
Nunca gostei de Penélope Cruz. Vi-a apenas como uma actriz com um palminho de cara e com muito pouco talento. Filmes como Sahara ou Bandidas pareciam também não ajudar na construção de uma carreira sólida em Hollywood. A sua natural pouca predisposição para o inglês origina um sotaque ultra-forçado e as vezes pouco compreensível que chega a tornar-se caricato. Enfim, mais uma actriz latina que se impunha pela sua beleza e pouco mais...
Mas, eis que chega Volver. Um regresso ao cinema de Almódovar, um regresso à sua língua que, obviamente, dá à personagem uma outra naturalidade, e a sua estreia como protagonista. E se a beleza permanece, desta vez é o talento que sobressai num desempenho fabuloso. Dona de uma capacidade dramática e de uma garra que, concerteza, irão surpreender os mais cépticos como eu, Penélope tem um desempenho imperial, colocando-se na galeria dos melhores desempenhos femininos do ano. De uma força bruta e de uma sensibilidade tocante Penelópe emocionará todos aqueles que lhe derem uma oportunidade para tal. Qual Midas, a nova musa espanhola têm até o dom de transformar um playback forçado numa das melhores cenas do ano, tal a grandeza da sua interpretação.
Felizmente, estes não são elogios pontuais. Depois de ter ganho, juntamente com todo o elenco feminino de Volver, o prémio de melhor actriz em Cannes foi anunciado agora que se apresentará em Outubro para receber o prémio de melhor actriz no 10º Festival de Cinema de Hollywood. Depois de uma Catalina Sandino Moreno e de uma Keira Knightley eis que a Academia se prepara para nomear mais uma nova actriz, mas desta vez com um desempenho em tudo superior as anteriormente citadas.
Assim, e fazendo um prognóstico arriscado quer me parecer que só restam três vagas para o óscar de melhor actriz, pois Hellen Mirren e Penelópe Cruz já ocuparam devidamente as suas posições.
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É o mais provavel. Tambem nunca deu nada por Cruz, mas temos que nos render a esta actuação.