
O cinema continua a ter em mim um efeito surpreendente. Francamente, espero que assim continue, pois é uma forma de poder criar as minhas próprias expectativas sobre os filmes que vejo: podem subir drasticamente, ou, pelo contrário, descer no primeiro minuto. É precisamente no seu primeiro minuto que Match Point consegue despertar em nós um interesse impressionante. O pensamento que dá o mote ao filme é de facto muito interessante. A ideia de que a sorte é, apesar das crenças, decisiva nas nossas vidas consegue agarrar qualquer espectador. Na verdade, o mais aliciante é não conseguirmos deixar de transportar esse pensamento para a nossa vida, é impossível não pensarmos de que forma esse pormenor tão pequeno e ao mesmo tempo tão grande nos acompanha, não conseguimos abandonar a ideia de que a qualquer momento a sorte estará lá para nós salvar ou para nós deixar cair: é isto que nos envolve ao longo da história.
O que mais me agradou foi sem dúvida o argumento, e é, na minha opinião, o que faz do filme um bom filme. Não um grande filme, nem belo, mas bom. A coerência, a solidez, a semelhança do que estamos a ver com o que nos pode acontecer amanhã, mostra-nos até que ponto estamos dependentes de algo que não podemos controlar, o simples facto de a moeda cair de um lado, ou de outro. No fundo, as nossas decisões ao longo da vida espelham tudo isso, e todos os dias somos confrontados com a cara ou coroa, ou quem sabe, com o destino..
O filme gira à volta de um golpe de sorte que tira a corda da garganta de alguns personagens para efectivamente, acabar colocada em outros personagens. Não se trata verdadeiramente de inteligência, mas da perspicácia de cada um e, mais uma vez, da sorte: de um dia de chuva, de mais uma audição fracassada, ou de um taxi que não conseguimos apanhar.
No desenrolar da trama, não posso deixar de destacar Scarlett Johansson. Não que simpatize particularmente com a actriz, mas tem uma interpretação muito boa. Gostei imenso da personagem, do tom, da postura arrojada.. no fundo, da construção e da capacidade de olharmos para uma mulher que podemos querer desprezar, mas à qual é impossível resistir. Quanto ao seu par, Jonathan Rhys-Meyers, tem um personagem mais terra a terra que ao longo do filme se torna cada vez mais interessante. É nele que encarna a sorte, é através dos seus passos que vamos descobrindo cada pormenor da trama e que nos deparamos com as consequências.
Tudo isto para dizer que é um filme a não perder, que nos ensina algo de novo, e que nos dá uma perspectiva diferente do nosso dia-a-dia, realçando o quão importantes são as nossas ‘jogadas’ ainda que muitas vezes as façamos inconscientemente. Na verdade, o que este filme nos deixa é exactamente a ideia de que a vida é em si uma moeda: quando lhe vemos um lado, sabemos que existe sempre o outro escondido.




bemmm excelente crítica, parabéns :) penso que captaste a essência do filme e a conseguiste devolver de forma extremamente bem conseguida! Espero mais destas ;)
Beijinho MY ;)