domingo, junho 04, 2006
Super Bock Super Rock | Act 1 | 2º dia
Entrei já atrasado no recinto do SBSR, no final da actuação dos Primitive Reason. Não estava demasiado preocupado porque os dois motivos que me levaram ao recinto iam ser as duas últimas bandas, Placebo e Tool.

O palco Quinta dos Portugueses/Worten, para mim, foi uma miragem. Nada de grande peso a assinalar. Nada que se compare ao espectáculo que os Blind Zero ou os Wraygunn deram o ano passado no mesmo espaço. Claramente a encher chouriços para as bandas a sério do palco principal, os X-wive, Vicious 5 (que a par com os Fonzie são as bandas portuguesas mais detestáveis no activo, que me perdoem os fãs, mas aquilo é péssimo), DaPunkSportif e If Lucy Fell foram aborrecidos, repetitivos e não trazem nada de novo ao panorâma musical nacional.

No palco principal, depois de Primitive Reason, subiram os Alice In Chains. Pelo menos o que resta deles, já que o seu vocalista morreu há alguns anos. A substituir estava um senhor com um aspecto algures entre o Lenny Kravitz o Ben Harper e Chris Cornell. Deste último eram também notórias as parecenças na voz. Pessoalmente desconheço por completo os Alice in Chains, sei que fizeram parte do movimento grunge oriundo de Seattle. Foram, ao lado dos Nirvana, Pearl Jam e (curiosamente) Sound Graden, das bandas mais influentes dessa época, mas parece-me que, tal como alguém já o disse: Grunge is Dead. Em suma, o concerto do Super Bock era para os fãs, os saudosistas e alguns curiosos. Eu não desgostei mas acredito que há uns atrás e com o vocalista original o espectáculo tinha ganho outra dimensão.


De seguida foi a vez dos Deftones e, não me vou alongar muito neste concerto porque, primeiro, não gosto dos Deftones e segundo, porque não gosto dos Deftones. O vocalista é uma versão gorda e anafada do Fred Durst e tudo o que esteja relacionado com o nu-metal irrita-me. Ainda assim acho que se a banda se cingisse às músicas mais calmas tinha mais sucesso (musical entenda-se). Até porque quando o ponto alto de uma banda de pseudo metal é uma versão de Ordinary Love, de Sade, algo vai muito mal. É a segunda vez que os vejo e não notei grande diferença ou evolução, é mais do mesmo, desta vez sem a Back to School, o seu maior êxito.


Placebo rompiam com o cenário pesado que se preparava para esta noite. Provavelmente tinham estado mais seguros ao lado de Within Temptation, no primeiro dia, mas a banda de Brian Molko adora um bom desafio. Fazer a ponte enntre Deftones e Tool não era fácil mas os Placebo têm muitos anos de festivais e sabem como contornar estas dificuldades. Apesar de terem tido um começo a meio gás (as novas músicas, claramente, precisam de amadurecer), Black Eyed marcou um ponto de viragem no concerto. A partir de aí tudo foi a subir. A intensidade da banda começou a revelar-se e o público rendeu-se ao som de Special K, Every You Every Me, e a mais recente Song To Say Goodbye. Para mim a mais energética música da banda ao vivo é Bitter End e foi, pessoalmente, o ponto alto do concerto. Faltou Without You I'm Nothing, mas os Placebo já fazem parte da mobília dos festivais de verão por isso aguardamos o regresso para uma nova dose de Meds.


Finalmente chegou a vez dos Tool e o cenário mais light dos Placebo fica bem distante. Metal underground duro é o que os Tool têm para nos oferecer e, acreditem em mim, dificilmente vão ver um melhor espectáculo ao vivo do que este. Especialmente os fãs do género. O espectáculo da banda, nascida em 1990, é uma perturbadora experiência musical e visual, que passa pelas mais básicas emoções até ás mais distorcidas disfunções humanas. O elemento visual funciona como mais do que uma distracção, é um complemento à própria música. Faz tudo parte de uma só viagem que vale a pena aproveitar até ao último segundo. Uma viagem às raízes da banda, mais cruas, com o álbum Ænima, passando pela genialidade das letras de Lateralus e até mesmo descobrindo o interessante novo trabalho, 10,000 Days. A banda em si, combina uma originalidade que acaba por se esgotar a si mesma, mas que é a fórmula certa para um resultado impressionante em palco. Simplificando, os Tool mesmo sendo originais já não se conseguem reinventar. Correm o risco de se tornarem previsíveis mas, até lá, continuam a ser reis naquilo que fazem e, mesmo já tendo visto a banda há uns anos, fiquei boquiaberto com o seu poder em palco. Foi, sem dúvida, o melhor que se podia pedir para encerrar o 1º Act de um dos melhores festivais portugueses.

posted by not_alone @ 4:54 da tarde  
7 Comments:
  • At 7:13 da tarde, Blogger P.R said…

    que belo texto!! :D vou esperar ansiosamente pelo equivalente ao 1º dia do 2º act ;)

     
  • At 8:52 da tarde, Blogger H. said…

    eu só iria ver os Placebo ...
    mas ñ fui, lol
    pelo que vi ñ gostaste do dia por inteiro...
    e eu até que oiço Vicious Five (mas bem vistas as coisas, eu oiço praticamente tudo...) apesar de ñ ser fã, ñ creio que sejam de todo a pior banda no activo, mas tb ñ conheço tudo...

    eu vou dia 7 =) se alguns de vós forem tb podemos dps postar algo c/ as diferentes perspectivas... algo que me diz que pelo menos o palco dos tugas vai estar melhor, basta lá estar o Legendary Tiger Man :D

     
  • At 9:03 da tarde, Blogger not_alone said…

    Ok, eu reformulo, os Vicious 5 são péssimos ao vivo, os cds não conheço.

    E sim, pelo menos eu e o Pedro vamos lá estar dia 7. Aconselho, para além dos óbvios, a não perderes Linda Martini no palco quinta dos portugueses. Eles são muito bons.

    Também podiamos combinar finalmente conhecer-nos ao vivo, mas no meio de tanta gente não sei se vamos conseguir.Eu estive horas para encontrar uns amigos meus no outro dia do festival. E sabia já sabia como é que eles eram :P

    Finalmente, quanto á ideia de um post conjunto parece-me muito bem, visto que lá vamos estar pelo menos os 3. :D

     
  • At 10:13 da tarde, Anonymous André said…

    só os placebo valiam pelo bilhete do dia. cumps!

     
  • At 12:33 da tarde, Blogger PalavrasDitas said…

    Tambem tenho uma cronica a este dia no meu blog passem por la!Subscrevo quase tudo o que aqui é dito exepto a parte dos X-wiFe e nao X-wiVe :P que para mim lançaram até agora o melhor album feito em Portugal este ano! Um Abraço

     
  • At 5:02 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    o chino é uma versão gorda do fred durst??lol
    back to school a maior exito da banda?lol
    penso que n conheces bem a manda e em geral n percebes muito de musica...
    mas enfim...
    Deftones is the youth...

     
  • At 7:21 da tarde, Blogger not_alone said…

    Tal como disse, eu não gosto de Deftones, são gostos. Back To School deve ser a única música que a grande maioria do público consegue associar aos Deftones. Por isso nesse sentido será o seu maior êxito. Não quer dizer que seja a de melhor qualidade, ou a que mais vendeu.

    Se preferires, Fred Durst é uma versão magra (ainda que já não tão magro como isso) do Chino. O que, no fundo vai dar ao mesmo, porque quanto a mim, aquilo é tudo a mesma coisa...

     
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