado para cinema. Assim, se vários ícones americanos entraram na espiral das drogas, tiveram problemas conjugais e sofreram traumas na infância, não se lhes pode acusar de serem pouco originais. E, relativamente ao cinema, se esses traumas e essas circunstâncias da sua vida, legitimam certas acções ou estão por detrás de determinados comportamentos faz todo o sentido que se faça alusão a isso. Agora a forma como tal é feito, isso sim já pode ser discutível. E é exactamente na forma como Mangold adapta esses acontecimentos da vida real para objecto cinematográfico que o filme perde a sua força, pois existem momentos do filme que poderiam ser evitáveis. Por outro lado, a realização nem sempre está a um grande nível ao contrário da banda-sonora, onde as vozes dos actores (depois de mais de seis meses de aulas de canto) são uma bonita homenagem aos cantores originais.

Um último apontamento em relação à actuação de Phoenix. O seu desempenho foi muito elogiado devido ao facto de ter captado a essência de Cash na sua forma de estar na vida e até mesmo nos seus trejeitos e na forma como canta. Contudo, eu sou incapaz de fazer tal análise pois não conheço Cash e, como tal, nunca posso afirmar que Phoenix está irrepreensível na sua composição. Na verdade, o actor tem um excelente desempenho mas não existe a possibilidade de comparação. O mesmo acontece com Reese Witherspoon. No entanto apesar de não saber até que ponto esta captou a essência da verdadeira June Carter, a verdade é que o seu desempenho é deslumbrante, espalhando magia e alegria em cada cena, conseguindo, em alguns momentos, cativar-me mais que a actuação de Phoenix

Assim sendo, Walk the Line é um filme vulgar, onde a aceitação tão entusiasta pela crítica americana apenas pode ser explicada pelo facto de ser uma personalidade bastante amada pelos americanos. De facto, excluindo os desempenhos, não existe nada de extraordinário neste filme, limitando-se a cumprir, sem grande brilho, aquilo a que se propunha: homenagear Johnny Cash.

Classificação:
posted by P.R @ 10:36 da manhã   4 comments
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
Dose dupla: Kubrick
Full Metal Jacket


Os filmes de guerra nunca exerceram um grande fascínio sobre mim, mas com Full Metal Jacket foi diferente. O que me arrebatou neste filme, para além dos seus virtuosismos técnicos, foi a ironia ácida que está por detrás de cada cena. Cada frame é marcada pela visão peculiar e tenebrosa que Kubrick tem da guerra, visão essa que atinge o seu expoente máximo no arrebatador final do filme.

No entanto, Full Metal Jacket apresenta duas partes bem distintas. A primeira centra-se no recrutamento e no treino dos jovens soldados que sendo uma parte fundamental para perceber as suas motivações no campo de batalha, é, sem dúvida, a parte mais bem conseguida do filme. É exactamente nesta parte que nos é apresentado o Sargento Hartman, um desempenho absolutamente devastador de R. Lee Ermey que, com um simples olhar, espelha toda a arrogância e quase malvadez que todos nós, secretamente, pensamos existir nos responsáveis pelo recrutamento militar. Kubrick pega assim nos nossos receios e maximiza-os com uma personagem estranhamente real. É neste contexto também que surge a soldado Pyle e cuja evolução é das mais marcantes da história do cinema, culminando numa cena absolutamente genial.

Desta forma, se a passagem para a segunda parte do filme é intocável, o desenvolvimento da mesma não o é. De facto, apesar de se exibir igualmente num patamar elevado, a verdade é que o filme vai perdendo algum fulgor narrativo, o que o afasta do estatuto de obra-prima. No entanto, Kubrick redime-se com um final digno de toda a sua filmografia e que, de certo, irá arrepiar todos aqueles que estiverem imbuídos no espírito do filme.

Um último apontamento em relação ao paralelismo que se pode fazer entre Full Metal Jacket e Jarhead, quer ao nível da estrutura narrativa, quer do inicio do filme quer mesmo, episodicamente, em termos de fotografia. No entanto, Mendes não é Kubrick e Jarhead não é, de modo algum, Full Metal Jacket.

