Pois é, a "Pixar" é como o algodão...não engana. E com a história de uma pequena ratazana, de nome Rémy, cuja ambição é ser um gourmet de excelência, volta a encantar os espectadores de todas as idades. Brad Bird comprova os seus múltiplos talentos, devolvendo um classicismo acolhedor às personagens e seu respectivo papel na narrativa, focando o quão importante é acreditar nas nossas capacidades e lutar pelos nossos sonhos de sempre. Um pequeno tesouro cinematográfico, que nos devolve a infância ou nos faz simplesmente voltar a acreditar nela.
PS: Atentem na pequena curta que antecede "Ratatouille" e tentem evitar as gargalhadas.
Aceitei o convite destes excelsos colegas para postar as minhas verborreias mentais, e não só, neste excelso blog. E como é da praxe, terei que publicar o meu imaculado TOP - 10 cinéfilo, que é repleto de sabedoria e bom-gosto. Bom cinema, boa música, e estarei por cá nos próximos tempos...thank you guys...
1 - The Thin Red Line de Terrence Malick 2 - The Big Lebowski de Joel e Ethan Coen 3 - The Shining de Stanley Kubrick 4 - Pulp Fiction de Quentin Tarantino 5 - Raging Bull de Martin Scorsese 6 - Persona de Ingmar Bergman 7 - Heat de Michael Mann 8 - C'era una Volta il West de Sergio Leone 9 - Dead Ringers de David Cronenberg 10 - L'Avventura de Michelangelo Antonioni
M.I.A. é cabeça de cartaz no processo de internacionalizar os ritmos urbanos misturados, agora a última forma de coolness, ou qualquer coisa assim. Nesta recente moda, que catapultou para o sucesso projectos como os nossos Buraka Som Sistema, emergiu um trio brasileiro, os Bonde do Rolê, descobertos no myspace pelo ex de M.I.A., Diplo, que os tirou de Curitiba para o mundo. Os Bonde do Rolê, dois djs e uma vocalista, dedicam-se a tocar o chamado baile funk e «With Lasers» é o álbum para confirmar o fenómeno.
Ao ouvir os Bonde do Rolê a primeira associação que vem à cabeça é provavelmente as Cansei de Ser Sexy, talvez pela origem comum. Só que enquanto o colectivo de raparigas são herdeiras da electro-pop, cantam numa mistura de inglês com brasileiro, cultivam uma aura de diversão cosmopolita e não escondem o seu passado ligado às artes, os Bonde do Rolê são, passemos a imagem, não o clube, mas a rua. A rua bruta, quente, activa. Não são a insinuação sexy mas o sexo explícito. Basta ouvir as letras (algumas bombas atómicas de politicamente incorrecto ou verdadeiro mau-gosto) e não deixa de ser tremendamente engraçado imaginar que o público que os ouve e não entende português está a perder metade da piada. “James Bonde”, “Marina do Bairro” ou “Geremia” são algumas passagens obrigatórias num disco homogéneo que garante divertimento festivo desde a primeira faixa. Álbum para se dançar e para perder a compostura, «With Lasers» é um pronto a consumir, que entretém mais do que o bastante mas que, muito provavelmente, se vai esquecer com a mesma rapidez com que se deu a conhecer.
Ouvir o disco remete-nos imediatamente para o seu resultado ao vivo. Tanta energia resulta certamente potenciada em cima de um palco. E os Bonde do Rolê já não são debutantes nos palcos portugueses: deram um concerto na Galeria Zé dos Bois, uma actuação no Sudoeste e têm retorno agendado para Novembro, no Santiago Alquimista. A febre tomou conta da gente.
São um duo formado nos anos 90 mas soam a um tempo entre os 50s e os 60s, herdeiros da canção ligeira. Descobri-os numa das minhas explorações pelo last.fm e foi vício imediato. Naturais da Nova Zelândia, Jonathan Bree e Heather Mansfield conheceram-se num espectáculo onde actuavam em bandas separadas e desde então têm-se divertido em conjunto como The Brunettes, recriando o espírito da pop de décadas passadas. «Mars Loves Venus» é o título do primeiro ep, gravado em 1998, do qual se fizeram poucas cópias. Só em 2002 sairia o primeiro álbum «Holding Hands, Feeding Ducks», a que se seguiu um álbum como o mesmo título do ep, em 2004.
