domingo, dezembro 30, 2007
Sugestão Musical | Belle and Sebastian | Dear Catastrophe Waitress

Editado em 2003, «Dear Catastrophe Waitress» dos escoceses Belle and Sebastian é simplesmente um daqueles discos que não sabemos bem precisar porquê mas nos deixa a sentir estranhamente bem. É aparentemente mais solar que invernal, harmonioso e com uma inocência melancólica juvenil que não será propriamente felicidade... enfim, ideal para estes dias e para pensar, talvez, em melhores.

Another summer’s passing by
All I need is somewhere I feel the grass beneath my feet
A walk on sand, a fire I can warm my hands
My joy will be complete

(“Asleep on a Sunbeam”)
posted by H. @ 12:52 da tarde   0 comments
sexta-feira, dezembro 28, 2007
Redacted


Depois do magnífico The Black Dahlia que nos ofereceu no ano passado, Brian De Palma regressa com um dos mais controversos filmes do ano, inpirado num caso verídico ocorrido durante a invasão americana no Iraque, que culminou na violação e assassínio de uma jovem iraquiana e da sua família por parte de soldados americanos. O assunto não será propriamente uma novidade para o realizador, que já se tinha debruçado sobre um tema semelhante em Casualties of War, dessa vez com o Vietname como pano de fundo. As intenções do realizador são claras (ele próprio referiu-o várias vezes): denunciar as atrocidades de guerra cometidas numa invasão violenta com pretextos bastante duvidosos. No entanto, aquilo que destaca Redacted de qualquer outro filme de guerra que o tenha precedido é a sua abordagem inovadora.

Sempre fascinado com as possibilidades do meio, De Palma construiu um filme todo ele baseado em imagens reais difundidas na internet, que os grandes meios de comunicação, nomeadamente a televisão, se recusaram a mostrar. Assim, quase todo o filme tem um ponto de vista fundamental: o da câmara de um soldado aspirante a estudante de cinema que pretende retratar a guerra a partir dos campos de batalha até porque, segundo ele, “a câmara não mente”. Essa abordagem altera, obviamente, todo o trabalho da encenação dramática, inclusivamente o dos actores, que têm constantemente de actuar como pessoas comuns na presença de uma câmara. De Palma sabe que a presença dessas câmaras por si só condiciona o comportamento humano, e estes só se revelam verdadeiramente quando não sabem estar a ser filmados. Daí o seu título, forte e directo, que deixa de imediato assumir estas como as verdadeiras imagens de guerra, aquelas que não podem ser vistas por exporem demasiado.

Com efeito, basta recuarmos um pouco até ao seu filme anterior, até às cenas (as melhores) em que Mia Kirshner enfrentava as câmaras de cinema e, consciente do seu fracasso, se expunha diante delas, como que deixando registados esses sentimentos pessoais tão dolorosos, como se apenas as câmaras, entre tantas mentiras que possam contar, pudessem só elas também captar esses momentos de verdade. Essas cenas tinham a particularidade de ser perfeitamente audível, atrás das câmaras, a voz do próprio realizador comandando as operações. Realizador esse que é também responsável por essa manipulação da imagem de acordo com os seus objectivos. Redacted recupera essa experiência, com um soldado americano confessando perante uma câmara (desta vez fotográfica) a dolorosa experiência que para sempre lhe mudou a vida e, novamente, atrás dessa câmara, num golpe de profunda ironia (não por acaso, o filme presta homenagem a Barry Lyndon de Kubrick, também ele de tom bastante satírico e mordaz), podemos ouvir De Palma em fundo, o manipulador por excelência, que finalmente acaba por registar na foto apenas o sorriso doloroso do soldado, como se a sua confissão anterior não contasse, uma vez que nunca ficou registada. Posteriormente, as imagens verdadeiras da guerra (também elas censuradas por motivos legais, escondendo as caras das verdadeiras vítimas) culminam esta brutal experiência cinematográfica.