Classificação:

Barry Lyndon




Sem grandes rodeios, Barry Lyndon é uma autêntica obra-prima. Extremamente inovador para a época, para o qual foram desenvolvidos novas câmaras capaz de filmar interiores com luz exterior, este filme de Kubrick é irrepreensivelmente escrito, genialmente realizado e interpretado sem mácula, o que faz dele um dos mais representativos da excelência de Kubrick.

Sendo uma verdadeira epopeia humana, o filme segue a história de Barry Lyndon, mostrando a forma como se desenvolve quer em termos sociais quer em termos humanos. De facto, se no inicio temos um jovem Barry inocente e embriagado de amor por uma prima, no final temos um Barry Lyndon corrompido pela sociedade e pelo dinheiro, um homem arrogante e perverso cuja capacidade de sentir e de amar se vai diluindo à medida que o tempo passa.

Filmado quase na totalidade através de câmaras fixas, o filme acompanha cerca de 20 anos de vida de uma personagem de forma verdadeiramente consistente e credível e, embora o filme não seja muito pequeno (184 minutos), a verdade é que a experiência de ver Barry Lyndon é algo transcendental. De facto, e tendo em conta a actual desinspiração de Hollywood em relação às biopics, penso que Barry Lyndon dá o exemplo perfeito de como se pode contar a história de uma pessoa de forma irreprensível.

Sendo, na minha opinião, ligeiramente inferior a Clockwork Orange, a sua grande obra-prima, a verdade é Kubrick tem aqui o grande épico da sua filmografia, e que nos faz, inevitavlemente, relembrar grandes clássicos como E tudo o vento Levou. Barry Lyndon: um filme incrivelmente bom e absolutamente imperdível.

Classifação:
posted by P.R @ 2:49 da tarde   3 comments
domingo, fevereiro 19, 2006
Luz na Cidade




















Finalmente uma ida ao teatro. Se ir ao cinema é sempre uma experiência agradável e surpreendente por não sabermos exactamente o que nos espera, as minhas idas ao teatro são ainda mais intensas. Não que um filme não possa ter uma intensidade imensa, que nos arrebata, mas quando temos diante de nós uma história, ao vivo e a cores, é muito diferente. É quase como uma seta que vai directa ao coração. Não é a mesma coisa quando alguém conta a sua vida e a partilha com um público presente; não é mesma coisa quando alguém tem um ataque de choro a dois metros de distância de nós. E depois, ao mesmo tempo que queremos levantar-nos e dizer-lhe que está tudo bem, ouvimos aquela voz que nos diz “Fica quieta e deixa-te levar. Espera pelo que vem a seguir.” É isso que acontece no teatro. No teatro, é muito mais difícil deixarmo-nos envolver, exactamente porque a pessoa está ali mesmo, é palpável, podemos sentir a sua respiração e o seu olhar no nosso. E quando esse olhar não é real nem intimamente estabelecido, não há solução senão apreciarmos tão somente a história e pensar sobre o que é dito.

Luz na Cidade é uma peça onde isso aconteceu por alguns momentos. Se aquela sala vermelha, o espaço em si, proporcionava uma intimidade com os actores e uma proximidade pouco usual, houve alturas em que parecia existir uma certa desconexão com o palco, na minha opinião essencialmente provocada pelos pequenos filmes que separavam as cenas e que procuravam prolongar um pouco mais a vida de cada um dos personagens.

De qualquer modo, dá-me sempre um enorme gozo ver teatro. Talvez por não ser um ritual tão frequente como ir ao cinema, ganha um gosto, uma adrenalina especial. Desta vez, foi muito bom poder reconhecer no actor Rui Mendes um grande talento. Muito melhor no palco do que na televisão, sem dúvida. Uma naturalidade imensa, um discurso que nos faz pensar na vida a dois, no futuro e inclusive na morte. A morte acaba por ser o mote para pensarmos atentamente em tudo aquilo que fazemos na vida, sobre as nossas escolhas e decisões.

