 Diz-me o senso comum que a receita para um bom musical é um bom argumento, canções, banda-sonora e actores-cantores. O que é que tem Nine? Péssimo argumento, insípidas canções, desgarrada banda-sonora e bons actores, apesar de metade deles terem tanto jeito para o canto como eu para o tricô.
As expectativas eram elevadas, é certo. Gostei bastante do Chicago , e o elenco folhudo em estrelas consagradas e a inspiração em Fellini prometia um musical em grande. Mas não, é tudo demasiado esquemático, quadrado e pouco subtil numa história esculpida a rebarbadora. O gigante Daniel Day Lewis carrega o filme às costas mas na parte das cantorias estatela-se ao comprido. As músicas, todas elas estranhas e secas não entusiasmam e são completamente ocas. De positivo, destaca-se a cena da Fergie e Marion Cottilard que continua a espalhar charme e talento pelo grande ecrã.
Nine sabe a pouco. Não que o folclore espampanante de Rob Marshall não encha a vista. Apenas queríamos um pouco mais de qualidade.
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