Brian De Palma mantém intacto o espírito cáustico que caracteriza muita da sua obra, e desta vez não poupa grandes esforços para atacar essa censura tão presente nos media. Talvez por isso, o filme tenha sido brutalmente atacado em diversos programas televisivos americanos, e acusado de ser anti-patriótico, mas as intenções de De Palma não parecem passar de todo por aí. A guerra desumaniza o Homem, e esse sentimento de frustração está bem patente nos soldados, e mesmo aqueles que se revelam as tais “maçãs podres” têm direito a expressar as suas motivações, especialmente quando o cenário remete para uma guerra que vêem como absurda e sem qualquer razão de existir. Isso, por sua vez, remete-nos para a questão central do filme: a de tentar perceber como é que, num mundo bombardeado por informação e meios de comunicação e reprodução de imagens, ninguém saiba realmente o que se está a passar. Goste-se ou deteste-se, Redacted é sem qualquer dúvida um dos mais importantes acontecimentos cinematográficos do ano, e deve ser visto por todos.

posted by Juom @ 7:25 da tarde   2 comments
segunda-feira, dezembro 24, 2007
Grandes momentos | The Nightmare before christmas

Desejando a todos umas óptimas festividades e um 2008 repleto de sucessos pessoais e profissionais, deixo-vos com a "descoberta" do Natal mais saborosa da história do cinema.
posted by P.R @ 3:04 da tarde   7 comments
domingo, dezembro 23, 2007
Sweeney Todd – O Terrível Barbeiro de Fleet Street | Teatro Aberto

Em Janeiro está previsto chegar aos cinemas portugueses o novo filme de Tim Burton, Sweeny Todd, inspirado num famoso musical. Pouco tempo antes, temos a oportunidade de apreciar no Teatro Aberto, em Lisboa, uma versão da mesma história.
Sweeney Tood – O Terrível Barbeiro de Fleet Street é apresentado como um thriller musical e é realmente isso que encontramos: uma magnífica produção que comprova que há alternativas às produções Filipe La Féria em matéria de teatro musical. A peça é encenada por João Lourenço, um dos autores da versão portuguesa e também co-responsável pelo desenho de luz. A versão musical está a cargo de João Paulo Santos.

A história de Sweeney Todd é sangrenta e trágica, conjugando humor, violência e paixões. Sweeney, outrora um barbeiro de nome Benjamin Barker, fora pela cobiça de um juiz injustamente condenado às galés. Salvo de um naufrágio por um gentil marinho, regressa a Londres assumindo o nome de Sweeney Todd e retomando a sua antiga actividade profissional, com o acrescento de que os clientes ficavam não só sem barba como com um golpe mortal no pescoço. A lâmina de Sweeney Todd é o seu instrumento de vingança. Mata indiscriminadamente pois julga não ter mais nada por que esperar num mundo que manchou a sua vida com injustiça. Os corpos das vítimas do senhor Todd são aproveitados pela sua senhoria, a senhora Lovett, que com eles faz carne picada para as suas empadas. No entanto, Todd tem um alvo específico a abater: o juiz Turpin, arquitecto da sua desgraça e que pretende casar com Joana, a filha de Todd que o magistrado adoptara após a esposa do barbeiro exilado ter escolhido o caminho do suicídio. Joana enamora-se do marinho salvador de Todd e juntos tentam resgatar Joana das garras do seu predador.

Sweeney Todd – O Terrível Barbeiro de Fleet Street é uma co-produção do Teatro Aberto e do Teatro Nacional D. Maria II. O elenco é composto por dezenas de actores, muitos dos quais formam um coro que vai introduzindo alguns acontecimentos da trama. Todos, coro e protagonistas, apresentam uma óptima capacidade vocal, proporcionando alguns momentos particularmente bons, de que destaco aqueles que Sweeny Todd intervém com a senhora Lovett.
Também a cenografia contribui para o espectáculo, sendo articulados vários elementos de que destaco a estrutura giratória que constitui o edifício da casa / loja / barbearia / forno.
Refira-se ainda a importância do acompanhamento musical, uma vez que existe uma orquestra que musica ao vivo a peça, o que certamente torna a experiência ainda mais poderosa para o espectador.