É nisso que se reflectem as restantes personagens, são elas mesmas o resultado das suas opções. São José Correia está de facto muito bem, com uma presença em palco muito forte. A única cena de que faz parte é suficiente para demonstrar o seu talento e a sua capacidade para envolver o público. Puxa por nós e quase que nos coloca na sua pele, sentindo o seu sofrimento e a sua perda. Por fim Marco Delgado, a personagem que é o fio condutor de toda a história, e Nuno Gil. A cena entre os dois é muito sentida, tocante até, apesar de se tratar de um encontro ao mesmo tempo propositado e casual. A relação que se estabelece entre os dois é bem conseguida em alguns momentos, na minha opinião nos mais difíceis e desconfortáveis. É com a ajuda de Nuno Gil que a personagem de Marco Delgado consegue entregar-se à sua vontade e à sua inexperiência, abraçando o seu verdadeiro eu.

Assim, esta peça vale a pena essencialmente pela sua capacidade de nos fazer reflectir, pensar sobre as nossas escolhas e nas suas consequências. Além disso, consegue prender-nos pelo facto de podermos pensar que a libertação de uma pessoa pode conduzir à libertação do próximo, e que a decisão de pôr o passado para trás das costas depende somente de nós. No fundo, é importante não esquecer que “a realidade não são os factos, mas a forma como eles nos fazem sentir”.


posted by Ana Silva @ 9:34 da tarde   2 comments
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
O Segredo de Brokeback Mountain




Depois de ter visto este filme, é impossível não o recomendar. Adorei. Neste filme, tudo encaixa com uma naturalidade e sensibilidade incríveis. Neste filme, as sensações misturam-se: ao início uma paz tranquilizante, depois um envolvimento terno e ao mesmo tempo cruel, e no fim um aperto no coração que nos faz querer reviver um amor e uma paixão que duram para sempre.

Tomara muita gente conseguir amar daquela forma. Conseguir manter vivo um amor genuíno, puro, que vai além do tempo, das próprias pessoas. Um amor que nada nem ninguém separa ou deixa acabar. Mesmo assombrado por preconceitos e pelas convicções da época, o sentimento que nasceu naturalmente entre Jack e Ennis cresce da mesma forma, independentemente do que os rodeia. É impressionante a forma como os dois elementos desta história transportam dentro de si um sentimento tão bonito e uma sensibilidade tão grande e, simultaneamente, uma angústia, uma tensão que só se liberta quando finalmente aquelas emoções se consumam, seja através de um beijo, de um toque ou de um olhar.

Todos os aspectos do filme devem ser mencionados, pois nenhum deles nos deixa indiferentes. Se as paisagens que envolvem esta história de amor são lindíssimas e apaixonantes, o desempenho dos actores principais deixaram-me absolutamente extasiada e quase sem palavras. Heath Ledger está fantástico, num personagem que nos angustia pela sua luta contra si mesmo, e que ele próprio não consegue vencer.. O seu olhar vazio e amedrontado só ganha cor e tranquilidade de vez a vez, quando a presença de Jack é efectivamente uma realidade, quando a sua alma é preenchida por aquele que ama. De facto, Jake Gyllenhaal é a outra metade da alma deste filme. Está brilhante, desesperadamente apaixonado, e faz-nos apaixonar da mesma forma.. Não por ele, mas por aquele sentimento que deixa transbordar no seu sorriso, nas suas brincadeiras ingénuas ou nos beijos violentos de tanto amor.

O Segredo de Brokeback Mountain
é um filme de poucas palavras e, na verdade, é-me difícil falar sobre ele e encontrar as palavras certas. Bonito, puro, genuíno, sensível, tocante. Este filme é feito para se ver, para se sentir e para se viver, através do olhar profundo e limpo que Ang Lee nos proporciona. Vejam, deixem-se envolver e, acima de tudo, amem.


