quinta-feira, julho 30, 2009
Sons do Baú | Nirvana (Unplugged)

Kurt Cobain não era um génio. Aceitemos essa ideia sem diminuir a influência da pessoa (e não apenas do ícone). OMTV Unplugged dos Nirvana é capaz de ter sido o primeiro álbum que comprei com o meu bem poupadinho dinheiro. Tinha 10 ou 11 anos e foi a conselho de alguns "mais velhos" que acharam por bem que eu devia conhecer. Os Nirvana não são da minha geração. Não me lembro do que andava a fazer no dia em que Kurt Cobain morreu. Muito provavelmente porque a coisa me passou ao lado. Hoje, vários anos depois, já conheço e reconheço Nirvana. E respeito (e sozinho desafino-o, como quem ameaça que vai cantar) o tão bem executado unplugged deles. Em versão acústica, Lake of Fire.

posted by P. @ 12:43 da tarde  
8 Comments:
  • At 1:30 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Define génio

     
  • At 1:23 da tarde, Blogger Fifeco said…

    Este é um concerto excelente. Talvez o melhor dos Nirvana. Esta música é de facto muito boa. Ainda assim prefiro a que encerra o concerto: Where did you sleep last night.

    Abraço

     
  • At 1:41 da tarde, Blogger P. said…

    fifeco,

    é das músicas onde a voz dele é melhor. não encontrei foi uma versão porreira, só com a música, e acabei por pôr esta, que também adoro.

    anónimo,

    que desafio terrível me propuseste. podia discorrer milhares de palavras sobre o assunto. mas ponho-o em poucas palavras, e em função do kurt cobain.
    génio e obra-prima são expressas que raramente uso. tenho muito cuidado com elas porque acho que o que é excepcional surge muito raramente. Kurt cobain era um óptimo guitarrista e um letrista interessante. quando digo que não é génio, estou só a tentar desmistificar o fenómeno que houve em torno do ícone (mais tarde potenciado pela morte dele, como já vimos anteriormente com outros ícones).
    Houve alguns génios na música no séc. XX. o facto de não o atribuir aos nirvana não é tanto pelo talento que a banda tinha, mas mais por entender que o fenómeno do grunge teve os pearl jam de então, e mais cedo ainda os melvins, como bandas essenciais para se perceber as origens do grunge enquanto fenómeno cultural e musical. Os Nirvana ajudaram a celebrizar, mas não são os únicos inventores.
    Os Nirvana também trouxeram algumas novidades às músicas, sem dúvida. Mas acho excessivo o estatuto de génio atribuido a Cobain. É uma figura marcante, legítima e que merece todo o respeito. Acho é que o chavão de génio deve ficar com quem tenha arcaboiço para sobreviver a tudo e a todos enquanto, lá está, génio. Por exemplo, Miles Davis é um génio. Tinham-mo dito antes de ouvir a música. Tive de ouvir para concordar. Não há indiscutíveis num assunto tão subjectivo. Mas em termos musicais, o que os Nirvana fizeram é impar, e até certo ponto único. Não necessariamente genial - ou claramente acima de quem foram os seus contemporâneos.

    Isto seria apenas introdutório. Mas espero assim ter conseguido explicar um pouco do que quis dizer.

     
  • At 3:12 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    O Cobain não era um génio, no sentido intelectual do termo, mas musicalmente creio que se pode afirmar que era. Ainda que se diga que os Nirvana são a face mais visível do Grunge parece-me que foram eles que mataram o hair-rock, os solos sebosos e os anos 80. O Nevermind é tão grande como o kind of blue, porquê? Porque fez repensar o que o establishement editava. Tal como o kind of blue já la trazia um cheirinho do hard bop, o neverming mostrou a confusão que os anos 90 haviam de ser. O génio do Cobain fica-se pelo musical, parece-me fraco intelectualmente como já afirmei, mas albums como o in utero, algumas canções do bleach e o já referido nevermind, são enormes demais para não virem colados com o rótulo de genial

     
  • At 5:00 da tarde, Blogger P. said…

    "O Nevermind é tão grande como o kind of blue, porquê? Porque fez repensar o que o establishement editava."

    Nessa perspectiva percebo a afirmação. E é uma afirmação ambiciosa, também gosto disso.

    O In Utero é um álbum excelente, provavelmente o melhor deles e também a prova ideal de que eram capazes de sobreviver ao Nevermind (muitos vezes um álbum com tal sucesso é a morte de muito boa banda).

    Percebo também a distinção que fazes entre musical / intelectual. E nesse ponto talvez a discussão à volta do genial esteja um pouco presa à semântica da coisa.

    O que nos leva para outra questão, que é também uma defesa ao nível do português, mas que acho que até tem sentido no caso do kurt cobain. é que apesar de não o considerar um génio, não há dúvida de que houve momentos se podem perfeitamente considerar "rasgos de genialidade" (passe o cliché).

    O facto de ser um ícone também leva a que muita gente desvalorize a música. E queria evitar esse caminho. O unplugged dos nirvana, por exemplo, também mostra a forma como se conseguem mostrar noutro registo. ouvi algures que foi o único unplugged da mtv que foi gravado à primeira, sem erros ou necessidade de repetições. isso também dirá qualquer coisa sobre o apuro técnico da banda.

     
  • At 2:18 da manhã, Blogger Fifeco said…

    Anónimo,

    Pergunto apenas até que ponto foi bom os Nirvana, nas tuas palavras, terem matado os anos 80???

     
  • At 8:54 da manhã, Anonymous Anónimo said…

    Porque desmostou todo aquele monumento artificioso em que o Rock se tinha tornado, todos aqueles guitar heroes, aquele mau gosto confundido com rebeldia (e que tem hoje nos the killers fervorosos seguidores). Claro que não me refiro ao Rock cartilha post-punk ou ao que se estava a fazer à margem (Jesus and the mary chain, sonic youth e depois os pixies).

     
  • At 1:29 da tarde, Blogger aquelabruxa said…

    lembro-me da primeira vez que ouvi "smells like teen spirit" na mtv, e fiquei logo a gostar. teve muito impacto, é só do que me lembro.

     
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