A peça estará em cena na Sala Azul do Teatro Aberto até ao final de Dezembro. E recomenda-se vivamente uma passagem por lá.
posted by H. @ 7:36 da tarde   0 comments
quarta-feira, dezembro 19, 2007
Filme do mês | Novembro
Pedindo desculpas pelo enorme atraso seguem abaixo as escolhas do mês de Novembro.

Ana Silva Enchanted
"Este mês destaco "Enchanted". Um filme tipicamente encantado, onde tudo brilha e tem uma leveza imensa. Ainda que a história passe, inevitavelmente, por momentos exagerados, cheios de cor e de música, o filme é sem dúvida uma história de encantar, com a belíssima interpretação de Amy Adams, digna de uma verdadeira princesa. A minha escolha este mês é por "Enchanted" ser um filme onde quem vê, se perde entre a realidade e a banda desenhada; onde pomos em causa se não gostariamos de poder saltitar entre os dois mundos e falar com os animais de vez em quando. "

H. Control

"O melhor filme de Novembro foi para mim Control, evocação de Ian Curtis realizada pelo fotógrafo Anton Corbijn. Num preto-e-branco lindíssimo, Control mostra-nos Curtis na sua nua humanidade – e é uma experiência poderosamente comovente. É dos mais belos filmes do ano. Dos mais tristes filmes da década. "

not_alone Control

"Se é verdade que os artistas que morrem prematuramente ficam nos cânones da história, Ian Curtis vem provar que esta afirmação é mais do que um silmples chavão. Os Joy Division continuam a ser uma das mais influentes bandas alternativas e Control é, mais de que um filme, um tributo à pessoa que foi Ian Curtis. Com apenas 23 anos, o vocalista da banda suicidou-se no auge da sua carreira. Não queremos dissecar os porquês, não queremos, num filme destes, mais do que recordar a alma perturbada de um jovem de 23 anos. Uma mulher, uma amante, uma fillha, uma tourné nos EUA que os viria a tornar maiores do que alguma vez imaginou. Tudo isso era demasiado. Faz-nos pensar se não é verdade que devemos ter cuidado com aquilo que sonhamos. Pode tornar-se realidade. Eu, também com 23 anos, dou por mim várias vezes a olhar para as cordas penduradas na minha cozinha. "

Paulo Paranoid Park

"Num mês onde David Cronenberg confirmou o seu excelente momento de forma com Eastern Promisses, não poderia deixar de destacar esse outro regresso muito bem vindo, com assinatura de outro grande nome do outro lado do Atlântico: Gus Van Sant e o seu Paranoid Park. O filme, mais um mergulho na sombria juventude americana (e não só) acaba mesmo por se revelar um dos mais intensos do autor de Elephant, com o seu olhar muito particular sobre o mundo a atingir novos níveis de expressão artística. É um filme que respira sensações por todos os poros, e que perde o seu tempo com aparentemente insignificantes olhares e pedaços de vida que revelam mais sobre as suas personagens do que qualquer linha de diálogo. É uma das belas obras de 2007".


P.R. Eastern Promises

"Num mês onde não tive oportunidade de ver os filmes que queria e onde me escapou Paranoid Park, o meu destaque vai Eastern Promises. Contudo, não é uma escolha por falta de opções mas sim pela grandiosidade do filme de Cronenberg que não sendo tão consensual como History of Violence tem em mim um verdadeiro fã. Tal como neste último, Cronenberg esboça e realiza um filme brilhante sobre a condição humana, as suas motivações e receios. Eastern Promises é na minha opinião um filme brilhante que conta com um Viggo Mortensen que não só tem das melhores actuações do ano, como do novo milénio."