Classificação:


posted by Ana Silva @ 11:38 da tarde   27 comments
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Artic Monkeys em Portugal

Para todos os interessados (que deviam ser muitos) os Artic Monkeys, a banda-sensação britânica, vão dar um concerto no nosso país dia 18 de Maio. Estes 4 rapazes de Cheffield são apenas a banda cujo álbum de estreia [Whatever People Say I Am, That's What I'm Not] mais vendeu na semana de lançamento, um total de mais de 360 mil cópias, ultrapassando bandas como Coldplay, Kaiser Chieffs ou até mesmo os Beatles! Ok, nem sempre a quantidade equivale a qualidade, mas neste caso andam de mãos dadas, uma vez que os Artic Monkeys são uma das mais interessantes e inovadoras bandas a sair de terras inglesas.

Os bilhetes custam 20 € e caso estejam interessados em oferecer-me um é só deixar o contacto nos comentários :P
P.S - O concerto é no Paradise Garage.
posted by not_alone @ 8:31 da tarde   1 comments
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
Depeche Mode | Pavilhão Atlântico | 08-02-06


"Feelings are intense, words are trivial..."

25 anos de carreira e um álbum para marcar esta data. Playing the Angel foi o ponto de partida para a visita de Depeche Mode ao nosso pequeno país.

Mais do que um concerto, uma viagem ao passado, aos meandros da electrónica exprimentalista dos anos 80, de uma onda de libertação que passou em grande plano pela voz de David Gahan.

Mais do que cantor, o vocalista dos Depeche Mode tornou-se, com o passar dos anos, num ícone capaz de trazer a música alternativa para as massas. O seu carisma não passa despercebido e quem esteve no pavilhão atlântico rendeu-se a esse poder com um imenso prazer.


A magia começou com A Pain That I'm Used To, o último single retirado do novo álbum, e é talvez o melhor exemplo de como os Depeche Mode se mantêm na ribalta, depois de tantos anos. Os ritmos arrojados, a voz poderosamente melodiosa e um je ne sais quoi que abrilhanta o conjunto. Seguiram com algumas das suas canções mais recentes, numa primeira parte mais calma mas a fazer crescer água na boca para os momentos que se seguiam. No palco a banda partilhava o espaço com objectos vindos do espaço, bancadas galáxicas e um planeta com palavras sugestivas a neón como: Love; Pain; Sex; Vain...

Martin Gore toma conta do microfone em Damaged People e Home, criando um dos mais intimistas momentos da noite. A sua voz ecoava pelas paredes do pavilhão assombrando os nossos pensamentos. David Gahan volta com I Want It All e já não havia como voltar a trás, somos sugados numa espiral do tempo revivendo exitos como I Feel You, Behind The Wheel, World In My Eyes e acabndo em extase com Personal Jesus e Enjoy the Silence cantados a plenos pulmões.


De volta no 1º encore, os anos 80 já tinham chegado para ficar, os pés não paravam de mexer, as memórias não paravam de se atropelar. Shake The Disease, Just Can't Get Enough e Everything Counts, sempre acompanhados por um conjunto de ecrãs gigantes no fundo do palco com imagens que ilustravam na perfeição os motivos das músicas.

Never Let me Down Again e Goodnight Lovers, este último cantado a duas vozes, fechavam uma noite que promete não sair das nossas cabeças tão cedo. David Gahan e Martin Gore repetiam a frase que mais sentido fazia naquele momento "Like all soul sisters, and soul brothers". Num uníssono, não só de vozes mas de estados de espírito, as mais variadas gerações que enchiam o pavilhão atlântico tomavam consciência de que partilhavam um momento especial, de que mais uma vez os Depeche Mode tinham feito história, não num sentido lato mas a um nível muito pessoal.

É por isso com orgulho que partilho o segredo que foi o concerto de dia 8. Porque enquanto o mundo lá fora passava aquele lugar à beira-rio presenciava um momento que nunca irá passar.


