terça-feira, janeiro 27, 2009
Obra-prima?




Ia fazer um comentário ao post do Carlos em relação ao Benjamin Button, mas aconselharam-me a alargar a discussão de uma questão que me parece pertinente.

Apesar de concordar com o Carlos em quase todos os seus argumentos, começo a achar que ultimamente a expressão obra-prima anda a ser lançada para o ar de forma gratuita um pouco por todo o lado. Não só na blogosfera, mas nos jornais, nas revistas, nas próprias conversas de café. A obra-prima, na minha opinião, não nasce, constrói-se, matura com o tempo. Resiste e persiste quando vozes se levantavam em contrário. Obra-prima: penso em Kubrick, penso nos clássicos, penso em peças que, por mais anos que passem, insistem em ter um efeito devastador em nós. Só de referirmos o seu nome.

Infelizmente, ainda não penso em Benjamin Button. Ainda não enraizou em mim tempo suficiente para tal. Fight Club, que o Carlos também referiu levou esse tempo a maturar. Acabei de ve-lo com uma sensação semelhante à da que senti em Benjamin Button, a de que tinha assistido a algo especial, a algo que ía ter uma importância que eu ainda não conseguia compreender. E que ainda não compreendo na totalidade. O seu a seu tempo. A obra-prima instantânea soa-me a algo traiçoeiro, condenado à partida. E não me parece que seja esse o caso.
posted by not_alone @ 4:29 da tarde  
9 Comments:
  • At 4:54 da tarde, Blogger P.R said…

    É um tema pertinente sobre uma questão que considero algo discutível. Isto é: o que faz de um filme uma obra-prima? Apesar de ser, em termos de conteúdo, uma ideia bastante fechada, acho que no cinema a sua definição é um pouco subjectiva. Se para mim determinado filme é uma obra-prima (como o dogville) outros podem achá-lo fraco e questionável (não é Paulo? Lol :P) . E isso contraria um pouco o carácter soberano que muitos dão ao titulo obra-prima. É claro que há obras que pelo estatuto e pela referência que são tornam-se consensuais. Mas também há por ai muita boa a gente a não gostar do 2001, de Laranja Mecânica ou de Blade Runner (que refira-se, foi destroçado pela critica quando estreou)

    Mais que uma conotação universal, acho que é algo mais individual. Cada um tem "as suas" obras-primas. E daí perceber que há determinados filmes que nos conquistam de imediato e que passam a integrar a nossa galeria de obras intocáveis.

    Um abraço.

     
  • At 7:35 da tarde, Blogger Carlos Pereira said…

    Tema pertinente not alone. Adjectivei o filme de Fincher como obra-prima instantânea porque estava ainda embriagado após o seu visionamento. Atingiu-me demais, devolveu-me o que eu procuro no Cinema e que às vezes vou esquecendo, produziu em mim um fascínio infantil. Em mim, e é aí que tenho que concordar com o Pedro Romão. Benjamin Button é uma obra-prima "para mim", e digo-o com toda a consciência de que não existem obras-primas absolutas nem universalismo de pensamento. E ainda bem. Logo, ao adjectivar um filme como Benjamin Button de "obra-prima instantânea" não procuro impor nada, apenas expôr a imensidão que o filme de Fincher representa para mim. Sem precisar de maturação, de repensar. Por isso volto a dizê-lo: The Curious Case of Benjamin Button é, para mim, uma obra-prima instantânea.

    Concordo que a expressão é utilizada demais, mas também não existe um limite definido por ninguém. Se por ano vir 100 filmes que considere obras-primas, quem estabeleceu algum critério para me proibir? É tudo demasiado subjectivo, e é por isso que estes jogos de adjectivos/classificações têm piada.

    Abraço ;)

     
  • At 12:26 da manhã, Blogger Paulo said…

    Pedro, é sim senhor :-P

    Quanto ao assunto, compreendo perfeitamente o texto do not_alone, mas é como se diz, por vezes sai-se de um filme de tal maneira siderado que é difícil resistir a classificações deste género. Não me lembro de já ter visto filmes que tenha classificado como obras-primas sem ter a consciência de que estavam demasiado marcados em mim para serem ignorados. É tudo sempre uma questão pessoal e subjectiva e, como refere o Pedro, mesmo os clássicos terão sempre os seus detractores.

     
  • At 12:36 da tarde, Blogger aquelabruxa said…

    not_alone, gostei da tua interpretação de obra-prima, faz bastante sentido. o assunto é discutível porque o significado da palavra é subjectivo ;)
    acho que batemois todos na mesma tecla.
    uma definição mais simplista:

    obra-prima



    s. f.,
    primor de arte;

    obra perfeita;

    a primeira obra do seu género.