Duarte Paranoid Park

"Depois da desilusão que "Last Days" me causou, Gus Van Sant volta ao seu bomcinema, com uma obra claramente influenciada na sua aproximação estílisticae narrativa mais recente, minimalista e etérea, tão estranhamentemelancólica e desencantada, como formalmente imaculada e de um cuidadovisual assombroso. Um dos bons filmes deste final de ano."


E vocês? Num mês com tantas propostas interessantes, qual foi o filme que vos arrebatou ?

posted by P.R @ 5:12 da tarde   4 comments
sábado, dezembro 15, 2007
Take a Break: Segundo Aniversário

Sem nos darmos conta, já passou uma semana que o Take a Break comemorou o seu segundo aniversário... Com o acumular dos anos ganha-se igualmente mais maturidade e mais responsabilidade. Desta forma, prometemos um segundo activo e correspondente às expectativas criadas no Take a Break. Uma última palavra de agradecimento aos antigos membros do blogue que ajudaram a construir mais um ano e a todos os leitores e amigos que diariamente nos brindam com a sua visita! Um bem-haja a todos e esperamos encontrá-los daqui a um ano!
A equipa Take a Break
posted by P.R @ 1:38 da tarde   12 comments
sexta-feira, dezembro 14, 2007
Grande Momento | Blade Runner


I've seen things you people wouldn't believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched C-beams glitter in the dark near the Tannhauser gate. All those moments will be lost in time, like tears in rain. Time to die.
posted by The Stranger @ 1:41 da manhã   2 comments
quinta-feira, dezembro 13, 2007
Nomeados para os Globos de Ouro

CINEMA


MELHOR FILME - – DRAMA
AMERICAN GANGSTER
EASTERN PROMISES
ATONEMENT
THE GREAT DEBATERS
MICHAEL CLAYTON
NO COUNTRY FOR OLD MEN
THERE WILL BE BLOOD



MELHOR ACTRIZ - DRAMA
CATE BLANCHETT — ELIZABETH: THE GOLDEN AGE
JULIE CHRISTIE — AWAY FROM HER
JODIE FOSTER — THE BRAVE ONE
ANGELINA JOLIE — A MIGHTY HEART
KEIRA KNIGHTLEY — ATONEMENT

MELHOR ACTOR - DRAMA
GEORGE CLOONEY — MICHAEL CLAYTON
DANIEL DAY-LEWIS — THERE WILL BE BLOOD
JAMES MCAVOY — ATONEMENT
VIGGO MORTENSEN — EASTERN PROMISES
DENZEL WASHINGTON — AMERICAN GANGSTER

MELHOR FILME - COMÉDIA OU MUSICAL
ACROSS THE UNIVERSE
CHARLIE WILSON’S WAR
HAIRSPRAY
JUNO
SWEENEY TODD

MELHOR ACTRIZ - COMÉDIA OU MUSICAL
AMY ADAMS - ENCHANTED
NIKKI BLONSKY – HAIRSPRAY
HELENA BONHAM CARTER – SWEENEY TODD
MARION COTILLARD – LA VIE EN ROSE
ELLEN PAGE – JUNO

MELHOR ACTOR - COMÉDIA OU MUSICAL
JOHNNY DEPP — SWEENEY TODD
RYAN GOSLING — LARS AND THE REAL GIRL
TOM HANKS — CHARLIE WILSON’S WAR
PHILIP SEYMOUR HOFFMAN — THE SAVAGES
JOHN C. REILLY — WALK HARD: THE DEWEY COX STORY

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
CATE BLANCHETT — I’M NOT THERE
JULIA ROBERTS — CHARLIE WILSON’S WAR
SAOIRSE RONAN —ATONEMENT
AMY RYAN — GONE BABY GONE
TILDA SWINTON — MICHAEL CLAYTON