Para os interessados aqui fica o alinhamento do concerto:

A Pain That I'm Used To
John The Revelator
A Question of Time
Policy of Truth
Precious
Walking In My Shoes
Suffer Well
Damaged People
Home
I Want It All
The Sinner In Me
I Feel You
Behind The Wheel
World In My Eyes
Personal Jesus
Enjoy The Silence

Encore 1

Shake The Disease
Just Can't Get Enough
Everything Counts

Encore 2

Never Let Me Down Again
Goodnight Lovers




Mais uma coisa, para quem não foi (há sempre junho em alvalade) ou mesmo para quem foi e quer reviver, vão a este link e vejam o vídeo da SIC Notícias.
posted by not_alone @ 7:17 da tarde   4 comments
sábado, fevereiro 11, 2006
Pride and Prejudice


Existem determinados filmes que valem só pelos desempenhos dos seus actores, e existem outros que valem só por si e onde os desempenhos principais são apenas uma parte da magnificiência do filme. Em qual destes casos Pride and Prejudice se insere? Infelizmente em nenhum, pois o filme não é bom e o desempenho da actriz nomeada ao Óscar muito menos.

Há filmes bastantes maus mas que não têm pretensões a ser grandes obras-primas, e existem outros, como Pride and Prejudice, que são realmente fracos mas que têm intenções pseudo-artísticas e surgem como uma tentativa de ser um grande filme. De facto, em Pride and Prejudice apenas o guarda-roupa se aproveita pois o argumento é mau, a realização é irritantemente pretenciosa e os actores... bem os actores são espantosamente maus. Keira Knightley irrita-me pela carinha de anjo deslavado, sempre presente em todos os seus filmes. No entanto, a nomeação ao Óscar poderia demonstrar que, de facto, tinha feito algum trabalho proveitoso na sua carreira e, como tal, resolvi dar-lhe o benefício da dúvida. Contudo, mais uma vez a actriz confirmou aquilo que eu penso sobre ela: uma pseudo-actriz extremamente irritante e claramente sobrevalorizada. De facto, em Pride and Prejudice esforça-se por ter um bom desempenho mas na verdade não o consegue, sendo incrível como conseguiu a sua nomeação num ano em que tivemos, por exemplo, Naomi Watts e Gwyneth Paltrow em King Kong e Proof, respectivamente. Quanto ao Mr. Darcy temos um Matthew MacFadyen tão medíocre que, inadvertidamente, consegue gerar sentidas gargalhadas. Abrindo a crítica ao resto do elenco, temos mais histeria do que propriamente competência.


Pride and Prejudice é assim um filme que falha em toda a linha. Apesar de alguma competência em termos de direcção artística e guarda-roupa, todos os elementos são balofos, inconstantes e extremamente arrogantes na pretensão que têm em ser grandes quando, na verdade, são tão medíocres.

Classificação:
posted by P.R @ 1:54 da tarde   3 comments
quarta-feira, fevereiro 08, 2006
Filmes de 2006
O início de qualquer ano em Portugal é sempre sinónimo de bons filmes. De facto, é a partir de Janeiro que o nosso pequeno país começa a entrar na espiral dos filmes galardoados pela crítica americana e se por vezes isso não é sinónimo de qualidade, tem que se admitir que é, pelo menos, um bom prenúncio. Desta forma, e como, por múltiplos factores, não tive a oportunidade de fazer críticas aos filmes que vi, farei agora um balanço conjunto com as respectivas críticas-resumos.

Caché




Caché chegou ao nosso país com um rótulo de cinema de qualidade quer pelo realizador em questão, quer pelos vários prémios conquistados. E se é verdade que à primeira vista o filme causa alguma estranheza, o facto é que, pensando um pouco no filme, este adquire dimensões mais profundas e existencialistas. Estamos assim perante um filme que questiona os erros do passado e a ligeireza com que são recalcados para que possamos viver tranquilos com a nossa consciência. Abordando também questões relacionadas com o racismo e com a subalternização de culturas em detrimentos da outra, o filme vale, sobretudo, pelo final. De facto, não há aqui um esclarecimento total dos acontecimentos e, sobretudo, não existe um culpado ou um inocente. O filme centra-se num dos sentimentos mais devastadores para o ser humano: a angústia da incerteza, a hesitação de saber se estamos ou não a ser justos e para quem viu o filme perceberá que esta questão ganha uma dimensão extraordinariamente complexa. Um último apontamento para o trabalho fantástico dos actores, e para a realização que envolve e manipula o telespectador um pouco, diria eu, como acontece actualmente com os meios de comunicação social.