     
  • At 1:10 da tarde, Blogger not_alone said…

    É óbvio que Obra-prima, em última instância é sempre uma opinião de cada indivíduo. Mas caramba, nós estamos todos mortinhos para ver os Oscars, em que eles declaram de forma nazi quem teve a melhor interpretação do ano (sim, sim, piada à Ana Shmidt de Winslet), por exemplo. E isso também não deixa de ser no fundo uma escolha que cada um faz nos seus cadernos de notas, independente do que é anunciado na televisão. A aquelabruxa acabou de provar o meu ponto, no comentário que fez noutro post, sobre - novamente - kate winslet. Ela achou Revolutionary Road aborrecido e que a sua protagonista não merecia ser nomeada. Eu, pessoalmente, acho que aquela é simplesmente uma das melhores actuações femininas alguma vez conseguidas no cinema.

    Isto tudo para dizer que meio mundo pode-me vir dizer que odiou A Clockwork Orange, mas a verdade é que gostando-se ou não do filme, é um marco no cinema (como, aliás qualquer outra obra de Kubrick) e não o digo porque amo o filme, digo-o porque hoje, quase 40 anos mais tarde, o filme continua a ser perturbador, continua a influenciar um rol sem fim de outros filmes que se fazem hoje em dia. É uma obra que não acabou no momento em que os créditos surgiram. Ainda nos ensina do que é feito o cinema, elevou-o a um patamar que poucos conseguem atingir. E, inevitavelmente, acabamos por o mencionar nas grandes obras do cinema. Quantos filmes perduram 40 anos tão vivamente nas nossas memórias? Tão presentes na nossa cultura, nos nossos costumes. Isso, é uma obra-prima. Por agora, na minha opinião, Benjamin Button é "só" um filme sublime.

     
  • At 5:54 da tarde, Blogger Fifeco said…

    Um assunto muito pertinente sem dúvida.

    Ainda assim existem duas situações possíveis, a meu ver,dentro do contexto. A primeira prende-se com a declaração de uma obra-prima após uma nova visualização do filme após muito tempo. Isto pode ser porque sentimos as mesmas emoções que tinhamos sentido, gostamos ainda mais dos seus atributos técnicos, diz-nos ainda mais do que tinha dito... etc.

    Depois existe o outro caso... e esse é muito especial Reside no facto de um indíviduo conceder no imediato que a fita é uma obra-prima. A mim aconteceu-me com "Fight Club" quando o vi pela primeira vez. É o único filme que verdadeiramente mudou a minha vida E se isso não é uma obra-prima, então o que e? Só um filme importante? Para mim foi e é muito mais do que isso e é por isso que o considero obra-prima.

    Confesso que eu próprio utilizo o conceito mais vezes do que devia mas identifico-me com a tua linha de pensamento.

    Abraço

     
  • At 8:25 da tarde, Blogger Foo said…

    A classificação de um filme como obra prima é como uma discussão: não se deve ser tomada de cabeça fria. O filme deve cimentar primeiro e então aí se vê em que prateleira o colocamos. Não necessita propriamente demorar anos. Até pode ser momentâneo. Não podem é ser impingidos, porque, sim senhor, o Casablanca pode ser um clássico adorado por muitos, mas não me digam q é uma obra prima. Mas isto é a minha opinião, que não consigo mesmo gostar do filme! :P

    Dado isto, parabéns pelo blog, que está bastante interessante!
    Tornei-me cliente assíduo!

    Abraço

    IrmandadeDoUrso.blogspot.com

     
  • At 10:45 da manhã, Blogger wasted blues said…

    Também não acredito em obras-primas instantâneas.

     
  • At 12:45 da manhã, Blogger Tigre Azul said…

    a verdadeira problemática subjacente ao post é só uma - consiste em saber-se se se deve hiperbolizar a arte. qualquer arte, não interessa. o problema é que o genial, a obra-prima, o épico, o ímpar, existe - mas existe com muito menos frequência do que os críticos apregoam. a verdadeira obra-prima é rara, verdadeiramente rara. é pena que, acometidos pelo desejo de apregoar o filme ou livro ou quadro catita que acabámos de apriorar, ou, só, devido a provincialismo bacoco, tudo é "genial" e coiso. é pena. a excelência na arte banalizou-se - e todos nós somos um pouco culpados.

    quem sai prejudicado? Obras-primas como o blade runner ali em cima na figura(e não, não vou referir a laranja mecânica).

     
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