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
CASEY AFFLECK — THE ASSASSINATION OF JESSE JAMES BY THE COWARD ROBERT FORD
JAVIER BARDEM —NO COUNTRY FOR OLD MEN
PHILIP SEYMOUR HOFFMAN — CHARLIE WILSON’S WAR
JOHN TRAVOLTA — HAIRSPRAY
TOM WILKINSON — MICHAEL CLAYTON

MELHOR REALIZADOR
TIM BURTON — SWEENEY TODD
ETHAN COEN & JOEL COEN — NO COUNTRY FOR OLD MEN
JULIAN SCHNABEL — THE DIVING BELL AND THE BUTTERFLY
RIDLEY SCOTT — AMERICAN GANGSTER
JOE WRIGHT — ATONEMENT

MELHOR ARGUMENTO
DIABLO CODY — JUNO
ETHAN COEN & JOEL COEN — NO COUNTRY FOR OLD MEN
CHRISTOPHER HAMPTON — ATONEMENT
RONALD HARWOOD — THE DIVING BELL AND THE BUTTERFLY
AARON SORKIN — CHARLIE WILSON’S WAR

TELEVISÃO

MELHOR SÉRIE - DRAMA
BIG LOVE
DAMAGES
GREY’S ANATOMY
HOUSE
MAD MEN
THE TUDORS

MELHOR ACTRIZ EM SÉRIE DRAMÁTICA
PATRICIA ARQUETTE – MEDIUM
GLENN CLOSE – DAMAGES
MINNIE DRIVER – THE RICHES
EDIE FALCO – THE SOPRANOS
SALLY FIELD – BROTHERS & SISTERS
HOLLY HUNTER – SAVING GRACE
KYRA SEDGWICK – THE CLOSER

MELHOR ACTOR EM SÉRIE DRAMÁTICA
MICHAEL C. HALL – DEXTER
JON HAMM – MAD MEN
HUGH LAURIE – HOUSE
JONATHAN RHYS MEYERS – THE TUDORS
BILL PAXTON – BIG LOVE

MELHOR SÉRIE - COMÉDIA OU MUSICAL
30 ROCK
CALIFORNICATION
ENTOURAGE
EXTRAS
PUSHING DAISIES

MELHOR ACTRIZ EM SÉRIE CÓMICA OU MUSICAL
MUSICALCHRISTINA APPLEGATE - SAMANTHA WHO?
AMERICA FERRERA - UGLY BETTY
TINA FEY - 30 ROCK
ANNA FRIEL - PUSHING DAISIES
MARY-LOUISE PARKER - WEEDS

MELHOR ACTOR EM SÉRIE CÓMICA OU MUSICAL
ALEC BALDWIN - 30 ROCK
STEVE CARELL - THE OFFICE
DAVID DUCHOVNY - CALIFORNICATION
RICKY GERVAIS - EXTRAS
LEE PACE - PUSHING DAISIES

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA EM SÉRIE OU MINI-SÉRIE
ROSE BYRNE - DAMAGES
RACHEL GRIFFITHS - BROTHERS & SISTERS
KATHERINE HEIGL - GREY’S ANATOMY
SAMANTHA MORTON - LONGFORD
ANNA PAQUIN - BURY MY HEART AT WOUNDED - KNEE
JAIME PRESSLY - MY NAME IS EARL

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO EM SÉRIE OU MINI-SÉRIE
DANSON - DAMAGES
KEVIN DILLON - ENTOURAGE
JEREMY PIVEN - ENTOURAGE
ANDY SERKIS - LONGFORD
WILLIAM SHATNER - BOSTON LEGALD
DONALD SUTHERLAND - DIRTY SEXY MONEY


Muitas e muitas surpresas tanto em cinema como em televisão. Lumet, Paul Thomas Andersen (que não consegue a nomeação para realizador) e Os Sopranos parecem-me, à primeira vista, os grandes derrotados. Já Sweeney Tood, No Country of Old Man e Atonement são claramente os favoritos. Que vos parece?