Classificação:

Jarhead




Um dos filmes mais aguardados deste início do ano e que foi, para mim, uma desilusão. Eu percebo a ideia de ser um filme de guerra sobre a não guerra, percebo e gosto bastante, entendo perfeitamente o objectivo de perceber as motivações e os receios daqueles soldados, acho que o trabalho dos actores é realmente muito bom, assim como a fotografia e a realização mas, e então? A verdade é que o filme parte de uma premissa interessante, mas depois não a consegue desenvolver linearmente, não consegue dar-lhe coesão. De facto, o filme revela-se demasiadamente fragmentado e episódico não dando espaço para que se consiga aprofundar aspectos que, na minha opinião, seriam essenciais. Pior, não só não desenvolve as personagens como entra nos protótipos e estereótipos de soldados que vimos em outros filmes, onde temos o palhaço da companhia, o nerd, o garanhão... Eu bem sei que o filme é adaptado de uma história real e que as personagens de facto existiram e são factuais, mas a verdade é que na tela não o parecem. Isto não quer dizer, contudo, que tenha detestado o filme e que ele seja mau pois o trabalho do Sam Mendes é, a espaços, realmente bom mas, em termos globais, Jarhead fracassa.

Classificação:

Kiss Kiss Bang Bang



Não há muito a dizer sobre este filme. É, dentro do seu género, do melhor que tem aparecido nos últimos anos, tens gags fantásticos e que resultam na perfeição, tem um renascer de dois actores cuja química resulta e, acima de tudo, é um excelente entretenimento. Numa única frase, Kiss Kiss Bang Bang é o filme cool do ano.

Classificação:

Memoirs of a Geisha




O que se faz quando um livro é um sucesso mundial? Adapta-se ao cinema. Resultado? Um filme que deixa muito a desejar. Memoirs of a Geisha é, contudo, um filme um pouco híbrido pois contrabalança elementos fantásticos com outros menos conseguidos. De facto, se estamos perante um filme em termos técnicos muito bom, quer em fotografia, banda-sonora ou direcção artística, a verdade é que o filme falha exactamente onde não podia nem devia falhar, no argumento. Na verdade, o filme não permite um aprofundamento das personagens, não permitem que estas desenvolvam, revelando-se extremamente frio e distante. Esta responsabilidade pode, e deve, ser também dirigida à realização amadora e académica de Rob Marshall que, na minha opinião é pior que a de Chicago.

Classificação:

Match Point




Penso que tudo o que havia para dizer já foi referido na crítica anteriormente feita. Assim, apenas enfatizo a excelência dos desempenhos, da realização e, sobretudo, do argumento que se revela um dos mais inspirados do ano. De facto, comparando com filmes como Memories of a Gueisha ou Jarhead percebe-se a magnificência do argumento de Woody Allen que está a milhas de distância dos argumentos dos referidos filmes.

Classificação:


Munich




Munich é um prodígio absoluto. Experiênciar Munich, perceber as implicações das imagens que nos são transmitidas é uma viagem angustiante e tenebrosa que, no meu caso, me fez sair da sala completamente esmagado com a grandiosidade do filme. Munich é um murro no estômago onde a esperança se revela um conceito vazio e cujos 45 minutos finais se revelam transcendentais e de impossível descrição. Vejam-no, pensem-no e sintam-no.

Classificação:

Desta forma, parece-me que o início de 2006 foi, de facto, bastante auspicioso e pode ter sido um bom prenúncio para o resto do ano. Mas é claro que nem todos sentimos o cinema da mesma forma e portanto deixem a vossa opinião seja ela consoante ou contraditória com aquilo que foi aqui escrito.
posted by P.R @ 10:40 da manhã   5 comments
 

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