«Mars Loves Venus» é um adorável trabalho de pop cor-de-rosa, de palminhas e deixas de romantismo juvenil e divertido que podiam figurar num musical como Grease e que certamente soam melhor num gira-discos que num qualquer i-pod. É uma questão de nostalgia, por vezes pateta, sempre irresistível. Para os apreciadores das Pipettes, as raparigas inglesas que o ano passado nos fizeram reviver o espírito dos girl groups, The Brunettes serão proposta irrecusável. Abrindo com a homónima “Mars Loves Venus”, o segundo álbum do duo é composto por 12 faixas bastante similares, entre os 2 e os 3 minutos de versos sobre anseios e mágoas pessoais feitos de deixas a dois, contados com as vozes alternadas de jovem de Jonathan e de menina de Heather, sempre acompanhados de uma variedade de instrumentos, do clarinete ao órgão, do banjo à bateria marcando um compasso que, se por vezes convida a um pezinho de dança bem coreografado, outras pede pela almofada e pelo urso de peluche mais próximos. Pontos altos do disco são, além da primeira faixa, “This Things Take Time”, “Whale in the Sand” (por onde passaram os Beach Boys) e “Loopy Loopy Love” (where they overact boo hoo) . Uma agradável surpresa, para ouvir com o que de mais adolescente (com tudo o que isso tem de sonhador e de algo idiota) ainda houver em nós. E se gostarem, já há álbum novo, «Structure & Cosmetics», saído este ano.
Sugestão musical | Matt Elliott | The Mess We Made
Ainda que seja precisa uma boa dose de paciência (que é cada vez mais rara quando se escuta um disco hoje em dia) This Mess We Made merece ser ouvido. É sinistro, negro e depressivo. Não aconselhável a quem ainda tem alguma réstia de equilíbrio emocional. De repente damos por nós e somos esta nuvem negra, de portas fechadas, gelados por dentro e prontos a rebentar numa tempestade de rasgar as entranhas. Assim é This Mess We Made, a auto-destruição numa caixa.
"these bones made a home made mistakes & felt alone but we still insist on pissing on the bones"
Alfred Hitchcock nasceu há precisamente 108 anos, em Inglaterra. Nunca é demais referir este senhor, criador de uma obra cinematográfica extremamente coerente, cujo impacto não esmoreceu com os anos.
Após terem cancelado a vinda ao Festival Sudoeste, eis que surge a notícia de um novo concerto dos Editors no nosso país. O espectáculo terá lugar no Pavilhão do Restelo, dia 16 de Novembro. Recordamos que os Editors actuaram pela primeira vez em Portugal o ano passado, no Festival Super Bock Super Rock e deixaram uma muito boa impressão ao vivo.
A mais doce voz do jazz da actualidade gravou em 2000 um disco absolutamente delicioso chamado «Let Yourself Go: Celebrating Fred Astaire». Com este título sabemos logo o que esperar: revisitações a clássicos popularizados pelo actor-bailarino-cantor como “I Won’t Dance” ou “A Fine Romance”. Um disco suave que nos deixa com uma disposição de sonho, leves como as palavras na voz maravilhosa de Stacey: let yourself go relax and let yourself go relax! you’ve got yourself tied up in a knot the night is cold but the music’s hot...
Aqui vão, como habitualmente, as escolhas do mês que passou.
Ana Silva |Nada a destacar
H. | Death Proof
"O destaque máximo de Junho foi para mim "Death Proof ", filme de Quentin Tarantino visto nas salas portuguesas em versão alargada mas sem ser na sessão dupla para que foi concebido. O resultado é uma diversão nostálgica, cheia de 'power' e que, apesar de algum desequilíbrio em relação às partes em que se divide (a segunda é bem mais conseguida), é um dos mais sensualmente divertidos e fortemente deliciosos do ano."
not_alone | Death Proof
"Tarantino. Sem se levar demasiado a sério, segue a linha de filmes-tributo ao cinema que o influencia. Como resposta à moda retro e vintage que vivemos, em que o clássico é um culto, valoriza-se a componente estética e simbólica. Death Proof deixa-se misturar nos carros de colecção e nos iPods, nas jukebox e nos telemóveis topo de gama. Tudo a uma velocidade alucinante. E entretém, mais do que nos fazer pensar. Como um cubo de rubik que, em tempos serviu como quebra-cabeças, hoje não é mais do que uma peça de decoração com muito estilo."
Paulo |Death Proof
"Numa altura do ano em que as propostas cinematográficas se têm revelado particularmente desinteressantes, eis que Quentin Tarantino resgata o Verão da mediocridade para nos oferecer um entretenimento delirante, recuperando o conceito do Grindhouse para o século XXI. Com um Kurt Russell maquiavélico, uma banda sonora deliciosa (como sempre) e uma descontracção como nem no seu cinema se viu antes, Death Proof pode não ser uma obra-prima ao nível das anteriores de Tarantino, mas é sem dúvida a melhor proposta da época balnear."
Grandes actores e fabuloso argumento: eis os pontos fortes de O Silêncio dos Inocentes. Apostando numa acção muito mais sugerida do que efectiva, este filme de Jonathan Demme é na minha opinião um exemplo clássico de como se constrói um verdadeiro clima de suspense num filme. Os diálogos que, primam sobretudo pela inteligência, são inesquecíveis e a personagem de Anthony Hopkins fundiu-se de tal forma com o actor que ainda hoje é complicado dissociar o homem da personagem. A cena que escolhi do filme é aquela que nos revela pela primeira Hannibal Lecter. Fixem os seus olhos...