FONTE: SITE DA HFPA
posted by P.R @ 2:59 da tarde   5 comments
terça-feira, dezembro 11, 2007
Anouk | Good God

Um pequeno apontamento para assinalar o regresso de Anouk. Como cartão de visita temos Good God, um cocktail explosivo e viciante de rock, soul e muito, muito estilo! E a grande voz permanece...
posted by P.R @ 3:08 da tarde   0 comments
domingo, dezembro 09, 2007
Grande Momento | Sérgio Godinho | Dancemos no Mundo


Apaixonei-me por esta canção na versão em que Sérgio Godinho a interpreta com os Clã e que está presente no álbum «O Irmão do Meio». Era essa a versão que queria aqui colocar mas não havendo (que eu saiba) vídeo para ela, deixo-vos com o original de Sérgio Godinho cantando só num video-clip bastante bonito. E já que falo em Sérgio Godinho e Clã não posso deixar de recomendar o disco que gravaram juntos, «Afinidades», uma pérola para ouvir vezes sem conta.

posted by H. @ 8:21 da tarde   2 comments
sexta-feira, dezembro 07, 2007
Clã | Aula Magna | 06-12-2007

Os Clã regressaram ontem a Lisboa para um concerto na Aula Magna, casa onde já haviam tocado e que lhes deixou boas memórias. Na noite de ontem vieram apresentar o novo álbum, «Cintura», a uma plateia quase lotada.

Já passava meia-hora da hora prevista para o início do concerto quando o grupo toma os seus lugares num palco decorado com muito estilo. Arrancam com faixas do último trabalho, “Vamos Esta Noite”, “Mandarim” ou o single de estreia “Tira a Teima”. O primeiro ponto alto do concerto chegou só “GTI”, voltando a haver picos de euforia com “H2Homem”, “O Meu Estilo” ou “Dançar na Corda Bamba”. Embora tenham cantado todas as canções de «Cintura» (“Adeus Amor” resultou particularmente bem), os melhores momentos foram das canções de álbuns anteriores, nomeadamente “O Sopro do Coração”, verdadeiro momento da mais pura emoção com Manuela Azevedo cantando apenas acompanhada da guitarra de Hélder Gonçalves.

A vocalista brindou-nos mais uma vez com a sua voz extraordinária e a sua energia inesgotável, dançando e saltando a desafiar a resistência dos seus saltos de agulha. Embora a riqueza dos arranjos musicais sejam uma das qualidades maiores da música dos Clã, a presença de Manuela de Azevedo é o elemento-chave. Qual encantadora menina ela canta-nos “Utilidade do Humor” e como mulher sedutora fascina com “Eu Ninguém”. Sempre na medida certa.

O concerto termina, após dois encores, com “Amigos de Quem”, iniciada com palavras de homenagem a Manel Cruz, autor da letra da canção.
Os Clã proporcionaram ontem um espectáculo conseguido a todos os níveis. Foram duas horas a apreciar o trabalho de um dos melhores grupos do panorama musical português, um grupo que confirma inequivocamente a cada canção o estatuto que alcançou.

(Todas as fotos deste post foram tiradas por mim)
posted by H. @ 4:25 da tarde   1 comments
quarta-feira, dezembro 05, 2007
Paranoid Park


Se há autor que nos últimos anos se tem vindo a destacar por uma carreira bastante curiosa, construída entre as suas origens independentes e algumas “regras” hollywoodescas, esse alguém é Gus Van Sant, que nos últimos 10 anos tanto foi nomeado para os Oscar ou assinou o remake de Psycho, como conquistou a Palma de Ouro em Cannes por um filme sem estrelas e feito totalmente à margem do sistema, Elephant. Ainda assim, os mais recentes filmes do realizador americano têm enveredado pela onda indie, e Paranoid Park surge como mais um (belíssimo) exemplo desse estilo tão peculiar que Van Sant tem vindo a criar, onde o tema da alienação de uma certa juventude vive de braço dado a uma abordagem estilística muito própria, que distingue o trabalho do seu autor de qualquer outro cineasta da actualidade.

