
Sem qualquer espécie de contenção, sou dos que afirma que Lost é a melhor série televisiva da actualidade. Sim, eu sei perfeitamente que muitos espectadores assíduos foram perdendo o interesse, algures entre o final da segunda temporada e a primeira parte da terceira, mas pessoalmente a minha atenção e devoção foram de completo crescendo até ao fulminante final da quarta temporada. Acima de tudo, destaca-se a sua total e completa capacidade de reinvenção, onde muito mais do que tantar criar surpresas constantes ao espectador, Lost renova-se a cada temporada e, aqueles que têm seguido a série com interesse, devem olhar para trás e pensar no quão “normais” eram os primeiros episódios quando comparados com a complexidade entretanto criada.
Mas, para além de tudo isto, as personagens são sempre o centro das atenções, e aquilo que mais contribui para o sucesso da série. Isto porque nunca adiantaria de muito andar tanto tempo por esta ilha a acompanhar gente desinteressante, daí os seus criadores nos oferecerem verdadeiras personagens, com a complexidade e riqueza psicológica ao nível do melhor que se faz. Quem julga que sabe o que vai encontrar nesta série com base numa qualquer sinopse está, pois, redondamente enganado, e cada temporada tem-se revelado totalmente diferente da anterior, onde quer a nível temático, quer a nível narrativo, tudo está em constante mutação.
Quanto à temporada em questão, que agora surge nomeada para dois Emmys, tratou de confirmar o seu crescendo, conseguindo mesmo incluir alguns dos melhores episódios de toda a série, incluindo “The Constant”, algo que não só leva ao limite a manipulação narrativa e cronológica da série, como confirma definitivamente o arrojo dos seus criadores que, afastando-se completamente da banalidade das fórmulas televisivas, nos oferece algo nunca antes visto numa série desta envergadura. E, como não poderia deixar de ser, tudo termina de forma comovente e intrigante. Acção, aventura, drama, ficção científica e mesmo terror, e aqui está o que de melhor a televisão tem para nos oferecer. Entretém e desafia o espectador, o que, no panorama televisivo (e mesmo cinematográfico) mundial, é uma raridade. A quinta temporada está a caminho e, a julgar pelo anterior final, as cartas serão novamente lançadas e tudo será diferente. We need to go back!
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Pois eu sou mesmo um daqueles que perdeu o interesse e que acha a série uma das mais sobrevalorizadas dos ultimos anos. A série vai beber a muitooos lados (*cof* The Langoliers "cof") e nem sempre é feliz na sua junção. Mas prometo que um dia dou uma segunda oportunidade e volto à ilha :P