Nas palavras do próprio autor, o romance em que se baseia Paranoid Park, de autoria de Blake Nelson é uma espécie de conto noir sobre um crime acidental, e foi com essa intenção que partiu para a sua abordagem cinematográfica, a da exploração das regras e convenções do film noir. Imagino que o resultado não andasse muito afastado do que aquele que vimos no ano passado em Brick, também esse um film noir situado no seio de um liceu norte-americano. No entanto, enquanto desenvolvia o tema, Van Sant acabou por aproximar o material à sua sensibilidade muito pessoal, e o que daí resultou foi mais um olhar desencantado mas ainda assim sensível sobre o desencanto juvenil, não apenas na América como no mundo, devido aos sentimentos universais que percorrem todo o filme. Assim, o resultado acaba por se revelar bastante empolgante, à medida que vemos o autor a quebrar as convenções do género que se propôs inicialmente trabalhar, ao mesmo tempo que consegue manter o mistério sobre a sua principal narrativa.

Mas não é na trama que está o sumo de Paranoid Park, e sim na essência do seu protagonista, o jovem Alex (interpretado pelo estreante Gabe Nevins), e naquilo que se esconde por detrás do seu olhar, que tanto capta o desencanto do mundo dos adultos à sua volta (nomeadamente a indiferença dos pais divorciados, que o fazem inclusivamente afastar-se da namorada por esta querer manter uma relação séria e, consequentemente, mais adulta), como o fascínio pela comunidade de skaters que frequentemente visita o Paranoid Park (um parque ilegal de prática de skate). No fundo, o problema de Alex é maior do que esse, e passa pela procura universal do seu lugar no mundo. E também da liberdade, que tanto pode estar nas palavras escritas numa carta confessional, como num skate, como enquanto deitado no chão encarando as núvens, como pendurado no vagão de uma locomotiva.

No fundo, são estes pedaços de vida aos quais a câmara de Van Sant se prende, tentando captar a sua essência e criando essa linguagem cinematográfica tão própria, deixando a sua sugestão de enredo sempre em plano secundário. Por vezes, a câmara limita-se a captar essa essência, fixando-se no movimento dos seus actores, nos seus rostos, nas suas palavras nem sempre fundamentais para o desenrolar da trama mas sim para se exporem diante de nós. Até na música podemos encontrar essas sensações escondidas que, em conjunto com algumas belíssimas imagens de Christopher Doyle (o director de fotografia), ajudam a criar fabulosos momentos de puro cinema. De certa forma, podemos ver Paranoid Park como um filme de silêncios, de olhares, de sensações. É um filme desesperado em encontrar a vida, sempre com a sombra da morte pairando no ar. É também uma das belas obras de 2007, e uma excelente proposta para este final de ano.

posted by Juom @ 1:20 da tarde   2 comments
sábado, dezembro 01, 2007
Eastern Promises
David Cronenberg, um dos maiores cineastas vivos, regressa aos ecrãs portugueses pouco mais de um ano após nos ter mostrado o seu anterior filme, o sublime A History of Violence. Tal como no seu filme anterior, o realizador canadiano apoia-se no carisma do excelente Viggo Mortensen como protagonista para uma exploração dos recantos obscuros do ser humano, onde a violência está sempre presente, de forma mais ou menos evidente. Também como acontecia no seu anterior filme, este Eastern Promises pode ser visto como uma das obras mais acessíveis do realizador, o que por outro lado não quer dizer que este se afaste das suas principais obsessões temáticas e visuais. Aliás, Cronenberg é um dos autores cinematográficos que melhor retrata a violência no grande ecrã, quer física quer emocional. E na primeira vertente, consegue manter intacta essa virtude que se tem vindo a perder no cinema actual, a de manter a sua câmara sempre por perto, mostrando os efeitos devastadores das marcas de violência no corpo humano.

Desta vez, o realizador de culto debruça-se sobre o sub-mundo do crime, mais concretamente uma família de mafiosos russos na Londres actual. Após dar à luz uma bebé, a parteira Anna (Naomi Watts) tenta descobrir o rasto da família da mãe (uma adolescente de 14 anos) que não resistiu ao parto. Encontrando o seu diário, e procurando nele pistas sobre a sua origem, Anna vê-se envolvida numa trama maior do que ela, com pessoas com que não se deveria dar. Uma delas é Nikolai (Viggo Mortensen), o motorista de serviço de uma família encabeçada por Semyon (Armin Mueller-Stahl), proprietário de um restaurante e pelo seu filho, o explosivo Kirill (Vincent Cassel), de quem Nikolai é também o braço direito. Depressa, todos querem pôr as mãos no diário da jovem morta, e resolver assuntos pendentes à custa do sangue necessário.

Não será totalmente descabido dizer-se que este é o filme de gangsters de Cronenberg, mas é indiscutível que o cunho pessoal do realizador contamina toda a obra, quer ao nível da encenação, quer na carga visceral, quer mesmo no ritmo da narrativa, pausado o suficiente para nos permitir compreender a complexidade das relações entre as suas personagens (até a comida nos ajuda a perceber algo sobre as pessoas que habitam o filme). Aliás, essa é mesmo a vertente mais forte de Eastern Promises, ao oferecer-nos um conjunto de personagens em permanente conflito interior, presas a códigos e tradições familiares e culturais dos quais querem escapar, mas acima de tudo presas ao asfixiante mundo da violência que parece estar constantemente presente ao virar de cada esquina. Nesse aspecto, o argumento de Steven Knight é impecável, naquilo que nos conta e naquilo que simplesmente nos sugere, preocupando-se em contar apenas aquilo que é essêncial, e deixando em aberto aquilo que deve permanecer em aberto. No entanto, não pude deixar de sentir, na parte final, algum descontrolo em relação ao destino de certas personagens e da generalidade da história. Saliente-se que nada disso tem a ver com a falta de explicações, mas sim com o desenvolvimento das personagens e das relações que até então tinham sido muitíssimo bem trabalhadas. Um aspecto que Knight e Cronenberg talvez tivessem melhorado com alguns minutos adicionais de filme, que me pareceu demasiado brusco na sua conclusão, após um ritmo tão ponderado até então.

Ainda assim, são “queixas” menores numa obra que, a espaços, é verdadeiramente brutal, e está recheada com alguns momentos de antologia, que ficarão marcadas como cicatrizes no corpo da carreira do realizador. Dizer isso já não é dizer nada pouco, deixando mesmo a sensação de que, apesar de toda a sua dureza, se torna urgente revisitar Eastern Promises num futuro próximo. O sexo continua a ser visto com uma frieza quase animal, observado sem escrúpulos pela sua lente, e a violência continua a impressionar pelas marcas que deixa no corpo humano. O corpo que, no geral, volta aqui a estar no centro das atenções, nomeadamente o de Viggo Mortensen, repleto de tatuagens e outras marcas que ajudam a contar a história da sua vida. Aliás, todo o elenco é digno de elogios múltiplos, desde essa contenção fria e violenta de Mortensen, à irreverência de Cassel, à ingenuidade aparente de Naomi Watts e culminando no excelente Mueller-Stahl que, a par de Mortensen, carrega com muito do filme às costas. Mesmo não sendo uma obra-prima por parte de um realizador que já nos ofereceu inúmeras, é um excelente filme a ter em conta neste 2007 relativamente morno.

posted by Juom @ 1:55 da manhã   2 comments
 

takeabreak.mail@gmail.com
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